Durante a NRF 2026, o time de jornalismo da Eletrolar visitou algumas lojas cujos espaços físicos foram pensados para a imersão total na essência e na história das marcas. Alguns exemplos foram mostrados na revista, e aqui trazemos para vocês um resumo da experiência e um vídeo de cada uma delas. Inspire-se!
Louis Vuitton – 5a. Avenida
Se você trabalha com varejo, essa loja é praticamente uma aula ao vivo. Essa é a Louis Vuitton na 5ª Avenida, em Nova York. E não é só uma loja. É um laboratório de experiência.
E tem um detalhe importante: tudo isso acontece em uma loja temporária, enquanto a flagship definitiva é reconstruída. Mesmo assim, a marca não abre mão de entregar tudo o que representa. Produto importa, claro, mas divide protagonismo com arquitetura, fluxo, atendimento, tempo de permanência e história.
Nas paredes, quadros contam a origem da marca e mostram como as primeiras malas revolucionaram as viagens no século 19. E nada ali é por acaso. Não existe pressão por venda. Pelo contrário. Mesmo me apresentando apenas como jornalista, a vendedora foi extremamente acolhedora e praticamente deu uma aula sobre posicionamento de marca. Isso é treinamento, educação e cultura de atendimento em alto nível.
Você circula livremente, entra em salas mais íntimas, sente aquela exclusividade silenciosa que o luxo domina tão bem. O último andar, inclusive, é reservado para clientes especiais, apenas com hora marcada.
E aí vem o ponto mais estratégico para quem olha varejo com lupa: o café. Não é um extra. É estratégia. Ele aumenta o tempo de permanência, transforma a loja em destino e cria vínculo emocional.
Loja não é só ponto de venda. É mídia, experiência e relacionamento. A pergunta é: o que desse modelo dá pra adaptar ao seu varejo?
Adidas Flagship – 5a Avenida
Um dos exemplos mais interessantes que vimos durante o evento foi a flagship da Adidas em Nova York.
A loja já entra no clima da próxima Copa do Mundo. Uniformes de seleções patrocinadas pela marca, bolas Trionda personalizadas com diferentes países e uma ambientação que conversa direto com o futebol global. Tudo isso sem parecer uma vitrine engessada.
Um detalhe que chama atenção são os manequins. Eles têm rostos de atletas reais, como Lionel Messi, e também representam inclusão e diversidade. Tem cadeirante, levantador de peso, street dancer. É esporte como expressão cultural, não só performance.
A experiência vai além do produto. A loja oferece personalização de camisas, áreas pensadas para convivência e uma arquibancada onde o visitante pode sentar, assistir a jogos ao vivo e absorver a atmosfera da marca. Tem até espaço para foto com Adi Dassler, fundador da Adidas. A referência está no nome e na história.
Algumas peças expostas poderiam facilmente estar em um museu do esporte. Chuteiras históricas, itens assinados por atletas e objetos que ajudam a contar a trajetória da marca ao longo do tempo.
Loja física não precisa competir com o digital. Ela precisa entregar o que o online não consegue. Contexto, memória, experiência e pertencimento. Lições simples, mas poderosas, para qualquer varejista que queira ir além da venda.
Nespresso Boutique – Flatiron District
Se você ainda acha que loja serve só pra vender, essa aqui prova exatamente o contrário.
A Nespresso Boutique de Nova York é um dos melhores exemplos de como o varejo físico virou plataforma de experiência. Comprar café quase vira o detalhe final. O foco está em fazer você sentir, aprender e se conectar com a marca.
Localizada no Flatiron District, essa flagship é uma das maiores da Nespresso no mundo. São dois andares pensados como um verdadeiro playground do café. Nada de pressão para comprar. O convite é explorar aromas, sabores, métodos e histórias no seu tempo.
Tem degustações guiadas, áreas educativas sobre blends e um coffee bar escondido no andar de baixo, onde a marca testa receitas e tendências antes de levar para o mercado.
Você escolhe a cápsula, prepara o café, experimenta vários sabores, escolhe até a música e fica quanto tempo quiser. Eu fiquei mais de uma hora ali, esperando o horário do check-in do meu próximo voo.
O que a Nespresso faz é simples e poderoso: transforma a loja em destino. Um lugar onde o consumidor permanece mais tempo, se envolve mais e cria vínculo emocional.
É exatamente o tipo de discussão que aparece na NRF. Lojas que deixam de ser ponto de venda e viram ponto de relacionamento.
A pergunta não é se funciona. Funciona. A pergunta é como adaptar isso ao varejo brasileiro, respeitando escala, custo e realidade local.
Crate & Barrell
Sabe aquela loja em que tudo parece de bom gosto? Essa é a Crate & Barrel em Nova York. Não é só uma loja de artigos para casa. É quase um exercício de imaginação sobre como seria morar ali dentro.
O mais interessante é que nada parece estar claramente à venda. Tudo é discreto, organizado como uma casa perfeita. Sala, cozinha, quarto, mesa posta. Você não vê produtos isolados. Você vê contexto. E isso muda completamente a lógica do consumo. Em vez de escolher um item, você começa a imaginar uma vida inteira acontecendo naquele espaço.
O layout é fluido, convida a andar sem pressa. Cada ambiente funciona como uma inspiração pronta, quase um Pinterest em escala real. Sem esforço, o ticket médio sobe porque ninguém precisa empurrar nada. A experiência faz o trabalho sozinha.
A tecnologia aparece de forma invisível. Etiquetas claras, informações objetivas, QR codes só quando necessário. Nada rouba a atenção do principal diferencial do varejo físico: sensação, escala e desejo imediato.
