Setor logístico segue aquecido em fusões e aquisições no Brasil

setor logístico

O setor logístico brasileiro mantém ritmo acelerado de fusões e aquisições (M&A), mesmo em meio à volatilidade econômica que tem feito parte do mercado segurar investimentos. Enquanto alguns aguardam cenários mais claros, operadores do segmento enxergam oportunidades estratégicas para ampliar operações, integrar tecnologias e aumentar a eficiência.

Segundo Jefferson Nesello, sócio-fundador da ZAXO, boutique de M&A especializada em middle market, “quando tudo está previsível, os preços sobem. É nas incertezas que surgem os melhores negócios”. Essa percepção se reflete tanto em transações globais quanto nas movimentações locais.

Dados da consultoria PMCF Investment Banking mostram que, em 2024, o setor global de transporte e logística registrou 511 transações, apenas 5% abaixo de 2023. Já no primeiro trimestre de 2025, foram contabilizadas 250 transações, crescimento de 3,3% sobre o trimestre anterior, mesmo com uma leve queda anual de 4,9%, segundo levantamento da R.L. Hulett & Company. No Brasil, estimativas apontam que 40 das 399 transações realizadas entre janeiro e março envolveram logística e transporte, representando cerca de 10% do total.

Exemplos recentes demonstram o dinamismo do setor. Em setembro de 2024, a CMA CGM adquiriu 48% da Santos Brasil, operação avaliada em R$ 6,3 bilhões, incluindo ações e Global Depositary Receipts de terminais estratégicos como o Tecon Santos. Em abril de 2025, a Lenarge comprou a Zero Carbon Logistics, pioneira em transporte sustentável com veículos elétricos e movidos a GNL, fortalecendo sua atuação em armazenagem e distribuição para mineração, siderurgia e agronegócio, com faturamento projetado de R$ 2 bilhões no primeiro ano.

O Brasil também conta com 283 startups logtech, quase metade focadas em gestão logística, entregas, logística reversa e marketplaces de frete, segundo o Distrito LogTech Report (KPMG, Volvo e VLi). Com custos operacionais de R$ 749 bilhões, equivalentes a 12,7% do PIB, o setor segue atrativo para M&A, impulsionado por digitalização, automação, ESG e demanda por eficiência.

Ronaldo Rodrigues, senior associate da ZAXO, destaca que a incerteza econômica nem sempre paralisa o setor. “Em logística, o impacto médio da volatilidade reduz cerca de 6,7% o valor dos ativos, abrindo margem para negociações vantajosas. Para empresas com alto potencial de crescimento, essa redução cai para menos de 1%”.

O movimento não é apenas nacional. Globalmente, a DSV adquiriu a DB Schenker por €14,3 bilhões, enquanto a CEVA Logistics comprou a divisão logística da turca Borusan por US$ 440 milhões. A WiseTech incorporou a e2open, reforçando sua plataforma de software, e a FedEx adquiriu a RouteSmart Technologies, especializada em IA para otimização de rotas.

“Quem entende de logística sabe que este é um setor que não para. Com crise ou não, as cadeias de supply e distribuição continuam rodando. O que muda é quem está preparado para operar com eficiência, e quem tem capital e visão estratégica leva vantagem”, conclui Nesello. Para Grisotto, sócio da ZAXO, “estamos numa janela de oportunidade, com grandes operadores, fundos e players internacionais atentos ao mercado brasileiro”.

Compartilhe: