Copa do mundo

A Copa do Mundo é, historicamente, um dos períodos mais importantes para o setor de eletrônicos — e nenhum produto sente esse impacto tanto quanto as TVs. Nos meses que antecedem o torneio, o consumidor costuma renovar seus equipamentos em busca de melhor qualidade de imagem, som e conectividade. A edição de 2026, que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México, deve repetir esse movimento. Fabricantes e varejistas já se mobilizam com novas tecnologias, campanhas dedicadas e estratégias comerciais para aproveitar a potência do evento.

Segundo Alexandre Gleb, gerente de produtos de TV da Samsung Brasil, o período é estratégico, e a confiança do setor está baseada tanto no histórico de vendas quanto na leitura das novas demandas do consumidor. “Há um aumento significativo na busca por modelos com telas maiores e recursos que proporcionam maior imersão, como alta resolução, som envolvente e conectividade inteligente”, afirma. “Mais do que uma simples troca de aparelho, o brasileiro enxerga essa compra como uma forma de elevar sua experiência de entretenimento”, complementa.

O pico das vendas para o consumidor final, segundo Bernardo Pontes, diretor-executivo da AIWA Brasil, ocorre cerca de 30 a 45 dias antes da estreia da seleção brasileira, momento em que famílias e estabelecimentos se organizam para equipar os espaços e transformar a experiência de assistir a futebol em um evento coletivo. “Nossa expectativa é de crescimento nas vendas, com um consumidor mais atento a custo-benefício, sem abrir mão de desempenho e design”, afirma.

Na LG, a expectativa também é positiva. A empresa projeta crescimento acima de 10% no segmento premium e aposta no desejo do público por telas grandes. “O consumidor quer se sentir dentro do estádio. Por isso, nossa estratégia foca em modelos acima de 75 polegadas, que transformam a sala em uma verdadeira arena”, diz Diego Oliveira, gerente de TV da LG.

A era das TVs gigantes

A Copa costuma estrear importantes avanços tecnológicos. Foi assim em 1970, com a primeira transmissão colorida; em 1998, com o início do sinal digital; em 2010, com a alta definição; e em 2014, com a chegada do 4K. Em 2026, a indústria mira as telas grandes e ultragrandes.

Estudo da Omdia aponta que, embora o crescimento global de TVs tenha projeções modestas nos próximos anos, o segmento ultragrande (80 polegadas ou mais) deve se expandir em 44% entre 2025 e 2029. As vendas desse tipo de TV devem saltar de 9 milhões de unidades em 2025 para mais de 10 milhões em 2026, alcançando 13 milhões em 2029.

Essa tendência tem guiado as fabricantes que atuam no Brasil. Desde o segundo semestre de 2025, elas vêm apresentando telas de dimensões inéditas. Um dos destaques é o modelo de 116 polegadas da chinesa Hisense, cuja largura atinge 2,63 metros. A companhia, líder global em telas acima de 100 polegadas, é também patrocinadora oficial da Copa do Mundo da FIFA.

O avanço das TVs gigantes vem sendo impulsionado pela gama de inovações tecnológicas, em uma corrida pelo desenvolvimento de processadores com inteligência artificial capazes de otimizar imagem e som em tempo real, sistemas de upscaling que convertem qualquer conteúdo para 4K ou 8K, além de painéis sofisticados com alto contraste, fluidez e brilho, assegurando qualidade mesmo em ambientes muito iluminados. São recursos e tecnologias de ponta para cativar o consumidor disposto a desembolsar mais durante a compra.

Oportunidades em diversas frentes

Embora as TVs supergrandes atraiam atenção, não são o único foco do varejo. Segundo Mateus Rabelo, gerente sênior para sucesso do cliente da NielsenIQ, há oportunidades em diversas frentes, incluindo telas de entrada com um tíquete médio mais acessível. “Nossas projeções mostram que os principais segmentos de destaque estão entre 43 e 53 polegadas, com resoluções HD Ready e 4K”, afirma. “Entre os modelos mais premium, a tecnologia QLED se destaca.”

Segundo a consultoria, o tamanho da tela é o principal atributo de design considerado na compra, mencionado por 70% dos consumidores. Entre os recursos tecnológicos, pesam mais a disponibilidade de aplicativos e a qualidade da imagem e do som. Recursos avançados de IA, por outro lado, ainda aparecem com menos de 10% das menções.

Os preços também favorecem a migração para telas maiores. Embora o preço médio da categoria de TVs tenha aumentado desde a pandemia, tanto pelo efeito inflacionário quanto pelas mudanças no mix de sortimento, é possível notar um barateamento das telas maiores. “Uma das razões é o crescimento nas vendas de modelos de telas grandes com tecnologias mais simples, que se enquadram no chamado affordable premium”, explica Mateus Rabelo. Modelos de 75 ou 86 polegadas, antes inacessíveis, tornam-se mais viáveis e entram no radar do consumidor.

No varejo, a preparação já começou. Exemplo disso é a campanha “TV Programada”, lançada em outubro pelo Consórcio Magalu, que oferece cotas de até R$ 7.000 para a compra de TVs de até 85 polegadas. “Queremos que o cliente possa planejar a compra, organizar o orçamento e receber a TV no período certo para aproveitar os jogos”, afirma Angélica Urban, diretora de operações do Consórcio Magalu.

HUB de entretenimento conectado

O papel da TV como centro da casa volta com força, mas, agora, de forma totalmente conectada. Segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE, o percentual de brasileiros que acessaram a internet por meio de um televisor saltou de 11,3% em 2016 para 53,5 em 2024. O celular continua sendo o dispositivo preferencial para acesso à internet (98,8%), enquanto o computador segue em queda, atingindo o menor índice da série histórica (33,4%).

Os dados refletem o crescimento das plataformas de streaming e do consumo de conteúdo digital, que está migrando da tela do celular para a sala de estar. Pesquisa da Kantar IBOPE Media, apresentada no Brandcast 2025, reafirma a tendência, mostrando que a TV ultrapassou o smartphone como a principal tela de acesso ao YouTube dentro dos lares. Mais de 80 milhões de pessoas estão assistindo ao YouTube via TV, e a participação da CTV (Connected TV) saltou de 41% para 53% em três anos.

Para Matheus Benatti, diretor de marketing e produtos da Hisense no Brasil, há uma clara transformação no hábito de assistir TV, com a tela grande voltando a ocupar posição central, mas agora integrada à internet, interatividade e ao consumo híbrido TV segunda tela. No mercado, isso exige que fabricantes entreguem qualidade de imagem e som à altura da experiência da sala de estar, conectividade nativa, interfaces intuitivas e suporte a apps de streaming e plataformas híbridas, afirma.

A mudança no consumo de conteúdo deve ser intensificada na Copa de 2026. A CazéTV, pela segunda edição consecutiva, garantiu os direitos de transmissão dos jogos do Mundial da FIFA no YouTube, de forma exclusiva. De olho nesse público cada vez mais conectado, a Globo lançou em setembro a GE TV, seu canal digital aberto de esportes, reunindo apresentadores e comentaristas com forte ligação com o universo online.

Para Eason Cai, CEO da TCL SEMP e presidente do TCL Latin America Business Group, os novos hábitos de consumo de conteúdo não só redefinem a experiência de assistir à TV como abrem oportunidades para o mercado de eletrônicos e entretenimento. “Estamos acompanhando essa evolução de perto. Nossa plataforma de streaming, o TCL Channel, fechou parcerias estratégicas com a GE TV e a CazéTV para a transmissão de grandes eventos esportivos”, afirma.

A chegada do padrão DTV+, prevista para estrear durante a Copa de 2026, deve trazer um avanço em interatividade e conectividade para a TV aberta brasileira. A chamada TV 3.0 terá sua implementação escalonada, começando pelas grandes capitais, mas já abre um novo capítulo para o mercado.

