Velas em híbridos: mitos e verdades na manutenção

velas híbridos

O avanço da frota de veículos híbridos no Brasil tem ampliado também as dúvidas sobre manutenção, especialmente entre profissionais da reparação. Um dos pontos mais recorrentes envolve o sistema de ignição e o uso de velas, tema que ainda gera interpretações equivocadas no mercado.

A NGK, marca da Niterra especializada em sistemas de ignição, aponta que, apesar das diferenças no funcionamento dos veículos híbridos, as velas de ignição não são necessariamente distintas das utilizadas em motores exclusivamente a combustão.

Mito: Motores híbridos utilizam velas de ignição diferentes

Na prática, as velas de ignição — responsáveis por iniciar a queima da mistura ar-combustível por meio de uma centelha elétrica — seguem as especificações de cada projeto de motor. Fatores como grau térmico, material do eletrodo e dimensões continuam sendo determinantes na escolha do componente.

Enquanto a maior parte dos motores convencionais opera no ciclo Otto, muitos híbridos utilizam variações como os ciclos Atkinson ou Miller. Além disso, diferentes níveis de eletrificação — como híbridos leves e plug-in — influenciam as condições de trabalho do sistema de ignição.

Assim, o fato de o veículo ser híbrido não exige automaticamente um tipo exclusivo de vela, mas pode demandar tecnologias que suportem regimes de funcionamento específicos, como a operação intermitente do motor a combustão.

Mito: a manutenção do sistema de ignição é mais simples

Apesar de o motor a combustão operar por menos tempo em algumas situações, os veículos híbridos exigem cuidados adicionais. A presença de sistemas elétricos de alta tensão torna obrigatória a adoção de protocolos de segurança antes de qualquer intervenção.

“Antes de qualquer intervenção no motor, é fundamental seguir os protocolos de segurança recomendados pela fabricante, como a desativação do sistema elétrico de alta voltagem e o uso de equipamentos de proteção adequados”, explica Hiromori Mori, consultor de Assistência Técnica da Niterra do Brasil. “Esse procedimento reduz riscos durante a manutenção e garante a integridade do profissional e do veículo.”

Outro ponto relevante é o envelhecimento do combustível, especialmente em modelos plug-in. Quando o veículo é utilizado predominantemente no modo elétrico, o combustível armazenado pode perder suas propriedades, gerando resíduos que impactam o sistema de injeção e dificultam a ignição.

Mito: Não é preciso utilizar o motor a combustão

A recomendação técnica é que o motor a combustão seja acionado periodicamente, mesmo em veículos híbridos plug-in. Essa prática contribui para a renovação do combustível nas linhas do sistema e para a manutenção do funcionamento adequado dos componentes.

Também é indicado evitar o esvaziamento completo do tanque, já que essa condição pode comprometer o sistema de alimentação de combustível e gerar falhas operacionais.

Cuidados adicionais na manutenção de híbridos

Além das especificidades do sistema de ignição, veículos híbridos exigem preparo técnico das oficinas. Profissionais devem contar com capacitação adequada para lidar com sistemas de alta tensão, incluindo treinamentos como a norma NR 10.

A infraestrutura também precisa ser compatível com esse tipo de tecnologia, com uso de ferramentas específicas e procedimentos alinhados às exigências de segurança.

Com a expansão da eletrificação automotiva, o acesso à informação técnica se torna essencial para evitar erros de diagnóstico e manutenção. A compreensão das particularidades desses sistemas contribui para preservar desempenho, eficiência e durabilidade dos veículos.

A Niterra também acompanha esse movimento no aftermarket, com a oferta de velas de ignição desenvolvidas para atender modelos híbridos, ampliando seu portfólio conforme a evolução das tecnologias automotivas.

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