WEG vai construirá maior fábrica de baterias do Brasil

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A WEG anunciou a construção de uma nova fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) em Itajaí (SC), em um projeto que deve se consolidar como o maior do tipo no Brasil. A iniciativa contará com financiamento de aproximadamente R$ 280 milhões do BNDES e faz parte da estratégia da companhia de ampliar sua atuação em soluções ligadas à transição energética e à descarbonização, em linha com o avanço das fontes renováveis no país.

Segundo a Inside DVs, com início de operação previsto para o segundo semestre de 2027, a nova unidade deverá elevar a capacidade produtiva da empresa para até 2 GWh por ano em sistemas de armazenamento. Esse volume é equivalente a cerca de 400 sistemas de 5 MWh, ampliando de forma significativa a presença da WEG em projetos de infraestrutura energética. O projeto prevê elevado nível de automação industrial, adoção de robôs móveis para logística interna e uma estrutura dedicada a testes e desenvolvimento, reforçando o perfil tecnológico da planta.

O foco inicial da operação não será a produção de baterias para veículos elétricos, mas sim o armazenamento estacionário de energia. Os sistemas BESS são utilizados principalmente para estabilizar redes elétricas, garantir maior previsibilidade ao fornecimento e permitir melhor aproveitamento de fontes renováveis, como solar e eólica — especialmente em um contexto de leilões regulatórios realizados pelo governo federal para destravar o setor.

Apesar de não ter aplicação direta imediata na mobilidade elétrica, o movimento tem impacto indireto relevante. Sistemas de armazenamento são considerados peças-chave para a expansão das renováveis, pois permitem acumular energia gerada em momentos de baixa demanda e devolvê-la ao sistema quando necessário. Na prática, quanto maior a capacidade de armazenamento da rede, maior tende a ser a viabilidade da eletrificação em larga escala, incluindo veículos elétricos, sem pressionar a infraestrutura energética.

Outro ponto estratégico está na cadeia produtiva. A fábrica deverá introduzir no Brasil tecnologias de integração como a arquitetura cell-to-pack, amplamente utilizada no mercado global para melhorar eficiência e densidade energética em sistemas de baterias. Ainda que a aplicação inicial seja voltada ao armazenamento estacionário, a presença local de engenharia, automação e integração de sistemas contribui para a formação de uma base industrial que, no futuro, pode dialogar com aplicações automotivas.

O investimento também reforça um movimento mais amplo relacionado à segurança energética e ao posicionamento do Brasil na cadeia global da descarbonização. Embora o país ainda esteja distante da produção em larga escala de células para uso automotivo, projetos industriais ligados ao armazenamento e à integração de baterias passam a ganhar peso estratégico. No curto prazo, o impacto direto sobre o setor automotivo é limitado; no médio prazo, porém, iniciativas como essa ajudam a estruturar um ecossistema industrial e tecnológico considerado essencial para ampliar a relevância do Brasil na economia das baterias e da eletrificação.

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