IA industrial avança, mas esbarra em infraestrutura

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A inteligência artificial (IA) industrial está avançando rapidamente do estágio de testes para aplicações em ambientes reais, com impacto direto em operações físicas como fábricas, sistemas de transporte e serviços públicos. No entanto, a capacidade de escalar essas iniciativas ainda depende de fatores estruturais, como infraestrutura de rede, cibersegurança e integração entre áreas de tecnologia.

É o que aponta o State of Industrial AI Report, estudo global da Cisco, que analisou a adoção da tecnologia em 19 países e 21 setores industriais, com base em entrevistas com mais de 1.000 tomadores de decisão em tecnologia operacional (TO).

Os dados mostram que 61% das organizações já utilizam IA em operações industriais em tempo real — índice que chega a 66% no Brasil. Além disso, 20% das empresas (38% no Brasil) já atingiram níveis de implementação madura e em larga escala.

“A IA industrial está saindo da experimentação para a produção, onde os sistemas de IA sentem, raciocinam e agem no mundo real”, afirma Vikas Butaney, Vice-Presidente Sênior e Gerente Geral de Roteamento Seguro e IoT Industrial da Cisco. “Nesta fase, o sucesso não é mais determinado apenas pelos modelos, mas sim se as redes, a segurança e as equipes estão prontas para dar suporte à IA na borda (edge), em movimento e em escala. A pesquisa mostra que as organizações confiantes em escalar a IA são aquelas que tratam a infraestrutura, a cibersegurança e a colaboração TI/TO como fundamentais, não opcionais.”

A pesquisa indica que a IA já gera ganhos operacionais em áreas como automação de processos, inspeção de qualidade, manutenção preditiva, logística e previsão energética. Ainda assim, o avanço para operações em tempo real e em escala expõe limitações estruturais.

A infraestrutura de rede surge como um dos principais pontos críticos. À medida que a IA é integrada a máquinas, sensores e sistemas autônomos, cresce a demanda por conectividade confiável, baixa latência, mobilidade sem fio e computação de borda.

  • 97% das empresas (96% no Brasil) esperam impacto da IA nos requisitos de rede
  • 51% (59% no Brasil) preveem aumento na demanda por conectividade e confiabilidade
  • 96% (100% no Brasil) consideram redes sem fio essenciais para viabilizar a IA

A cibersegurança também se consolida como fator determinante para o ritmo de adoção. O aumento da conectividade e do fluxo de dados amplia riscos, ao mesmo tempo em que posiciona a própria IA como parte da solução.

  • 98% (100% no Brasil) consideram a cibersegurança essencial
  • 40% (49% no Brasil) apontam a segurança como principal obstáculo à escalabilidade
  • 85% (95% no Brasil) esperam que a IA fortaleça a proteção digital

Outro ponto destacado pelo estudo é a importância da integração entre Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia Operacional (TO). Organizações com maior colaboração entre essas áreas apresentam maior confiança na expansão da IA, além de redes mais estáveis e maior prioridade à segurança.

  • 57% das empresas (83% no Brasil) relatam algum nível de colaboração entre TI e TO
  • 43% (18% no Brasil) ainda têm integração limitada ou inexistente
  • Entre organizações com baixa integração, 47% apontam instabilidade de rede como barreira para escalar a IA

O estudo também indica uma forte tendência de investimento: 83% das empresas globais e 86% das brasileiras pretendem ampliar os aportes em IA, enquanto a grande maioria espera resultados relevantes nos próximos dois anos.

Apesar do avanço, o relatório mostra que a prontidão operacional ainda define o alcance da IA industrial. À medida que a tecnologia passa a atuar diretamente em ambientes físicos, a combinação entre infraestrutura, segurança e integração organizacional tende a se consolidar como fator decisivo para sua escalabilidade.

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