Conciliar carreira executiva com a criação dos filhos é um desafio comum a muitas mulheres e, também, uma experiência que molda a forma de liderar, tomar decisões e olhar para o mercado. No setor de eletrodomésticos, onde praticidade e rotina doméstica estão no centro das inovações, essa vivência ganha ainda mais relevância.
Há 25 anos na Britânia, Cristiane Clausen, diretora-executiva da companhia, acompanhou de perto a evolução do consumo dentro de casa enquanto criava seus dois filhos, uma jovem de 22 anos e um rapaz de 18. Na entrevista a seguir, ela fala sobre produtos que facilitam o dia a dia das famílias, mudanças no comportamento das mães consumidoras e as lições que a maternidade trouxe para sua liderança.
Quais produtos você considera indispensáveis na sua rotina como mãe e profissional?
São produtos que me ajudem no dia a dia, que facilitem a rotina. O que eu uso muito é a fritadeira, as air fryers, que vieram para ficar. A chaleira elétrica, eu uso diariamente, e é bacana porque pode ser usada em diversas fases da vida, desde a mamadeira até para fazer café ou macarrão.
E do lado pessoal, uso a escova secadora, que facilita muito a nossa vida no dia a dia.
De acordo com a idade dos seus filhos, quais dicas você daria para mães sobre produtos que você já usou?
Eu vejo que, na fase em que eu estou, a air fryer é fantástica, porque você faz dois ou três produtos ao mesmo tempo. Então, mesmo com filhos de idades diferentes, você consegue fazer coisas diferentes.
Panela de arroz também é legal porque você faz não só o arroz, mas um mingau ou até uma sopa. E elas vêm com um cozedor para fazer alimentos a vapor. Ou seja, você pode fazer um legume ao mesmo tempo em que faz um arroz.
E para a fase lúdica das crianças, a cupcake maker é muito legal para interagir e ter um momento de qualidade com os pais.
Você enxerga oportunidades no varejo para produtos ou serviços que realmente facilitem a vida das mães? Alguma tendência que chamou sua atenção?
Nós sempre buscamos oportunidades. Nós temos muitas mães que trabalham aqui. O nosso time gerencial é composto por muitas mulheres e muitas mães, e sempre trocamos ideias.
Na área de cuidados pessoais, a gente sempre vem com novidades que deixem a rotina das mulheres mais fácil, combinando a vida profissional e familiar. Temos, por exemplo, os secadores de cabelo que secam mais rápido ou com modeladores. Além disso, temos os produtos do dia a dia da cozinha.
Estamos sempre buscando novidades no mercado.
O aspirador robô, por exemplo, vem evoluindo cada vez mais, com aspiradores mais potentes ou inteligentes.
Como a maternidade mudou a sua visão sobre liderança e tomada de decisão no varejo?
Eu acho que ela faz a gente ter mais empatia, mais comunicação, porque temos que aprender a nos comunicar. Eu tenho dois filhos e um é diferente do outro, e com cada um eu preciso me comunicar de maneiras diferentes.
E isso a gente leva para o profissional, porque cada um é diferente. Isso trouxe bastante aprendizado para mim. É uma lição de empatia, de se colocar no lugar do outro e se comunicar.
Quais foram os maiores desafios de conciliar maternidade com a presidência de uma empresa, e como você superou esses obstáculos?
Às vezes, temos um misticismo de que tudo é muito difícil. Não é. A gente consegue conciliar tudo. Claro que ter uma rede de apoio é importante, mas conseguimos.
Mas, trazendo isso para a Britânia, a empresa está aqui para auxiliar a nossa vida. A gente consegue, com os nossos produtos, ter uma vida mais fácil em casa, e com isso conseguimos ter uma vida profissional mais tranquila.
A mulher consegue fazer as duas coisas. Temos tecnologia no mercado, temos pessoas para ajudar, e no final dá tudo certo.
E os filhos revigoram a nossa vida, então você tem mais uma motivação para sair, para melhorar mais, para ser uma pessoa melhor. Você quer dar mais para eles do que você teve. E isso nos motiva a colher resultados melhores.
Você percebe mudanças no comportamento das mães consumidoras? Como o seu negócio se adaptou ou poderia se adaptar a essas demandas?
As mães hoje estão mais exigentes, elas querem mais facilidade. Também acho que hoje em dia as mães buscam cuidar mais de si.
Elas querem mais praticidade no dia a dia, querem mais tempo para elas — não apenas com os filhos, mas com elas mesmas. Esse é um comportamento que tem se demonstrado nos últimos anos.
Existe algum estereótipo sobre mães líderes que você sente que ainda precisa ser quebrado dentro do mercado de varejo?
Eu acho que ainda tem muito essa questão de “ah, é impossível fazer as duas coisas ao mesmo tempo”. Ainda tem, às vezes, um preconceito de que a mulher não conseguirá entregar o necessário, de acharem que a mulher tem que ficar em casa cuidando dos filhos.
Eu consegui criar dois filhos que estão bem encaminhados, duas pessoas que hoje eu admiro, são bem criados, já são adultos, que têm uma vida inteira pela frente, mas que se mostram pessoas do bem e com garra.
A gente consegue. Não dá para ficar protelando demais, pensando demais. No fim dá tudo certo.
E temos que esquecer o que os outros falam. Temos que pensar no que queremos.
Que conselho você daria para outras mães que desejam ocupar posições de liderança, conciliando carreira e maternidade sem abrir mão de nenhuma das duas?
Eu acho que o principal é não esperar o cenário ideal acontecer. Faça aquilo que você tem vontade, aquilo que te dá prazer, que te faz mais forte, e vá para frente.
Não pensar demais. Claro, dentro das possibilidades, mas não precisa esperar o cenário ideal.
Carreira e maternidade não estão em lugares opostos, elas caminham juntas. Podem ser linhas paralelas que chegam a um caminho comum.
Tem o lado difícil, tem o lado complicado da maternidade, mas a gente consegue também.
Eu estou aqui há 25 anos, passei por inúmeros produtos e muitas coisas. O que eu posso comentar é que as mulheres e as mães têm espaço na sua carreira profissional e, cada vez mais, a gente tem que se valorizar e entender que temos tempo para tudo.
Tem que ter equilíbrio em toda essa jornada.



