A cooperação financeira entre o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China abriu caminho para uma integração entre o Pix e a rede chinesa UnionPay International. De acordo com a IbraChina, um programa-piloto de interoperabilidade por QR Code já permite que usuários de aplicativos de pagamento chineses realizem compras em estabelecimentos comerciais integrados à rede brasileira de pagamentos instantâneos.
A iniciativa pode representar também um passo para que o Pix seja aceito na China. Durante a quarta reunião do Grupo de Trabalho de Cooperação Financeira Estratégica China-Brasil, realizada em Xangai, em 9 de junho, o tema foi discutido com a participação do presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo.
O vice-presidente do Bank of China, Hsia Hua Sheng, afirmou que a China tem interesse em incorporar o Pix. O sistema brasileiro já foi integrado a plataformas de comércio eletrônico, como o AliExpress.
Na fase-piloto da interoperabilidade entre os dois países, usuários do aplicativo chinês UnionPay e de aplicativos de bancos comerciais conectados à plataforma de pagamentos da rede poderão realizar pagamentos diretamente por QR Code em estabelecimentos que fazem parte da rede de pagamentos em tempo real do Pix no Brasil.
A nova modalidade de pagamento instantâneo amplia a atuação da UnionPay no mercado brasileiro, onde os cartões da bandeira chinesa já são aceitos. A empresa possui mais de duas décadas de atuação e já emitiu mais de 9 bilhões de cartões em 82 países. A rede é aceita em mais de 180 países e disputa espaço globalmente com Visa e Mastercard.
Além dos pagamentos, os cartões UnionPay emitidos na China também podem ser utilizados para saques no Brasil. Atualmente, os portadores conseguem retirar dinheiro em caixas eletrônicos das redes Banco24Horas e Saque & Pague, além de utilizar terminais da Rede e da Stone, que também aceitam os cartões.
Expansão internacional do Pix
Criado pelo Banco Central em 2020, o Pix se consolidou como um dos principais meios de pagamento utilizados no Brasil e vem avançando em operações internacionais por meio de intermediários e fintechs. O sistema já é aceito em países como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. Nessas operações, empresas parceiras fazem a conversão da moeda em tempo real.
O modelo permite que brasileiros utilizem o Pix durante viagens internacionais. Em mercados com grande fluxo de turistas brasileiros, como Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Portugal e Chile, o estabelecimento realiza a cobrança na moeda local, enquanto a empresa intermediária calcula a taxa de câmbio no momento da compra. O valor correspondente é então debitado da conta corrente do consumidor em reais no Brasil.
O movimento também ocorre no sentido inverso, com foco no turismo internacional no Brasil. Nesse caso, estrangeiros podem utilizar o saldo disponível em carteiras digitais internacionais para fazer pagamentos via Pix em estabelecimentos brasileiros, com conversão automática da moeda.
No mercado brasileiro, a Treeal, empresa de processamento de pagamentos que movimenta mais de 200 milhões de transações Pix por mês, tornou-se a primeira emissora no país dentro dessa iniciativa. Os primeiros cartões foram emitidos em março de 2026 para um grupo estratégico de empreendedores formado por executivos com atuação nos mercados brasileiro e chinês. O processamento das transações ficará a cargo da plataforma digital China-Brasil ViaBravo.