“Novas parcerias entre marcas de TVs e canais/produtores de conteúdo digitais podem se tornar mais frequentes”, avalia Mateus Rabelo, da NielsenIQ. “Além disso, interfaces de acesso a aplicativos com boa usabilidade podem se tornar diferenciais importantes”, completa.

A expectativa é que, no futuro, as TVs já saiam de fábrica com suporte ao novo padrão, abrindo um ciclo de demanda que deve estimular upgrades no longo prazo. Bruno Morari, diretor de marketing e produtos da Philips, concorda que a TV 3.0 ainda é uma tecnologia em fase de maturação. “Acreditamos que seu impacto será mais significativo nas próximas edições da Copa e em eventos futuros”, diz. “Neste momento, o consumidor tende a buscar televisores que entreguem alta qualidade de imagem e recursos que garantam uma excelente experiência durante o torneio e no uso cotidiano”, completa.

Com um consumidor cada vez mais conectado e ávido por telas maiores, a Copa do Mundo de 2026 tem tudo para ser uma janela estratégica para o varejo brasileiro. O evento combina o forte apelo emocional com o desejo de imersão. Para transformar o clima de torcida em resultados sólidos no ponto de venda, o caminho é claro: antecipar-se com um mix equilibrado de telas, comunicação assertiva e ações que facilitem o planejamento de compra do consumidor.

A CazéTV tem o direito de transmissão de todas as 104 partidas da Copa do Mundo da FIFA 2026 no YouTube. A Globo transmitirá 52 jogos em suas diversas plataformas: na TV aberta (TV Globo), TV por assinatura (SporTV), streaming (Globoplay) e em seu novo canal digital, GE TV (exceto YouTube). Já o SBT, em parceria com o canal N Sports, irá exibir 32 partidas, incluindo os jogos da Seleção Brasileira.

Aiwa

A 75 polegadas da AIWA entrega resolução 4K Ultra HD com HDR10 e HLG, garantindo imagens nítidas, cores vibrantes e contrastes precisos. O pacote Dolby Vision e Dolby Atmos amplia a qualidade visual e sonora, oferecendo experiência imersiva. O design com borda ultrafina reforça o visual minimalista, enquanto o sistema operacional Google TV proporciona navegação intuitiva e acesso aos principais serviços de streaming. Preço sugerido (31/10/2025): R$ 7.999,00.

A Smart TV Portátil AIWA leva a experiência Google TV para uso em parques, viagens, acampamentos ou momentos de falta de luz. Conta com bateria com autonomia de até três horas, alça de transporte, tela fosca antirreflexo e controle remoto com comando de voz, além de modernos recursos de áudio e vídeo para uma experiência completa de entretenimento. Preço sugerido (31/10/2025): R$ 2.999,00

Hisense

Equipada com as tecnologias HDR10+ e Dolby Vision, a Q7 QLED de 100 polegadas entrega imagens vibrantes, contraste aprimorado e cores mais vivas. Graças ao seu painel QLED Ultra HD, cada cena é exibida com riqueza de detalhes. O 4K AI Upscaler otimiza conteúdos de baixa resolução para qualidade próxima ao 4K real, garantindo definição mesmo em vídeos antigos ou em streaming. Preço sugerido (30/10/2025): R$ 16.000,00.

Maior TV de painel único do mundo e maior disponível no mercado brasileiro, a gigante de 116 polegadas conta com tecnologia RGB Mini-LED que oferece contraste preciso, brilho de 8.000 nits e 95% de cobertura do padrão BT.2020. Tem taxa de atualização de 165 Hz e sistema de áudio desenvolvido em parceria com a francesa Devialet (sistema CineStage X Surround 6.2.2). Preço sugerido (30/10/2025): R$ 149.000,00.

