O mercado brasileiro de motocicletas manteve ritmo acelerado de crescimento em 2026, impulsionado principalmente pela mobilidade urbana e pelo avanço dos modelos elétricos. Segundo levantamento AutoAcrefi, produzido pela Acrefi em parceria com a Cox Automotive, os emplacamentos de motos cresceram 15,32% em abril na comparação com o mesmo período do ano passado.
Ao todo, foram registradas 210.649 motocicletas emplacadas no país no mês. O destaque ficou para o segmento de motos elétricas, que apresentou crescimento de 246,32% na comparação anual, alcançando 1.974 unidades comercializadas em abril.
No acumulado entre janeiro e abril, o mercado brasileiro já soma 782.527 motocicletas vendidas, avanço de 19,18% sobre o mesmo período de 2025.
Segundo o estudo, o crescimento do segmento está diretamente ligado ao menor custo operacional das motocicletas, à praticidade no deslocamento urbano e ao aumento do uso profissional em serviços de entrega.
O levantamento também mostra a consolidação dos modelos urbanos no mercado nacional. As categorias City, Scooter/Cub e Trail/Fun concentraram mais de 93% dos emplacamentos registrados no ano, reforçando o perfil utilitário da demanda brasileira.
Outro movimento identificado pelo AutoAcrefi é a expansão de empresas ligadas à mobilidade profissional, incluindo locadoras focadas em entregadores por aplicativo.
A pesquisa cita ainda projeção da Fenabrave indicando que o mercado brasileiro poderá atingir 2,41 milhões de motocicletas emplacadas até o fim de 2026.
“O crescimento das motos elétricas mostra que a eletrificação começa a ganhar escala também no segmento de duas rodas, impulsionada por um consumidor mais atento a custo, eficiência e mobilidade urbana. Mais do que uma tendência pontual, os dados revelam uma transformação no perfil de consumo e no papel da motocicleta na dinâmica econômica das cidades, especialmente em um cenário em que mobilidade e geração de renda estão cada vez mais conectadas”, afirma Cintia Falcão, diretora executiva da Acrefi.
Além do segmento de motocicletas, o AutoAcrefi também analisou o comportamento do mercado de automóveis e comerciais leves em abril.
O estudo monitorou 23.622 versões de veículos 0 km, seminovos e usados em todo o país, incluindo modelos híbridos e elétricos, para acompanhar as variações de preços no mercado automotivo nacional e regional.
Segundo o levantamento, SUVs, compactos urbanos e veículos híbridos seguem entre os segmentos mais relevantes do mercado brasileiro.
O relatório também identificou aumento gradual da presença de tecnologias embarcadas nos veículos novos, especialmente sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), voltados à segurança e ao conforto na condução.
“O mercado automotivo brasileiro começa a entrar em uma fase mais complexa de precificação, em que a convivência entre modelos a combustão, híbridos e elétricos passa a gerar impactos diferentes conforme a categoria, a região e o perfil de consumo. Isso exige um acompanhamento cada vez mais granular das movimentações do setor”, afirma Cintia Falcão.
Na análise regional, o Nordeste liderou os emplacamentos de motocicletas em abril, seguido pelo Sudeste. Juntas, as duas regiões concentraram cerca de dois terços das vendas nacionais do segmento.
O estudo também acompanhou as oscilações de preços de veículos híbridos e elétricos em diferentes regiões do país, incluindo Norte, Centro-Oeste e Sul, observando variações entre modelos 0 km, seminovos e usados.
“As diferenças regionais mostram que o mercado brasileiro de mobilidade já não responde a uma lógica única de consumo. O comportamento dos preços e dos emplacamentos varia conforme fatores urbanos, econômicos e operacionais específicos de cada região, especialmente em segmentos ligados ao deslocamento diário e ao trabalho por aplicativo”, conclui Cintia Falcão.



