Por Carlos Clur, CEO do Grupo Eletrolar All Connected – organizador do CBM
Como CEO do Grupo Eletrolar, acompanhando de perto o varejo brasileiro há décadas, vejo a consolidação do mercado como um processo contínuo — mas que, nos últimos anos, acelerou de forma inédita. Não é apenas uma concentração natural de capital. É uma mudança estrutural provocada pela centralidade que redes e marketplaces passaram a ocupar no comércio.
Hoje, falar de e-commerce no Brasil é, essencialmente, falar de marketplaces. Um levantamento publicado pelo Ecommerce Update, aponta que cerca de 80% das vendas online no país passam por marketplaces, evidenciando o grau de concentração desses canais.
Esse dado ajuda a explicar por que, para muitos pequenos e médios lojistas, estar fora dessas plataformas deixou de ser uma decisão estratégica e passou a significar perda direta de visibilidade e mercado.
Essa transformação fica ainda mais clara quando observamos o comportamento do consumidor. A Pesquisa Commerce 2025, realizada pela MRM Brasil em parceria com a McCann Worldgroup, mostra que os marketplaces já rivalizam, e em alguns casos superam, os mecanismos de busca tradicionais como principal ponto de partida da jornada de compra online.
Na prática, isso confere às plataformas um poder significativo: elas controlam a descoberta de produtos, a comparação de preços e a relação com o consumidor final. Para o lojista, o desafio deixou de ser apenas vender bem e passou a ser operar dentro de ecossistemas que concentram dados, tráfego e decisão.
Ao mesmo tempo, é importante desfazer um mito recorrente: a consolidação não significa, necessariamente, o desaparecimento dos pequenos. Dados do Mapa da Logística 2025, elaborado pela Loggi, indicam que as PMEs lideraram o crescimento do e-commerce brasileiro em 2025, com avanço de 77%, superando grandes empresas em ritmo de expansão.
Esse movimento confirma algo que observo no mercado: há espaço para crescer, mas esse espaço exige cada vez mais estrutura, tecnologia e capacidade operacional.
Ou seja, crescimento existe, mas vem acompanhado de uma dependência clara. Comissões, custos logísticos, investimento em mídia dentro das plataformas e a necessidade de operar múltiplos canais pressionam margens — especialmente para quem não tem escala.
Segundo o Marketplace Seller Trends Report 2025, produzido pela ChannelEngine, mais de 90% dos vendedores consideram a automação essencial para competir em marketplaces, principalmente na gestão de preços, estoque e pedidos.
Isso cria uma nova barreira de entrada. O pequeno lojista precisa, hoje, ser também um operador de tecnologia. Quem não consegue investir em automação e dados corre o risco de ficar para trás, mesmo estando presente nas plataformas.
O desafio, portanto, não é resistir à consolidação: ela já é uma realidade. O verdadeiro ponto de atenção é como crescer dentro desse cenário sem perder margem, autonomia e identidade, em um ambiente cada vez mais dominado por plataformas, dados e tecnologia.
É justamente esse tipo de discussão que precisa ganhar espaço em fóruns qualificados do setor, como o CBM – Congress Brazil Mobile, onde varejo, indústria e tecnologia se encontram para discutir não apenas tendências, mas os impactos concretos dessas transformações no dia a dia dos negócios. Entender as novas regras do jogo deixou de ser opcional e o diálogo entre os diferentes elos da cadeia é parte essencial dessa adaptação.
O CBM – Congress Brazil Mobile acontecerá entre os dias 20 e 22 de março, no Distrito Anhembi, em São Paulo. Mais informações estão disponíveis em: https://congressbrazilmobile.com/