A Crate & Barrel mostra, na prática, o que a NRF vem reforçando. As lojas que vendem melhor não são as mais barulhentas. São as mais bem pensadas. Quando o design é bom, o storytelling é sutil e a curadoria é forte, o consumidor completa o resto do processo.
Printemps – Wall Street
Tem marca internacional que chega em Nova York tentando se adaptar ao mercado local. O Printemps fez exatamente o contrário. Chegou para provocar.
O espaço não é apenas a estreia de uma loja de luxo europeia nos Estados Unidos. É uma declaração clara de como o varejo de alto padrão pode ser mais sensorial, mais ousado e muito menos óbvio. Aqui, você não entra em uma loja tradicional. O espaço mistura moda, beleza, gastronomia e experiências de um jeito que foge completamente do modelo clássico de department store americano.
Em vez de corredores longos e prateleiras infinitas, o Printemps aposta em curadoria, cenografia e ritmo. Tudo é pensado para desacelerar o olhar, estimular descoberta e fazer o cliente querer ficar. Até os provadores viram experiência. São enormes, convidativos, quase um espaço social, onde experimentar roupa vira parte do espetáculo.
Cada ambiente tem identidade própria, como capítulos de uma narrativa. O luxo não grita. Ele convida. A sensação é mais próxima de uma galeria contemporânea do que de um templo tradicional de consumo.
O mais interessante é como o Printemps entende Nova York. Ele não tenta competir com Saks ou Bergdorf no mesmo jogo. Oferece algo diferente: luxo experiencial com DNA europeu, onde cultura, design e lifestyle caminham juntos.
É exatamente o que a NRF vem mostrando. O futuro do varejo premium passa por narrativa, curadoria e experiência. Não por excesso de produto.
Louis Vuitton – a obra
Quem conhece a Louis Vuitton reconhece esses trunks de longe. Mas o que a marca fez na 5ª Avenida, em Nova York, e em outros endereços ao redor do mundo, vai muito além de estética ou luxo. É uma das jogadas de marketing mais inteligentes do varejo nos últimos anos.
Enquanto constrói sua nova loja em um dos endereços mais disputados do mundo, a LV decidiu não esconder a obra. Nada de tapume cinza, nada de aviso genérico. Eles fizeram o oposto. Transformaram toda a fachada em um gigantesco display de branding, coberto pelos icônicos trunks que carregam séculos de história da marca.
Na prática, a Louis Vuitton pegou um problema clássico do varejo, uma obra longa, barulhenta e visualmente feia, e converteu em experiência urbana. Mesmo com a loja fechada, a marca segue ativa, visível, fotografável e altamente desejável.
Os trunks não estão ali como decoração. Eles são produto, herança, memória e símbolo da marca ao mesmo tempo. Turistas param, fotografam, postam. A obra vira conteúdo orgânico, mídia espontânea e reforço de posicionamento.
Isso mostra que no varejo atual não existe espaço neutro. Cada metro quadrado comunica. Cada momento é uma oportunidade de construir valor. E a grande sacada não é sobre luxo, é sobre entender que a experiência começa muito antes da porta abrir.
Nike Flagship – 5a Avenida
Visitamos a flagship da Nike na 5a Avenida, em Nova York, e logo na entrada uma novidade chama atenção. O Nike Mind 001 virou febre nas redes e divide opiniões à primeira vista. Tem gente que acha genial, tem gente que acha esquisito, e tem gente que jura que nunca pisaria nisso.
A proposta dele é bem diferente do que a gente costuma ver quando fala de calçado. Nada de performance, corrida ou academia. A Nike posiciona o Mind 001 como um calçado de recuperação mental e sensorial. A ideia é ajudar o corpo e o cérebro a desacelerarem, seja antes ou depois de um treino pesado ou até no fim de um dia intenso.
O design é todo pensado em estímulos. A espuma é extremamente macia, com densidade calculada para dar aquela sensação de afundar o pé. Além disso, ele tem 21 pontos de pressão na palmilha, que lembram conceitos da acupuntura e da medicina chinesa, onde diferentes áreas do pé se conectam a partes do corpo.
Segundo a Nike, isso ajuda a reduzir o estresse físico e mental. Eles mesmos dizem que não é milagre nem terapia, mas conforto extremo como ferramenta de relaxamento.
Agora, vamos ser sinceros. O visual parece um crocs futurista, meio tênis, meio chinelo, meio objeto de design. Estranho? Sim. Mas talvez exatamente por isso ele esteja bombando.
Meta Lab
Aqui não existe vitrine chamativa nem pressão para compra. Existe algo bem mais estratégico acontecendo. O Meta Lab, em Nova York, funciona como um laboratório aberto onde o varejo deixa de ser ponto de venda e passa a ser ponto de entendimento.
O espaço não se comporta como loja, e isso é proposital. A Meta usa o ambiente físico para testar, explicar e normalizar tecnologias que ainda estão em fase de adoção, como realidade aumentada, realidade virtual e inteligência artificial aplicada ao cotidiano. Tudo acontece de forma guiada, simples e acessível, reduzindo medo, curiosidade excessiva e fricção.
Você experimenta óculos de realidade mista, interage com avatares, entende usos práticos de IA para criação, comunicação e produtividade. Não há discurso futurista exagerado. A narrativa é clara, pé no chão e quase pedagógica. A mensagem é direta: isso não é o futuro distante, é só o próximo passo.
O Meta Lab também faz um exercício interessante de contexto histórico, lembrando que tecnologias hoje comuns, como câmeras de vídeo, fitas cassete ou toca discos, já foram vistas como ousadas demais. O que muda é o tempo de adaptação.
Essa lógica conversa diretamente com o que a NRF vem reforçando. O físico voltou a ser essencial, não para vender mais rápido, mas para educar, contextualizar e gerar confiança. Aqui, o produto não é o óculos. É a familiaridade com o amanhã.



