Como viabilizar projetos solares em regiões de baixa irradiação

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O mercado de energia solar no Brasil segue em expansão acelerada e já ultrapassou a marca de 60 GW de capacidade instalada, o equivalente a cerca de um quarto da matriz elétrica nacional. O país figura entre os maiores produtores de energia fotovoltaica do mundo e deve adicionar mais 13 GW até o fim do ano. Na geração distribuída, o avanço também é expressivo: são mais de 3,7 milhões de sistemas instalados em residências, comércios e propriedades rurais, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

Com o amadurecimento do setor e a disseminação da geração distribuída, a viabilidade dos projetos deixou de estar associada apenas à abundância de sol. O debate agora se concentra em como maximizar a eficiência energética mesmo em regiões de baixa irradiação solar, ampliando o retorno financeiro e a previsibilidade dos sistemas.

De acordo com Rodrigo Bourscheidt, CEO da Energy+, rede de tecnologia em energias renováveis, a combinação de diferentes soluções técnicas é decisiva para garantir bons resultados nesses cenários. Segundo o executivo, quatro estratégias se destacam como fundamentais para viabilizar projetos solares em locais com menor incidência de luz.

A primeira delas é a adoção de painéis solares mais eficientes. Existem diferentes categorias de módulos fotovoltaicos, e algumas tecnologias conseguem aproveitar melhor a radiação solar mesmo quando a luz é menos intensa. Tecnologias mais recentes, como TOPCon e HJT, produzem mais energia na mesma área quando comparadas aos painéis tradicionais do tipo PERC, que utilizam uma camada traseira para reduzir perdas de luz. “Em regiões com baixa incidência solar, essa eficiência extra faz muita diferença para garantir bom desempenho e retorno financeiro”, explica Bourscheidt.

Outra estratégia relevante é o uso de painéis bifaciais, capazes de gerar energia tanto pela face frontal quanto pela traseira. Segundo o CEO da Energy+, esses módulos conseguem captar luz refletida quando instalados sobre superfícies claras ou reflexivas. “Quando instalados sobre superfícies claras ou refletivas, como pisos pintados, telhados claros ou estruturas elevadas, eles recebem luz indireta extra e aumentam a produção. Essa solução é especialmente útil em locais onde o sol é fraco ou muda bastante ao longo do dia”, orienta o executivo.

A terceira frente envolve a utilização de microinversores e otimizadores de energia, especialmente em telhados com sombreamento parcial, diferentes inclinações ou obstáculos físicos. Nesses casos, um único painel com desempenho inferior pode comprometer a produção do sistema como um todo. “Microinversores e otimizadores evitam isso ao permitir que cada painel trabalhe de forma independente. Na prática, eles reduzem perdas e fazem o sistema render mais, mesmo em locais com condições menos ideais”, afirma Rodrigo.

Por fim, o executivo destaca a importância de combinar energia solar com sistemas de armazenamento e gestão inteligente. O uso de baterias aliado a softwares de controle permite decidir automaticamente quando consumir, armazenar ou injetar energia na rede. “Em regiões de sol fraco ou variável, essa combinação garante mais autonomia, protege contra quedas de energia e permite usar eletricidade solar nos horários mais caros da conta”, diz Bourscheidt.

Para o CEO da Energy+, não existe uma solução isolada que resolva o desafio da baixa irradiação. “Não existe uma solução única e sim um projeto bem feito”, afirma. “Em locais com baixa incidência solar, a diferença está nos detalhes: escolher a tecnologia de painel mais adequada, usar acompanhamento solar quando fizer sentido, aproveitar os ganhos de albedo, que são os reflexos da luz em superfícies claras, como pisos ou telhados que devolvem luminosidade para o painel e integrar armazenamento. É assim que transformamos pouco sol em mais eficiência”, conclui.

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