A Semana do Consumidor de 2026 ocorre em um cenário de expectativa positiva para o comércio eletrônico brasileiro. De acordo com estimativas da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o e-commerce deve registrar crescimento entre 9% e 11% no período, superando o faturamento do ano anterior. Ao mesmo tempo, pesquisas apontam que o comportamento do consumidor online é fortemente influenciado por fatores emocionais.
Levantamento realizado pela CNDL em parceria com o SPC Brasil indica que 62% dos brasileiros admitem realizar compras não planejadas na internet. Além disso, 49% reconhecem que decisões de compra são motivadas por emoções, como a busca por recompensa, alívio momentâneo ou sensação de pertencimento.
Esse comportamento ganha força especialmente em períodos promocionais, quando estímulos de marketing se intensificam. Promoções relâmpago aparecem como um dos principais gatilhos de consumo, citadas por 54% dos entrevistados, seguidas por benefícios como frete grátis, apontado por 45%. Em muitos casos, a decisão de compra acontece sem uma análise racional de necessidade ou impacto no orçamento.
Os efeitos desse padrão também aparecem após a compra. Enquanto um gasto planejado tende a gerar satisfação duradoura, compras motivadas por impulso frequentemente são acompanhadas de sentimentos negativos. Segundo a pesquisa da CNDL/SPC Brasil, 15% dos consumidores relatam arrependimento após compras online, enquanto 19% afirmam sentir indiferença em relação ao produto adquirido.
As consequências financeiras também se refletem nos dados do levantamento. Cerca de 40% dos entrevistados afirmam já ter gastado mais do que podiam em compras online. Além disso, 35% relatam ter contraído dívidas ou atrasado pagamentos de contas essenciais em função desses gastos.
Para Thaíne Clemente, executiva de Estratégias e Operações da Simplic, fintech especializada em crédito pessoal, o ciclo de consumo emocional pode gerar impactos prolongados nas finanças pessoais.
“O problema é que o alívio do novo produto dura horas, enquanto a fatura do cartão fica por meses. Por isso a importância em se entender que o dinheiro é um recurso finito, usá-lo para regular emoções não trata a causa”, afirma.
Especialistas em planejamento financeiro apontam que reconhecer os gatilhos emocionais é um passo importante para construir uma relação mais equilibrada com o consumo. Uma das estratégias frequentemente recomendadas é a chamada regra das 24 horas: ao surgir o impulso de comprar algo não planejado, o consumidor deve aguardar um dia antes de tomar a decisão.
Esse intervalo ajuda a reduzir o senso de urgência frequentemente criado por campanhas promocionais e permite avaliar com mais clareza se o produto realmente é necessário ou se pode comprometer o orçamento.
Outra prática sugerida é manter um diário financeiro-emocional. Além de registrar gastos, a proposta é anotar o estado emocional no momento da compra, identificando possíveis gatilhos como estresse, tédio ou solidão.
“O hábito de escrever o que te gerou o impulso ajuda a entender seu comportamento emocional, revelando os gatilhos pessoais e permitindo que você os antecipe e crie novas rotas”, explica a especialista.
Além dessas estratégias, especialistas também destacam a importância de desenvolver alternativas de autocuidado que não estejam associadas ao consumo. Atividades simples, como caminhar ao ar livre, conversar com amigos, praticar meditação ou dedicar tempo à leitura, podem funcionar como formas mais saudáveis de lidar com emoções e reduzir a dependência do consumo como válvula de escape.
“A saúde financeira e a saúde mental são dois lados da mesma moeda. Cuidar de uma é investir na outra. Comece observando seus próprios impulsos com mais atenção. O objetivo não é a perfeição, mas o progresso em direção a uma relação mais consciente, poderosa e, acima de tudo, mais saudável com o seu dinheiro”, finaliza Thaíne.



