Reciclagem de eletroeletrônicos fortalece a economia circular

reciclagem eletrônicos

A reciclagem adequada de eletroeletrônicos vem ganhando relevância estratégica no Brasil ao impactar diretamente a cadeia produtiva, a gestão de resíduos e a consolidação da economia circular. No centro desse processo está a logística reversa, responsável por organizar o fluxo de retorno de produtos e materiais após o uso, permitindo seu reaproveitamento, reciclagem ou reindustrialização. Além de reduzir a necessidade de extração de matérias-primas, esse modelo contribui para a recuperação de valor econômico e para a mitigação de impactos ambientais associados ao descarte inadequado.

O desafio é proporcional à dimensão do problema. O Brasil ocupa a posição de maior gerador de resíduos de eletroeletrônicos da América Latina, com cerca de 2,4 milhões de toneladas produzidas anualmente, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU). A estruturação de sistemas de logística reversa no país é impulsionada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e por acordos setoriais, envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes em um modelo de responsabilidade compartilhada ao longo do ciclo de vida dos produtos.

Nesse contexto, a reciclagem de eletroeletrônicos assume papel central no avanço da economia circular no Brasil. O setor passa a gerar impactos que vão além da questão ambiental, ao movimentar a economia local, criar oportunidades de trabalho e ampliar o acesso da população a alternativas de descarte ambientalmente adequado. A ampliação dessas estruturas também contribui para integrar diferentes elos da cadeia produtiva, fortalecendo a rastreabilidade e a destinação correta dos resíduos.

A participação do consumidor é apontada como fator decisivo para a efetividade da logística reversa. “A participação do consumidor é determinante para o sucesso da logística reversa. O consumidor brasileiro já demonstrou, em outras frentes, capacidade de engajamento quando entende o impacto de suas escolhas. Reciclar o lixo eletrônico é uma das ações mais importantes para a preservação do meio ambiente, especialmente devido à rápida obsolescência de dispositivos eletrônicos detentores de metais pesados”, salienta Vininha F. Carvalho, economista, ambientalista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

A atuação de entidades setoriais tem sido fundamental para ampliar a capilaridade desse sistema. A Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos (ABREE) opera atualmente mais de 4,2 mil pontos de recebimento em cerca de 1,3 mil municípios brasileiros, além de promover campanhas de arrecadação que expandem o alcance da logística reversa em regiões de diferentes portes e perfis socioeconômicos.

“O avanço da economia circular é estratégico para o país. A reciclagem de eletroeletrônicos gera valor, fomentando novas oportunidades de negócios”, destaca Fernando Rodrigues, gerente de relações institucionais da ABREE. “Nosso compromisso é ampliar cada vez mais a capacidade de atendimento da logística reversa, conectando fabricantes, importadores, gestores e recicladores para transformar resíduos em recursos”, complementa.

A incorporação dos chamados cinco Rs da sustentabilidade (repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar) já faz parte da mentalidade de um consumidor mais atento às práticas ambientais. Nesse cenário, empresas que avançam de forma estruturada na adoção da economia circular tendem a conquistar vantagem competitiva, alinhando eficiência produtiva, responsabilidade ambiental e exigências regulatórias.

“A educação ambiental promove a logística reversa, incentivando as pessoas a contribuírem para o reaproveitamento dos materiais e componentes desses equipamentos na fabricação de novos produtos, promovendo a economia circular e reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais”, conclui Vininha F. Carvalho.

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