*Por Vanesa Orciuoli, Gerente Comercial da Ecosistemas Global
No Mobile World Congress (MWC) Barcelona 2026, uma mensagem ficou clara: a inteligência artificial deixou de ser promessa e virou requisito operacional. O debate já não gira em torno do que a tecnologia “poderia fazer no futuro”, mas do que ela está entregando agora — em produção — e sob quais condições. A pauta migrou da fascinação para a exigência: implementação, impacto mensurável e gestão de riscos.
O mercado está mudando o critério de valor. Já não premia apenas quem fala bem de IA. Premia quem consegue integrar tecnologia ao negócio sem quebrar a operação. Isso apareceu em diferentes conversas e estandes com nomes distintos, mas com o mesmo núcleo: continuidade, rastreabilidade, compliance, segurança, qualidade e governança. O que antes era tratado como “a fase dois” — o capítulo de depois — agora é o ponto de partida.
A tensão que define 2026: acelerar com controle
Em conversas com executivos, clientes e parceiros, repetiu-se um dilema recorrente: acelerar com responsabilidade. A pressão por produtividade e eficiência é imediata, mas as organizações já viram, na prática, que velocidade sem método cobra caro. O “atalho” muitas vezes vira retrabalho, incidentes, dívida técnica, riscos de segurança e iniciativas que não escalam além do piloto.
Por isso, a pergunta central não é mais “precisamos usar IA?”. A pergunta virou: como colocar IA em produção e provar impacto em métricas de negócio? E há uma segunda pergunta inseparável: como governar dados, segurança e compliance para sustentar resultados sem transformar a IA em risco?
Esse é o novo padrão de maturidade: não basta ter casos, demos e protótipos. É preciso operar, medir e melhorar continuamente.
Três sinais fortes que se consolidaram no evento
O primeiro sinal foi uma IA orientada à implementação. O entusiasmo continua, mas a régua subiu. Espera-se integração real com processos e sistemas existentes, dados confiáveis e métricas que se sustentem ao longo do tempo. Em 2026, o discurso “AI-first” perde força quando não vem acompanhado de arquitetura, governança e resultado.
O segundo sinal foi a automação como alavanca de produtividade, e não como projeto isolado. A busca por eficiência está impulsionando automação de operações, redução de fricção e escalabilidade — especialmente onde gargalos são cotidianos: atendimento, backoffice, infraestrutura, incidentes e rotinas de TI. A diferença é que agora a automação precisa ser desenhada com visão de processo e operação, não como iniciativa paralela.
O terceiro sinal foi o protagonismo da segurança e da confiança digital. À medida que cresce o uso de dados e decisões passam a ser automatizadas, crescem também as perguntas difíceis: superfície de ataque, privacidade, conformidade regulatória, reputação e continuidade. Em 2026, segurança já não é “um capítulo de apoio”. Ela define o que pode ser feito e como — do desenho à operação.
As cinco prioridades que organizam a agenda executiva
Diante desse cenário, cinco prioridades aparecem de forma consistente quando a conversa sai do hype e entra na execução:
- Impacto mensurável em prazos curtos: produtividade, eficiência e ganhos operacionais concretos, com indicadores claros.
- Escala de implementação: sair de pilotos para soluções integradas ao dia a dia, com adoção e operação sustentáveis.
- Segurança como preocupação transversal: incorporada desde o início, não como um “checkpoint” no final.
- Otimização de estruturas e talentos: incorporar capacidades de forma flexível, preservando qualidade e velocidade.
- Governança e controle: dados, compliance e uso responsável como base para sustentar a transformação.
Vale reforçar: não é uma agenda “de TI”. É uma agenda de negócio — com implicações técnicas profundas.
Quatro capacidades que transformam mudança em resultado sustentável
Quando a ambição vira execução, algumas capacidades deixam de ser “desejáveis” e passam a ser determinantes:
Automação, porque reduz fricções, simplifica e aumenta consistência operacional.
Qualidade de software, porque permite velocidade sem comprometer estabilidade e sem multiplicar retrabalho.
Cibersegurança, porque sustenta a confiança, protege a continuidade e preserva a reputação.
Inovação aplicada, porque evita que boas ideias fiquem no laboratório: leva à adoção real, com métricas e melhoria contínua.
O ponto central é que essas capacidades não competem entre si. Em 2026, espera-se a convivência: automatizar com qualidade, inovar com segurança e escalar com governança. Organizações que tratam esses pilares como “fases separadas” tendem a travar na passagem do piloto para a produção.
A conclusão do MWC 2026: vantagem é execução confiável
Se Barcelona deixou uma síntese, é esta: a vantagem competitiva não estará em quem adotar mais ferramentas, mas em quem conseguir implementá-las melhor. Com métricas claras, responsabilidade pelo resultado e um ambiente de confiança que permita escalar.
Em 2026, a corrida já não é para “ter IA”. É para operá-la: colocar em produção, sustentar com governança e transformar tecnologia em valor — sem transformar inovação em risco.



