A Black Friday se transformou em um evento de alta complexidade logística e tecnológica. Mais do que preços competitivos, o sucesso do e-commerce brasileiro depende hoje da capacidade de suportar picos de tráfego e proteger clientes contra riscos digitais.
Em 2024, o evento movimentou R$ 9,38 bilhões em vendas online, entre 00h00 de quinta-feira (28) e 23h59 de domingo (1), segundo dados da Neotrust. No entanto, também expôs o Brasil como um dos dez países mais visados por cibercriminosos, com 17,8 mil tentativas de fraude e R$ 27,6 milhões em golpes evitados, conforme plataforma Hora a Hora, da Confi.Neotrust, em parceria com a ClearSale.
Com o comércio eletrônico brasileiro projetado para movimentar R$ 234,9 bilhões em 2025, segundo a ABComm, a Black Friday deixou de ser apenas um pico de consumo e passou a ser um divisor de águas capaz de ampliar ou comprometer faturamento e reputação em poucas horas.
Para Wagner Elias, CEO da Conviso, empresa de segurança de aplicações, velocidade e confiança são determinantes para a conversão. “Se o site trava ou o consumidor desconfia do ambiente de pagamento, a venda se perde em segundos”, afirma. Entre os pontos críticos estão APIs e subdomínios esquecidos, servidores desatualizados e sistemas sem monitoramento constante.
Segundo Elias, a preparação antecipada é fundamental. “Na Black Friday, o tempo de reação é mínimo. O planejamento prévio é a única forma de evitar perdas financeiras e danos de reputação.”
Quatro medidas para reduzir vulnerabilidades e fraudes
Segundo o CEO da Conviso, existem ações práticas que ajudam a blindar o e-commerce durante datas de alta demanda:
- Plataforma de pagamento segura: usar apenas sistemas reconhecidos e certificados, prevenindo phishing e clonagem de cartão.
- Autenticação em duas etapas: reduzir o risco de invasões em transações e acessos ao sistema.
- Capacitação de colaboradores: treinar profissionais para identificar possíveis fraudes.
- Monitoramento de transações: analisar operações em tempo real para detectar atividades suspeitas rapidamente.
A Conviso observa que cada segundo de instabilidade ou fraude não bloqueada se traduz em perda direta de receita e desgaste de marca. Estudos indicam que empresas afetadas por incidentes de segurança levam, em média, 60 dias para recuperar a confiança do consumidor, tempo suficiente para perder participação de mercado.
Entre as medidas mais adotadas estão scans de vulnerabilidade, checagem da superfície de ataque, implementação de Web Application Firewall (WAF) e CDN (Content Delivery Network), garantindo desempenho estável mesmo em alto tráfego ou diante de ataques automatizados.
Elias reforça que segurança digital deixou de ser apenas técnica e se tornou decisão estratégica e financeira. Um site protegido e estável vale tanto quanto preços competitivos ou logística eficiente: “Quem se prepara com blindagem de servidores, varredura de sistemas e camadas de proteção transforma segurança em diferencial competitivo”.
Tendência de amadurecimento do mercado
A percepção do valor da segurança digital tem crescido gradualmente. “Há cinco anos, era vista como custo extra. Hoje, empresas percebem que segurança é sinônimo de conversão e credibilidade. Ainda há espaço para evolução, principalmente fora dos grandes centros e entre empresas menores”, conclui Elias.
“No fim, a Black Friday mostra que o carrinho cheio só vira faturamento se houver confiança. E confiança, no digital, custa menos do que uma fraude ou um site fora do ar.”



