A inteligência artificial (IA) e as soluções digitais aparecem como principais prioridades para os CEOs brasileiros em 2026, destacando-se como fatores estratégicos para crescimento, inovação e transformação empresarial. Segundo a edição mais recente do CEO Outlook, estudo global da EY-Parthenon, 30% dos executivos apontam a IA como essencial para a expansão de seus negócios. Em seguida, aparecem a gestão eficiente de custos (18%), aprofundamento de parcerias (14%), diversificação de cadeias de suprimentos (12%) e gestão de riscos geopolíticos (10%).
O estudo mostra que a IA já produz resultados tangíveis: 24% das empresas relatam impactos muito acima do previsto em receita e eficiência, enquanto 36% registram resultados superiores ao esperado e 34% confirmam desempenho em linha com projeções iniciais. A tecnologia é incorporada de maneira estruturada e responsável, com 64% das empresas atribuindo responsabilidades claras em nível de diretoria e conselho, incluindo aspectos éticos, retorno sobre investimento e impactos sobre a força de trabalho.
Ao contrário de temores recorrentes, a adoção da IA não é vista como um fator de redução de empregos: 52% dos líderes discordam dessa possibilidade, enquanto 48% acreditam que os investimentos devem manter ou ampliar contratações. Além disso, 46% das organizações priorizam a implementação ética da IA, mesmo que isso implique ganhos menores no curto prazo, reforçando o compromisso com crescimento sustentável e responsabilidade corporativa.
“A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa e já se consolidou como motor real de crescimento e transformação. O estudo mostra que os CEOs brasileiros reconhecem não apenas o potencial da tecnologia para gerar eficiência e receita, mas também a importância de uma adoção ética e responsável. Esse equilíbrio entre inovação e responsabilidade será determinante para que as empresas se mantenham competitivas e sustentáveis em um cenário de rápidas mudanças”, afirma Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon.
Nos próximos dois anos, a IA deve reformular modelos de negócios e operações, com 36% das empresas prevendo impacto transformador, 50% estimando mudanças significativas e 12% projetando efeitos moderados. O aprendizado de máquina é apontado como principal força dessa transformação, citado por 61% das empresas, enquanto a inteligência artificial generativa já é considerada essencial por 43%.
Outras tecnologias complementam o ecossistema digital: processamento de linguagem natural e IA física são mencionados por 33% dos executivos, e agentes autônomos por 29%. Apesar do avanço, os desafios permanecem relevantes, com 22% das empresas destacando riscos de cibersegurança, 16% mencionando a dificuldade de separar hype de valor real, e 12% apontando altos custos iniciais e retornos incertos, além de desalinhamentos na liderança.
Transformação organizacional em foco
A transformação organizacional já é realidade para a maioria das empresas brasileiras: 62% estão em processo ativo e 36% devem iniciar mudanças nos próximos 12 meses, enquanto apenas 2% não passam por alterações e nenhuma declarou não ter planos futuros. Até 2026, os objetivos estratégicos incluem melhorar engajamento e retenção de clientes (16%), otimizar operações via digitalização (16%), reimaginar modelos de negócios (14%), reduzir custos (14%) e acelerar crescimento da receita (12%).
Mais do que ajustes operacionais, essas iniciativas buscam reposicionar estrategicamente as empresas em um ambiente de rápidas mudanças. A confiança é maior em iniciativas ligadas a pessoas e inovação: 85% acreditam em melhorias no engajamento e retenção de colaboradores, 76% confiam na inovação para aprimorar produtos e processos e 68% apostam na reimaginação de modelos de negócios.
“O estudo mostra que a transformação organizacional já não é mais uma escolha, mas uma realidade para a maioria das empresas brasileiras. O foco em engajamento de clientes, digitalização e reimaginação de modelos de negócios reflete a necessidade de reposicionamento estratégico em um ambiente de mudanças aceleradas. Mais do que ganhos de eficiência, os líderes estão confiantes de que pessoas e inovação serão os motores dessa jornada, reforçando o papel do capital humano como diferencial competitivo”, conclui Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon.



