Uma nova geração de carregadores para carros elétricos começa a ganhar espaço como resposta a um dos principais gargalos da mobilidade elétrica: a dependência direta da rede elétrica. Esses sistemas incorporam grandes bancos de baterias que armazenam energia previamente e permitem a recarga dos veículos mesmo em situações de instabilidade ou interrupção no fornecimento, como durante apagões.
Na prática, esses carregadores funcionam como baterias estacionárias de alta capacidade, capazes de acumular energia ao longo do dia e liberá-la rapidamente quando um veículo é conectado. Com isso, a estação reduz a necessidade de picos de demanda da rede elétrica e consegue manter o serviço ativo mesmo quando a infraestrutura local não suporta altas potências ou sofre quedas temporárias.
Na Europa, esse conceito vem sendo testado em projetos piloto que utilizam baterias reaproveitadas de veículos e protótipos automotivos. A ideia é dar uma segunda vida a esses componentes, criando hubs de recarga capazes de atender vários carros ao mesmo tempo, sem exigir grandes obras ou reforços imediatos na rede elétrica urbana.
No Brasil, soluções semelhantes começam a aparecer em pontos estratégicos de grandes cidades. Esses carregadores combinam energia da rede com a armazenada nas baterias internas, permitindo a instalação de estações rápidas em locais onde a infraestrutura elétrica tradicional não seria suficiente para suportar esse tipo de operação de forma contínua.
Além da resiliência em situações de apagão, esse modelo também contribui para a expansão da infraestrutura de recarga em regiões com rede limitada ou sobrecarregada. A tecnologia amplia a viabilidade de novos pontos de carregamento e reduz a dependência de investimentos imediatos em subestações e linhas de alta capacidade.
Especialistas do setor avaliam que a integração entre armazenamento de energia e recarga de veículos elétricos tende a se tornar cada vez mais comum, especialmente à medida que cresce a frota elétrica e a pressão sobre o sistema elétrico. A combinação pode acelerar a adoção dos carros elétricos e aumentar a confiabilidade da rede de recarga nos próximos anos.



