Durante uma palestra no NRF Big Show, em Nova York, Ryan Reynolds apresentou uma visão pouco convencional, e profundamente pragmática, sobre construção de marcas em um cenário cada vez mais ruidoso, competitivo e saturado de mensagens. Ator, produtor e cofundador da Maximum Effort, Reynolds falou a líderes globais do varejo sobre autenticidade, risco, velocidade e a importância de criar conexões reais com consumidores, mesmo em operações de grande escala.
Segundo Reynolds, muitas das marcas mais bem-sucedidas que ajudou a construir nasceram sem um plano formal de crescimento. “Eu não acho que a vida seja um discurso de hype. Não acredito que você consiga racionalizar algo antes de senti-lo”, afirmou. Para ele, o excesso de estratégia e orçamento pode, muitas vezes, sufocar a criatividade — um problema recorrente em grandes organizações.
O executivo destacou que momentos culturais inesperados, quando tratados com agilidade, podem gerar valor desproporcional. Ao citar o episódio envolvendo um anúncio da Peloton que recebeu críticas negativas, Reynolds explicou como a reação rápida e alinhada ao contexto cultural gerou repercussão orgânica. “Percebi que é muito bom usar canais que não machucam ninguém e que são rápidos”, disse, ao defender o que chama de “publicidade rápida”.
Ao longo da conversa, Reynolds reforçou que consumidores percebem quando uma marca tenta parecer algo que não é. “Coisas que parecem íntimas ou reais costumam funcionar melhor do que audiências fabricadas”, afirmou. Para ele, autenticidade não significa ausência de estratégia, mas sim disposição para assumir riscos calculados e reconhecer imperfeições.
Essa lógica também se aplica à construção de marcas locais com alcance global. Ao falar sobre o Wrexham AFC, clube de futebol galês adquirido por ele e Rob McElhenney, o ator destacou a importância de colocar a comunidade no centro da narrativa. “Mantivemos a série focada na cidade, não em nós. Não nos colocamos no centro”, afirmou, ao explicar por que o projeto ganhou repercussão internacional.
Outro ponto central da palestra foi a defesa de investimentos emocionais acima dos financeiros. “O investimento emocional supera o investimento financeiro em dez vezes”, disse Reynolds, ao relatar como se envolve diretamente com parceiros, equipes e criadores. Para ele, confiança e proximidade geram retornos mais duradouros do que campanhas caras e genéricas.
Reynolds também abordou o papel do fracasso no processo criativo e empresarial. “Você vai errar. É assim que se aprende”, afirmou, ao citar projetos que não funcionaram, mas ajudaram a moldar decisões futuras. Segundo ele, a velocidade continua sendo uma vantagem competitiva decisiva, especialmente para marcas menores.
Ao encerrar, o artista alertou para o impacto da cultura da perfeição sobre empresas e profissionais. “O perfeccionismo na era moderna é uma doença do caralho”, afirmou. Para Reynolds, marcas fortes são construídas por pessoas dispostas a errar, aprender e se expor, em vez de perseguir uma imagem impecável e distante.



