Mercado Livre de Energia ganha espaço entre empresas

Mercado Livre de Energia

Durante muitos anos, empresas brasileiras tiveram apenas uma alternativa para contratar energia elétrica: o mercado cativo, no qual tarifas, reajustes e condições são definidos pelas distribuidoras locais. Esse modelo, no entanto, vem perdendo espaço. Com o avanço do Mercado Livre de Energia, cada vez mais empresas passaram a tratar o consumo elétrico não apenas como uma despesa operacional, mas como uma decisão estratégica de gestão.

Segundo Tiago Fassbinder, gestor de consumidores da Spirit Energia, a principal mudança está na possibilidade de escolha. “Muitas empresas ainda não sabem que podem escolher de quem comprar energia. No Mercado Livre, a energia deixa de ser apenas uma conta fixa e passa a ser um item negociável”, explica.

O Mercado Livre de Energia é um ambiente de contratação no qual empresas podem comprar energia diretamente de geradores e comercializadores, negociando livremente preço, prazo, volume e o tipo de energia contratada. “Diferente do mercado regulado, não há tarifas definidas unilateralmente nem aplicação de bandeiras tarifárias. Nesse modelo, a distribuidora continua responsável pela entrega da energia, mas o fornecimento em si é contratado livremente. O resultado é mais controle e, em muitos casos, redução de custos”, pontua Fassbinder.

De acordo com o especialista, esse modelo vem ganhando tração por reunir uma série de vantagens operacionais e financeiras. Entre os principais fatores está a possibilidade de economia na conta de luz, já que a negociação direta tende a gerar preços mais competitivos. Outro ponto relevante é a previsibilidade de custos, uma vez que os contratos podem ser firmados com valores definidos por períodos mais longos, reduzindo oscilações e facilitando o planejamento financeiro.

A liberdade de escolha do fornecedor também aparece como diferencial. Ao deixar de depender exclusivamente de uma distribuidora, a empresa passa a negociar condições mais alinhadas ao seu perfil de consumo. Além disso, o Mercado Livre elimina a incidência das bandeiras tarifárias, reduzindo surpresas no valor final da fatura.

Outro aspecto destacado é a possibilidade de contratar energia de fontes renováveis, como solar e eólica, fortalecendo compromissos com sustentabilidade e práticas ESG. Os contratos também podem ser desenhados de acordo com o perfil de consumo da empresa, o que contribui para evitar desperdícios e aprimorar a gestão energética.

“Quando a empresa entende como consome energia e passa a negociar esse insumo, ela ganha previsibilidade e competitividade. É uma mudança de mentalidade”, afirma Fassbinder.

O avanço do Mercado Livre de Energia acompanha mudanças regulatórias e um amadurecimento das empresas na gestão de custos. Antes restrito a grandes consumidores, o modelo já se consolida como alternativa para um número crescente de negócios, que passam a enxergar a energia não apenas como uma obrigação operacional, mas como uma alavanca de eficiência e planejamento.

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