O Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, vive um momento crítico de segurança. O Grupo Ivy apontou que 20% dos incidentes de cibersegurança monitorados em 2025 envolveram o Pix, e a tendência é de escalada inédita de ataques nos próximos meses. O maior vazamento da história do sistema, ocorrido em julho, expôs dados de mais de 11 milhões de usuários e 46 milhões de chaves, acendendo um alerta sobre a fragilidade do ecossistema digital do país.
Os ataques variam entre falhas técnicas de instituições financeiras e operações criminosas sofisticadas, muitas vezes explorando brechas em sistemas digitais ainda pouco preparados. Segundo o Grupo Ivy, o primeiro semestre de 2025 registrou um aumento de 40% nas tentativas de ataque em relação ao mesmo período de 2024.
Felipe Testolini, vice-presidente do Grupo Ivy, explica: “a inovação do Pix, especialmente com o Pix parcelado, muda a dinâmica de pagamentos no Brasil, mas também cria novos vetores de ataque. Grandes bancos já sentem o impacto, e a atenção de criminosos internacionais aumenta frente às vulnerabilidades”.
O Pix parcelado, ao concorrer com boletos e cartões, amplia a superfície de risco, enquanto a atualização das defesas digitais de bancos e fintechs nem sempre acompanha a velocidade de adoção do serviço. A previsão do Grupo Ivy indica que incidentes podem crescer 30% até dezembro de 2025, colocando o Brasil no radar de ataques coordenados em escala global. Em 2026, estima-se que 4 em cada 10 transações digitais sejam realizadas via Pix, transformando sua segurança em uma questão de soberania digital.
Atualmente, não há órgão regulador específico para cibersegurança em meios de pagamento, concentrando a responsabilidade no Banco Central. Especialistas alertam que esse vácuo regulatório, somado à rápida adoção do Pix, pode gerar uma crise de confiança sem precedentes no sistema financeiro.
O Grupo Ivy traçou três cenários para o Pix até 2026:
- Otimista: protocolos de segurança reforçados reduzem incidentes em 40%, consolidando o Pix parcelado como alternativa segura.
- Intermediário: fraudes crescem proporcionalmente ao uso; consumidores se adaptam, mas perdas financeiras seguem elevadas.
- Crítico: ataques coordenados exploram falhas sistêmicas, provocando quebra de confiança em massa e necessidade de intervenção do Banco Central.



