A GAC chegou ao Brasil buscando uma proposta de valor diferenciada, que promete design, segurança, inovação e elevado nível de equipamentos. Com sete modelos lançados no País, um deles já está entre os cinco carros 100% elétricos mais vendidos na região, com um mês de lançamento.
Em entrevista à Eletrolar News, Alex Zhou, CEO da GAC Brasil, afirma acreditar que o Brasil reúne condições para ampliar significativamente a participação dos veículos eletrificados nos próximos anos. Ele conta, também, detalhes do que espera do mercado e quais as expectativas da companhia.
“A indústria automotiva passará por uma transformação ainda mais profunda, impulsionada pela eletrificação, conectividade, inteligência artificial e digitalização dos serviços de mobilidade. Os veículos deixarão de ser apenas meios de transporte para se tornarem plataformas inteligentes, capazes de evoluir continuamente por meio de atualizações de software e da integração com diferentes ecossistemas digitais”, revela ele.
Confira a entrevista completa:
Eletrolar News: A GAC chegou recentemente ao mercado brasileiro. Qual é a estratégia da companhia para conquistar espaço em um setor cada vez mais competitivo, especialmente diante da forte presença de outras montadoras chinesas?
Alex Zhou: Nossa estratégia no Brasil está baseada em três pilares: produtos de alta qualidade, tecnologia de ponta e construção de uma operação de longo prazo. Chegamos ao país com um portfólio desenvolvido sobre plataformas globais, com veículos adaptados para o uso dos clientes brasileiros, forte investimento em pesquisa e desenvolvimento e foco na experiência do cliente durante toda a jornada de compra e pós-venda.
Mais do que competir por preço, buscamos oferecer uma proposta de valor diferenciada, combinando design, segurança, inovação e elevado nível de equipamentos. Além disso, a companhia investe na expansão da rede de concessionárias, na disponibilidade de peças e em uma estrutura sólida de atendimento, elementos fundamentais para conquistar a confiança do consumidor brasileiro.
Quais diferenciais a GAC acredita oferecer ao consumidor brasileiro em relação aos concorrentes, tanto em tecnologia quanto em experiência de uso?
A GAC reúne décadas de investimento em engenharia e inovação para oferecer veículos que unem tecnologia, conforto, segurança e qualidade. Estamos falando de 6 mil profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento, 19 mil patentes sendo 40% de invenções, além do investimento 50 bilhões de yuans aplicados em inovação e engenharia. Entre os principais diferenciais estão os avançados sistemas de assistência à condução (ADAS), conectividade embarcada, atualizações remotas de software (OTA), centrais multimídia intuitivas e um alto padrão de acabamento.
Outro ponto importante é o foco na experiência do usuário. Os veículos são desenvolvidos para atender as diferentes necessidades e expectativas do consumidor, nas versões à combustão, elétrica ou híbrida, além de proporcionar conforto, silêncio a bordo, eficiência energética e uma interação cada vez mais inteligente entre motorista e veículo. Tudo isso é complementado por uma estrutura de atendimento preparada para oferecer tranquilidade ao cliente durante todo o ciclo de propriedade.
Por fim, acreditamos que o pós-venda é um dos pilares principais da jornada de compra do consumidor. Por isso, antes mesmo de sua chegada oficial, a marca inaugurou um Centro de Distribuição de peças localizado em Cajamar, visando atender seus clientes de uma forma ágil.
A eletrificação avança em ritmos diferentes ao redor do mundo. Como a GAC avalia o momento do mercado brasileiro e quais fatores serão determinantes para acelerar a adoção de veículos eletrificados no país?
O mercado brasileiro vive um momento importante de transição. Somente de janeiro a julho deste ano, o mercado de carros eletrificados no Brasil cresceu 125%, impulsionado por 215.023 unidades vendidas. O interesse por esses veículos cresce de forma consistente, impulsionado pela busca por tecnologias mais eficientes, menor custo de utilização e uma mobilidade mais sustentável.
Para que essa evolução continue, alguns fatores serão fundamentais, como a ampliação da infraestrutura de recarga, políticas públicas que estimulem a eletrificação, maior oferta de modelos para diferentes perfis de consumidores e o amadurecimento do mercado em relação aos benefícios da tecnologia.
Apostamos fortemente nos eletrificados, não à toa, dos sete modelos lançados, 6 tem eletrificação. Com destaque para o hatch AION UT que já está entre os 5 carros 100% elétricos mais vendidos no país com apenas um mês de lançamento. Acreditamos que o Brasil reúne condições para ampliar significativamente a participação dos veículos eletrificados nos próximos anos e pretendemos contribuir para esse processo oferecendo produtos tecnologicamente avançados e adequados às necessidades do consumidor local.
A conectividade e a inteligência artificial estão transformando o automóvel em uma plataforma digital. Como a GAC enxerga essa evolução e quais tecnologias devem ganhar protagonismo nos próximos anos?
Acreditamos que o automóvel está deixando de ser apenas um meio de transporte para se tornar uma plataforma inteligente, conectada e orientada por software. Essa transformação é impulsionada pela convergência entre inteligência artificial, conectividade e arquitetura eletrônica de alta capacidade, permitindo que o veículo evolua continuamente ao longo de seu ciclo de vida por meio de atualizações e novos serviços digitais.
Nesse contexto, a GAC vem investindo em tecnologias proprietárias como a arquitetura eletrônica X-Soul EE, que concentra o processamento digital do veículo e integra sistemas de controle e infoentretenimento, e no ecossistema ADiGO SENSE AI, que utiliza inteligência artificial para oferecer comandos de voz mais naturais, compreender intenções complexas dos ocupantes e proporcionar uma experiência personalizada a bordo. A empresa também desenvolve soluções avançadas de assistência à condução, como o ADiGO PILOT e o GSD, que combinam fusão de sensores de alta performance e navegação urbana inteligente.
Nos próximos anos, enxergamos que três frentes ganharão protagonismo. A primeira é a evolução da condução autônoma, com a expansão de tecnologias de Nível 3 e, futuramente, Nível 4, ampliando a segurança e a conveniência para consumidores e aplicações em mobilidade. A segunda é o desenvolvimento de cockpits inteligentes baseados em IA multimodal, capazes de compreender contexto, hábitos e preferências dos usuários para criar uma interação mais intuitiva e personalizada. Por fim, veremos uma integração cada vez maior entre veículo, smartphones, infraestrutura urbana e outros dispositivos conectados, consolidando um ecossistema de mobilidade em que o automóvel atua como um hub digital integrado ao dia a dia das pessoas.
O consumidor brasileiro ainda tem dúvidas sobre infraestrutura de recarga, valor de revenda e custo de manutenção dos veículos eletrificados. Como vocês pretendem ajudar a reduzir essas barreiras?
A decisão de compra de um veículo eletrificado passa pela confiança que o consumidor tem em toda a experiência de uso. Por isso, a GAC entende que oferecer um bom produto é apenas parte da equação. É preciso garantir uma rede de concessionárias preparada, assistência técnica especializada, disponibilidade de peças e uma infraestrutura de recarga que permita ao cliente utilizar o veículo com tranquilidade no dia a dia.
Nesse sentido, firmamos uma parceria estratégica com a GreenV e a 99 para criar uma nova rede nacional de recarga rápida, com a previsão de instalar 242 pontos de carregamento até 2030. A iniciativa reforça nosso compromisso com o desenvolvimento do ecossistema da mobilidade elétrica no Brasil e contribui para reduzir uma das principais barreiras percebidas pelos consumidores: a disponibilidade de infraestrutura.
Também acreditamos que a informação tem um papel decisivo nesse processo. À medida que os consumidores conhecem melhor os benefícios da eletrificação, como menor custo de manutenção, maior eficiência energética e evolução constante da rede de recarga, a confiança aumenta e a adoção dessa tecnologia acontece de forma mais natural. Nosso objetivo é tornar essa transição cada vez mais simples, segura e conveniente para os brasileiros.
Quais são os principais objetivos da GAC para o Brasil nos próximos cinco anos? Podemos esperar expansão da rede de concessionárias, novos investimentos ou até iniciativas de produção local?
O Brasil é um mercado estratégico para a GAC Group, não à toa, consideramos o País a casa da companhia fora da China. Inauguramos neste ano o Centro de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no Brasil e a prioridade será iniciar já em 2027 a produção local, em parceria com a HPE Automotores, em Catalão (GO) e expandir a rede de concessionárias, além de seguir ampliando o portfólio com produtos que atendam às necessidades locais e fortalecimento da estrutura de pós-venda.
Continuamos com o nosso plano de investir $1,3 bilhão até 2030 e sempre abertos a avaliar oportunidades de investimento compatíveis com o crescimento da operação brasileira. Como toda empresa com visão de longo prazo, a GAC acompanha continuamente a evolução do mercado e das condições de negócios para definir seus próximos passos.
Olhando para a próxima década, como você imagina que será a indústria automotiva? Qual será o papel das montadoras em um cenário cada vez mais conectado?
A indústria automotiva passará por uma transformação ainda mais profunda, impulsionada pela eletrificação, conectividade, inteligência artificial e digitalização dos serviços de mobilidade. Os veículos deixarão de ser apenas meios de transporte para se tornarem plataformas inteligentes, capazes de evoluir continuamente por meio de atualizações de software e da integração com diferentes ecossistemas digitais.
Nesse contexto, o papel das montadoras também se transformará. Além de desenvolver automóveis cada vez mais seguros, eficientes e sustentáveis, elas serão responsáveis por oferecer experiências completas de mobilidade, conectividade e relacionamento com o cliente.
Acredito que as marcas irão se preocupar cada vez mais com a experiencia do consumidor e a usabilidade. Elas já possuem foco neste ponto e trabalharão, ainda mais, para que possam extrair as lições da jornada do consumidor e transformar o carro em uma ferramenta que as ajude a resolver suas vidas num único local. Mais que um meio de transporte, um meio integrado com sua vida.


