Associado à argila, à terra e aos materiais naturais, o terracota ganhou novas interpretações na arquitetura. Roca Cerámica e Incepa exploram a cor em revestimentos que vão do artesanal ao industrial.
O terracota já passou do estágio de cor da temporada.
Nos interiores, a tonalidade aparece há alguns anos em paredes, mobiliário, tecidos e objetos. Agora, sua permanência parece estar menos ligada a uma tendência específica e mais à capacidade de assumir diferentes linguagens.
Roca Cerámica e Incepa, marcas do Grupo Lamosa no Brasil, mostram essa transformação por meio de revestimentos que interpretam o terracota em formatos, escalas e superfícies bastante distintos.
Na CASACOR Paraná 2026, por exemplo, o ambiente da Roca Cerámica desenvolvido pelo Estúdio Pantarolli Miranda utiliza as tonalidades Tile e Carmine da Série Ombré. A coleção trabalha cores terrosas em formato English Brick de 7,7 x 30,5 cm e acabamento mate, com uma estética que recupera referências retrô sem reproduzi-las literalmente.
As cores Tile e Carmine integram os lançamentos atuais da Série Ombré ao lado de Clay e Brown.
Uma cor, várias materialidades
Parte da força do terracota está justamente na sua associação com materiais que envelhecem bem.
Argila, tijolo, terra cozida, pedra e metais oxidados fazem parte desse repertório.
Nos revestimentos atuais, porém, essas referências podem aparecer sem que o projeto dependa do material original.
A Série Fire, da Roca Cerámica, trabalha a aparência do aço corten em grandes superfícies. Já a Série Olaria aposta em bordas irregulares e efeito vitrificado para aproximar o revestimento de uma linguagem artesanal.
Na Incepa, a Série Arenito segue outro caminho.
Inspirada nas texturas e cores da Toscana, reproduz uma rocha de tonalidade levemente avermelhada associada à região de Siena. O porcelanato aparece no formato 90 x 90 cm e foi desenvolvido para áreas externas, como decks, rampas e calçadas. O próprio catálogo da marca classifica a cor como terracota.
O mesmo tom pode, portanto, assumir leituras muito diferentes.
Pode parecer cerâmica artesanal.
Pode lembrar pedra.
Pode reproduzir metal oxidado.
Pode surgir em uma pequena peça de parede ou ocupar uma superfície ampla.
O terracota como ponto de equilíbrio
Há também uma razão visual para sua permanência.
O terracota consegue adicionar cor sem necessariamente dominar um projeto.
Em ambientes com off-white, areia, bege, madeira e fibras naturais, cria contraste mantendo uma paleta relativamente quente. Ao lado de preto, cobre ou superfícies minerais, pode assumir uma leitura mais urbana.
Essa flexibilidade ajuda a explicar por que a cor atravessa projetos rústicos, minimalistas e contemporâneos.
Na Série Tegel, da Incepa, por exemplo, aparece em formato brick e acabamento vitrificado. Já a Série Artline utiliza tons coral e formas geométricas para levar a família dos vermelho-alaranjados a uma linguagem mais gráfica.
O ponto interessante não está em encontrar uma fórmula correta para usar terracota.
Está justamente na ausência dela.
Da tendência ao repertório
Quando uma cor permanece por várias temporadas, ela deixa de depender do discurso de novidade.
Passa a fazer parte do repertório.
Os lançamentos atuais da Roca Cerámica e da Incepa mostram esse deslocamento.
O terracota pode entrar no projeto pela textura, pela escala, pela referência ao artesanal ou até pela reprodução de materiais que mudam com o tempo.
Sua presença continua reconhecível, mas a aplicação não precisa ser previsível.
É talvez essa capacidade de mudar sem perder sua identidade que explica por que o terracota continua encontrando espaço na arquitetura.



