As pequenas e médias empresas (PMEs) consolidaram seu protagonismo no e-commerce brasileiro em 2025, não apenas em volume de vendas, mas também em valor por pedido, complexidade operacional e expansão logística. É o que aponta o novo levantamento do Mapa da Logística, estudo realizado pela Loggi com base em dados do ano passado, que indica uma mudança estrutural no comércio eletrônico do país.
De acordo com o estudo, as PMEs registraram crescimento de 77% no e-commerce em 2025, o maior entre todos os perfis de vendedores analisados, superando grandes marcas e marketplaces. O desempenho reforça o papel dos pequenos negócios como principais vetores de expansão do setor, especialmente em um cenário marcado pela descentralização do consumo e pela ampliação da malha logística nacional.
Além do ritmo acelerado de crescimento, as PMEs passaram a operar com maior eficiência e sofisticação. O valor médio por pedido alcançou R$ 215, resultado 20% superior ao das grandes marcas e 43% acima dos marketplaces. O dado indica um avanço na oferta de produtos de maior valor agregado, além de operações mais estruturadas e alinhadas a novos hábitos de consumo.
No campo logístico, o levantamento aponta mudanças relevantes nos modelos adotados pelas PMEs. Embora a coleta tradicional ainda represente 67% das operações, os pontos de recebimento — conhecidos como Pick up and Drop off points (PUDOs) — já respondem por 33% das entregas. A utilização desse modelo foi sete vezes maior do que em 2024, sinalizando a busca por soluções mais flexíveis, escaláveis e adaptadas às diferentes realidades regionais.
A geografia do e-commerce brasileiro também passou por transformações em 2025. Estados fora do eixo tradicional lideraram as taxas de crescimento de envios, com destaque para Goiás (141%), Santa Catarina (140%) e Rio Grande do Sul (117%). São Paulo e Minas Gerais seguem na liderança em volume absoluto de envios e recebimentos, enquanto o Nordeste ganha relevância com Bahia e Ceará se consolidando como hubs regionais.
O avanço das PMEs está diretamente ligado à mudança no perfil de consumo. As categorias com maior crescimento ao longo do ano foram saúde, casa e bem-estar, com destaque para óticas (126%), farmácias (101%), móveis e decoração (83%), itens de livraria (71%) e eletrônicos e informática (56%). A diversificação desses segmentos eleva a complexidade das operações e exige soluções logísticas mais especializadas e eficientes.
Ao longo de 2025, mais de 47 milhões de quilômetros foram percorridos em entregas no Brasil, refletindo o aumento da capilaridade logística. O estudo também aponta um ambiente mais competitivo, com 45% das entregas realizadas em até dois dias e 57% em até três dias, elevando o padrão de serviço esperado pelo consumidor final.
Os dados do quarto trimestre de 2025 reforçam esse cenário de maturidade do e-commerce brasileiro. Goiás voltou a se destacar como o estado com maior crescimento no período (98%), enquanto o eixo Sul-Sudeste concentrou a maior quantidade de estados com desempenho relevante. No Norte, o Pará passou a integrar o grupo dos dez estados que mais recebem pacotes, sinalizando a ampliação da cobertura logística.
No Nordeste, Bahia e Ceará mantiveram posição de destaque tanto no envio quanto no recebimento de mercadorias. As PMEs apresentaram maior participação de envios nessas regiões, com 4% no Nordeste e 31% no Sul, percentuais superiores aos observados entre grandes marcas.
Durante as principais datas do varejo no quarto trimestre, o protagonismo das PMEs também se manteve. Na semana do Natal, o volume de envios chegou a 2,4 milhões de pacotes, com crescimento de 45% nas operações de pequenos e médios negócios. Já na Black Friday, os envios cresceram 57% na comparação com semanas sem datas relevantes, considerando todos os perfis de vendedores.
Os dados do Mapa da Logística indicam que, mais do que crescer, as PMEs estão redesenhando o e-commerce brasileiro, com operações mais distribuídas regionalmente, maior valor agregado por pedido e adoção acelerada de novos modelos logísticos.



