As perdas do varejo brasileiro cresceram mais que o dobro do faturamento em 2025, segundo a 9ª Pesquisa Abrappe de Prevenção de Perdas no Varejo Brasileiro. Enquanto o faturamento do setor avançou 6,4%, chegando a R$ 2,55 trilhões, o impacto financeiro das perdas aumentou 15,3%, para R$ 42,1 bilhões.
O levantamento aponta que os maiores desafios aparecem nos segmentos em que a operação está distribuída entre lojas físicas e canais digitais. Falhas operacionais, furtos, fraudes, rupturas e problemas logísticos estão entre os fatores que contribuíram para o resultado.
A integração de informações entre diferentes áreas aparece como um dos pontos relacionados ao controle dessas perdas. A pesquisa também mostra que investimentos em tecnologias como RFID (identificação por radiofrequência), analytics, monitoramento inteligente e automação de processos tiveram papel relevante nos segmentos que conseguiram reduzir a quebra.
Para a TIVIT, multinacional de tecnologia do Grupo Almaviva que implementa e sustenta ambientes SAP, a fragmentação das operações amplia o espaço para que problemas ocorram sem serem identificados a tempo.
“Observamos que um traço comum das empresas varejistas que têm índice de perda baixo é a integração de dados de toda a cadeia operacional. Ou seja, estoque, reposição e venda enxergando a mesma informação em tempo real. Além disso, o sistema permite a interoperabilidade entre balcão e e-commerce, evitando problemas decorrentes da não comunicação das informações intercanais”, explica Thiago Amante, Diretor de SAP da TIVIT.
Estoque integrado entre loja e e-commerce
Um dos pontos centrais dessa integração é o controle de estoque. O sistema ERP da SAP consolida vendas realizadas no balcão e no e-commerce em uma mesma base e calcula a disponibilidade de cada item nas lojas e centros de distribuição.
A proposta é reduzir um dos problemas associados à operação omnichannel: a falta de visibilidade sobre o estoque disponível. Quando diferentes canais trabalham com informações que não estão sincronizadas, o varejista pode registrar excedentes em um ponto da operação enquanto enfrenta falta de produtos em outro.
“Ao reunir vendas físicas e digitais em uma única base atualizada em tempo real, o sistema calcula a disponibilidade efetiva de cada item e evita tanto vender um produto já esgotado em outro canal quanto deixar de vender o que está parado numa loja próxima do cliente”, complementa Boralli.
A integração também permite conectar diferentes etapas da jornada de compra. Nesse modelo, uma loja física pode despachar uma compra feita pelo site ou atender à retirada de um pedido digital, colocando em circulação produtos disponíveis naquela unidade.
As regras de preço e promoção também podem ser aplicadas simultaneamente no caixa físico e na vitrine digital, reduzindo divergências entre os canais que podem afetar a margem da operação.
Datas de pico pressionam a operação
O impacto da integração tende a ganhar relevância em períodos de concentração de vendas, como Black Friday e Natal. Nessas datas, diferenças entre o estoque físico e as informações disponíveis nos sistemas podem resultar em oportunidades de venda perdidas.
A utilização de uma mesma base para pedidos, estoque e clientes permite que o varejista acompanhe a movimentação dos produtos entre os diferentes canais. Com isso, itens disponíveis em uma loja podem ser direcionados para atender pedidos digitais, enquanto a operação acompanha a demanda em diferentes pontos da rede.
“O sistema ERP apoia os varejistas no desafio de equilibrar disponibilidade de produtos, capacidade operacional e experiência do cliente, para que consigam antecipar necessidades e tomar decisões baseadas em dados do próprio negócio. O resultado é uma operação mais previsível e preparada para absorver grandes volumes de vendas”, afirma Claudio Santos, Head da vertical de Serviços da TIVIT.
Outro recurso citado é a utilização dos dados recentes de consumo para apoiar a previsão de demanda. Em vez de considerar apenas médias históricas, a operação integrada pode acompanhar o comportamento de compra durante a própria campanha e responder às mudanças de procura.
Com vendas, e-commerce e programa de fidelidade consolidados em um mesmo painel, o varejista pode identificar produtos que estão vendendo acima do previsto e redistribuir estoques antes que ocorra uma ruptura. A mesma estrutura permite acompanhar o comportamento dos consumidores durante a campanha e testar ajustes de preço enquanto as vendas ainda estão acontecendo.
“Datas comemorativas deixaram de ser só um evento de venda e passaram a funcionar como teste de maturidade operacional. O varejista que entra nesse período com informação fragmentada até vende, mas descobre a margem que perdeu quando não há mais o que corrigir”, conclui Santos.



