WAIC 2026 mostra IA integrada aos produtos e aponta tendências

WAIC

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma funcionalidade adicional para se tornar o principal elemento de diferenciação dos produtos eletrônicos apresentados na WAIC 2026 (World Artificial Intelligence Conference), realizada em Xangai, na China.  

O Grupo Eletrolar All Connected esteve presente no evento e mostrou que, durante a visita à área AI Experience, categorias como óculos e fones inteligentes, smartphones com agentes de IA, robôs para atendimento, equipamentos educacionais e soluções para monitoramento de saúde despontam como as de maior potencial de aplicação comercial no curto prazo na América Latina. 

Com mais de 1.100 empresas participantes, cerca de 3.000 produtos e tecnologias apresentados e centenas de lançamentos, a WAIC reforçou um movimento que deve acelerar nos próximos anos: a inteligência artificial deixa de estar concentrada em aplicativos e plataformas digitais para ser incorporada diretamente aos dispositivos físicos, transformando a forma como consumidores interagem com a tecnologia. 

As demonstrações distribuídas entre os espaços Shanghai World Expo, Zhangjiang e West Bund/Xuhui mostraram uma “cidade do futuro”, reunindo soluções para indústria, mobilidade, entretenimento, educação, saúde e vida doméstica. Em comum, os produtos compartilhavam a capacidade de perceber o ambiente, compreender o contexto do usuário e executar tarefas de forma autônoma. 

Entre as principais tendências observadas durante a feira estão a incorporação da IA ao hardware, a evolução dos robôs para atividades práticas, a experiência multimodal — combinando voz, visão, movimento, tato e sensores — e a verticalização das soluções para segmentos específicos, como varejo, hotelaria, saúde, educação, esportes e mobilidade. 

Smartphones e wearables ganham agentes inteligentes 

Os dispositivos de consumo foram alguns dos principais destaques da edição. A Honor apresentou o conceito do primeiro “robot phone”, um smartphone que combina agente de inteligência artificial com uma câmera instalada sobre um sistema móvel de quatro graus de liberdade. O equipamento acompanha os movimentos do usuário, reconhece gestos e expressões, reage a comandos em linguagem natural e movimenta fisicamente a câmera para realizar diferentes tarefas. 

A proposta representa uma mudança na relação entre usuário e smartphone. Em vez de apenas abrir aplicativos, o aparelho passa a interpretar intenções, coordenar funções e executar ações de maneira proativa. 

Os óculos inteligentes também ocuparam posição de destaque na feira. As novas gerações demonstraram recursos como tradução em tempo real, pagamentos, reconhecimento visual, comandos por voz e acesso direto a agentes de IA. Entre as novidades, modelos apresentados pela Qwen incorporam conversação simultânea, rastreamento ocular, reconhecimento por íris e monitoramento de indicadores fisiológicos, como frequência cardíaca, oxigenação e variabilidade da frequência cardíaca. 

Robôs deixam demonstrações e assumem tarefas reais 

Outra tendência evidente foi a evolução dos robôs humanoides para aplicações comerciais concretas. 

O MATRIX-3, da Matrix Robotics, foi apresentado operando uma máquina de café de forma totalmente autônoma. O robô selecionava copos, preparava bebidas, atendia visitantes e realizava o transporte de objetos, demonstrando percepção multimodal, controle de força e manipulação precisa. Segundo a empresa, aplicações como essa podem ser direcionadas a lojas, hotéis, restaurantes, feiras, centros culturais e outros ambientes de atendimento ao público. 

Já o robô Sharpa chamou atenção ao utilizar uma câmera fotográfica convencional desenvolvida para mãos humanas. O equipamento identificava o visitante, posicionava a câmera, realizava o enquadramento, registrava a imagem e entregava a fotografia pronta, demonstrando elevado nível de coordenação entre visão computacional, manipulação de ferramentas e controle de movimentos. 

Entre as demonstrações mais inusitadas esteve o Qiji X1, da DaxAI Robot. O cavalo robótico quadrúpede funciona como uma montaria inteligente para diferentes tipos de terreno, adaptando automaticamente seus movimentos conforme a superfície e ampliando possibilidades para mobilidade e lazer. 

Interfaces cérebro-computador se aproximam do consumidor 

Avanços nas interfaces cérebro-computador também foram percebidos na visita. Em uma das experiências mais concorridas, visitantes controlavam jogos e máquinas de pegar brinquedos utilizando apenas sinais cerebrais captados por sensores não invasivos de eletroencefalografia. 

Embora ainda em estágio inicial de adoção, a tecnologia evidencia possibilidades futuras em áreas como acessibilidade, reabilitação, educação, entretenimento e controle de equipamentos eletrônicos. 

Educação e saúde aparecem entre os segmentos mais promissores 

A inteligência artificial também ganhou espaço em aplicações verticais. 

Na educação, a NetEase Youdao apresentou um ecossistema formado por canetas inteligentes, fones com IA, agentes para produtividade e plataformas de gestão do conhecimento capazes de organizar documentos, comparar conteúdos e estruturar informações automaticamente. Já o AI Learning Agent Lab demonstrou tutores digitais que acompanham o raciocínio do estudante, fazem perguntas, explicam etapas do aprendizado e adaptam o conteúdo ao perfil de cada aluno. 

Na área da saúde, o robô Lan Xiao Yi integrou sensores médicos, atendimento remoto e modelos de inteligência artificial para monitoramento e triagem de riscos neurológicos. Uma das demonstrações utilizava análise facial sem contato para gerar, em cerca de 30 segundos, indicadores relacionados à frequência cardíaca, oxigenação, pressão arterial e estado emocional. 

O que a WAIC indica para o mercado 

Mais do que apresentar novos produtos, a WAIC 2026 sinalizou uma mudança importante para a indústria de eletrônicos de consumo. A inteligência artificial passa a ser incorporada aos próprios equipamentos, tornando-os capazes de compreender o ambiente, interpretar intenções e executar ações no mundo físico. 

Para o varejo latino-americano, categorias como óculos inteligentes, wearables, smartphones com agentes embarcados, robôs de atendimento, soluções educacionais e dispositivos voltados à saúde aparecem entre as que apresentam maior potencial de expansão comercial nos próximos anos, acompanhando a evolução da IA para além do software e consolidando uma nova geração de produtos inteligentes. 

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