LG

Traz painel OLED com pixels autoiluminantes para pretos puros, contraste infinito e cores fiéis. O novo processador Alpha 11 AI Gen2 entrega mais desempenho e velocidade, enquanto o Brightness Booster Max eleva o brilho em até 70% para realçar conteúdos HDR. O áudio surround inteligente amplia a imersão, e o sistema webOS com AI Magic Remote oferece controle intuitivo e atualizações por até cinco anos. Preços sugeridos (04/11/2025): R$ 9.399,00 (55”), R$ 15.699,00 (65”), R$ 149.999,00 (97”).

Combina o processador Alpha 9 AI Gen8 com tecnologia OLED autoiluminante, oferecendo contraste infinito e cores fiéis. A AI Picture Pro aprimora rostos e detalhes, enquanto o AI Sound Pro separa vozes do ruído de fundo. O Brightness Booster proporciona até 30% mais brilho, destacando nuances em cenas HDR. Já o AI Magic Remote garante controle fluido e inteligente, com comandos de voz e nova interface AI. Preços sugeridos (04/11/2025): R$ 7.299,00 (55”), Smart TV LG OLED evo AI C5 4K R$ 13.999,00 (65”), R$ 22.999,00 (77”).

Philips

A The Xtra da Philips traz a tecnologia MiniLED, que garante pretos profundos, alto contraste e cores realistas. Conta com processador Philips P5 e com tecnologia Ambilight, ampliando a imersão visual. Oferece resolução 4K, taxa de atualização de 120 Hz e sistema operacional Google TV. O recurso FreeSync Premium entrega desempenho superior em cenas rápidas e jogos. Preços sugeridos (27/11/2025): R$ 4.399,00 (55”), R$ 6.199,00 (65”), R$ 8.999,00 (75”).

A The One tem resolução 4K e está disponível com telas de 55, 65 e 75 polegadas, que contam com a tecnologia Ambilight. Compatível com os principais formatos HDR, o modelo oferece Dolby Vision e Dolby Atmos. Tem taxa de atualização de 120 Hz, além de VRR e AMD FreeSync para jogabilidade fluida e responsiva. Preços sugeridos (27/11/2025): de R$ 4.300,00 a R$ 8.600,00.

Samsung

Além da resolução 4K, a Crystal UHD adota o conceito “Tudo em 1”: é adequada para videogame e karaokê, e oferece acesso a diversos canais gratuitos pelo Samsung TV Plus. Com telas que vão de 43 a 85 polegadas, adapta-se a diferentes ambientes e perfis de uso. A tecnologia HDR amplia o alcance dos níveis de luz, proporcionando mais brilho, contraste e detalhes.

A Vision AI Q7F traz telas de 50 a 85 polegadas e painel QLED com LEDs azuis e pontos quânticos, garantindo brilho intenso, pretos profundos e fidelidade de cores. O Vision AI Companion oferece interação por IA generativa, respondendo a perguntas em tempo real com base no conteúdo exibido. Inclui controle por gestos via Galaxy Watch e modo karaokê com mais de 100 mil músicas, usando o smartphone como microfone.

TCL

A C7K traz painel QD-Mini LED com resolução 4K, oferecendo pretos profundos, contraste preciso e ampla gama de cores. O processador AiPQ Pro utiliza IA para otimizar automaticamente cor, movimento e HDR. É compatível com Dolby Vision IQ e HDR10+, que adaptam brilho e contraste cena a cena. As versões de 65 e 75 polegadas vêm com sistema de som Bang & Olufsen. Já o modelo de 115” traz conjunto sonoro da Onkyo. Preços sugeridos (31/10/2025): R$ 8.199,00 (65”) e R$ 9.299,00 (75”).

A C8K combina painel QD-Mini LED de última geração com design ultrafino ZeroBorder (menos de 4 mm), entregando máximo aproveitamento de tela e estética premium. O sistema de som Bang & Olufsen complementa a proposta de performance. Para gamers, o destaque é o 288 Hz VRR Game Accelerator, que amplia a fluidez a partir da taxa nativa de 144 Hz, junto ao painel CrystGlow WHVA, que assegura qualidade de imagem. Preço sugerido (31/10/2025): R$ 15.999,00 (85”).

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