A indústria de pagamentos passou por transformações relevantes ao longo do último ano, impulsionadas principalmente pela expansão da inteligência artificial, pelo crescimento do mercado de stablecoins e pelo avanço de tecnologias como blockchain e dispositivos móveis. Essas inovações vêm alterando de forma acelerada a maneira como consumidores e empresas lidam com o dinheiro, colocando o setor de pagamentos no centro da transformação digital.
Com base nesse contexto, a Visa apresentou cinco previsões que devem moldar os pagamentos na América Latina e no Caribe ao longo de 2026. Uma das principais tendências é o avanço da tokenização e a eliminação gradual do checkout manual. A autenticação biométrica e o uso de tokens estão transformando o processo de pagamento online em uma experiência de um clique, mais simples, rápida e segura.
Como resultado, a empresa aponta ganhos em eficiência, redução do abandono de carrinho e diminuição de fraudes. Em 2026, a expectativa é que o checkout manual comece a desaparecer em diversos mercados, impulsionado pelos mais de 16 bilhões de tokens Visa em circulação. Atualmente, metade das transações de comércio eletrônico da Visa na América Latina e no Caribe já utiliza tokenização.
Outro movimento destacado é a migração das credenciais de pagamento tokenizadas para a nuvem, permitindo acesso seguro a partir de qualquer dispositivo conectado. Essa abordagem reduz riscos de exposição de dados sensíveis e cria uma base escalável para emissores.
O crescimento do uso de inteligência artificial também impulsiona o chamado comércio agêntico. Com mais de dois terços dos consumidores já utilizando IA para apoiar decisões de compra, agentes de IA autenticados e tokenizados tendem a escalar em 2026, passando a comparar, selecionar e realizar compras de forma autônoma, com experiências cada vez mais personalizadas e integradas.
Ao mesmo tempo, a Visa alerta para o avanço das ameaças impulsionadas por IA. Cibercriminosos têm utilizado essas tecnologias para ampliar fraudes por meio de deepfakes, identidades sintéticas e golpes automatizados. Na América Latina, a taxa de fraude no comércio eletrônico já alcança 3,9%, acima da média global. Nesse contexto, a combinação de tokens e passkeys, que utilizam biometria para verificação de identidade e eliminam o uso de senhas, torna-se essencial, exigindo maior colaboração e ferramentas avançadas de mitigação de riscos.
Os pagamentos em tempo real e as iniciativas de open finance também seguem ganhando relevância. Sistemas conta a conta (A2A) já consolidados em países como Brasil, Argentina e Costa Rica vêm remodelando a movimentação de dinheiro, reduzindo o uso de dinheiro em espécie e alterando hábitos de consumo. Esse avanço é reforçado por reformas de open banking e interoperabilidade, com o Brasil se destacando como referência regional.
A companhia destaca ainda o potencial das stablecoins na região, considerada um dos mercados que mais crescem globalmente nesse segmento. A empresa projeta um aumento do uso dessas moedas digitais em transações internacionais, remessas e modelos baseados em credenciais, com um mercado global que pode chegar a US$ 4 trilhões até 2030. Atualmente, a Visa já oferece suporte a mais de 130 programas de cartões vinculados a stablecoins em mais de 40 países.
Por fim, a digitalização das pequenas e médias empresas aparece como um dos vetores centrais para 2026. A América Latina reúne mais de 93 milhões de PMEs, responsáveis por mais de 60% dos empregos na região. À medida que esses negócios avançam na adoção de soluções digitais, cresce o uso de cartões empresariais, faturamento eletrônico, pagamentos via QR, terminais móveis e marketplaces.
Segundo o relatório, o próximo ano será decisivo para os pagamentos na América Latina e no Caribe, com o avanço da IA, o fortalecimento da identidade digital, os pagamentos em tempo real, as stablecoins e a digitalização das PMEs redefinindo a forma como a região movimenta e gerencia o dinheiro.



