Meta cria tarifa para chatbots de IA no WhatsApp

A Meta deve começar a cobrar pelo envio de mensagens de chatbots de inteligência artificial dentro do WhatsApp no Brasil. A medida pode impactar plataformas populares que utilizam o aplicativo como canal de distribuição de assistentes virtuais, incluindo ChatGPT, Microsoft Copilot, Zapia e Luzia.

As informações foram divulgadas pelo portal UOL. A cobrança deverá ser aplicada diretamente às empresas que operam os serviços de IA dentro do mensageiro, e não aos usuários finais.

Embora a companhia ainda não tenha confirmado oficialmente os valores, tabelas acessadas pela reportagem indicam que o custo por mensagem pode variar entre R$ 0,02 e R$ 0,33, dependendo da categoria de envio e do volume de mensagens processadas. Individualmente, o valor é baixo, mas, em operações com grande escala de interações, o impacto financeiro pode chegar a milhões de reais por mês.

Modelo de cobrança semelhante ao WhatsApp Business

Segundo o Olhar Digital, ainda sem detalhar completamente o funcionamento da tarifa, a expectativa é que a lógica siga o modelo já utilizado no WhatsApp Business, no qual cada resposta enviada pelo sistema pode gerar uma cobrança individual.

Na prática, isso significa que uma única interação pode resultar em múltiplas tarifas. Caso um usuário envie uma mensagem e o chatbot responda três vezes em sequência dentro de um curto intervalo de tempo, cada uma dessas respostas poderá ser tarifada separadamente.

Internamente, as mensagens enviadas por assistentes de IA devem ser classificadas como “general_purpose_ai”, categoria que passará a ser cobrada.

Já empresas que utilizam inteligência artificial apenas para automatizar atendimentos em seus próprios canais de comunicação podem ter as interações enquadradas como “AI_BOT”, classificação que tende a permanecer isenta de tarifas.

Classificação ainda gera dúvidas entre desenvolvedores

Apesar dessas indicações, ainda existe incerteza sobre qual categoria tarifária será aplicada de forma definitiva. O WhatsApp possui atualmente quatro categorias principais de cobrança de mensagens: autenticação, marketing, utilidade e serviço.

Entre desenvolvedores e empresas que operam chatbots, a hipótese considerada mais provável é que as interações de IA sejam classificadas como “utilidade”, categoria cujo preço varia conforme o volume de mensagens enviadas.

Disputa regulatória com o Cade

A mudança ocorre em meio a uma disputa regulatória envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e empresas que utilizam o WhatsApp como plataforma para distribuição de assistentes de inteligência artificial.

O conflito começou após alterações nas regras da API do WhatsApp Business, ferramenta originalmente criada para permitir que empresas se comuniquem com clientes dentro do aplicativo.

Segundo a Meta, alguns desenvolvedores passaram a utilizar essa infraestrutura para operar assistentes de IA de forma massiva, criando contas próprias e distribuindo chatbots como se fossem empresas tradicionais.

A companhia argumenta que o WhatsApp não foi projetado como plataforma principal para distribuição de assistentes virtuais e que o uso intensivo desse tipo de serviço poderia gerar sobrecarga na infraestrutura do aplicativo. Na visão da empresa, a distribuição desses sistemas deveria ocorrer prioritariamente por meio de lojas de aplicativos.

Em janeiro, a Superintendência-Geral do Cade abriu uma investigação para avaliar se as restrições impostas pela Meta poderiam configurar abuso de posição dominante. O receio do órgão regulador é que, sem concorrentes como ChatGPT ou Copilot no mensageiro, o Meta AI pudesse se tornar a única solução de inteligência artificial disponível dentro do WhatsApp.

Reação das empresas de IA

Entre as companhias afetadas, a reação tem sido variada. Uma provedora de inteligência artificial ouvida pelo UOL afirmou que a cobrança pode contrariar o entendimento do Cade, que havia determinado a suspensão do bloqueio aos chatbots.

A startup Zapia informou que ainda analisa o cenário e disse não ter recebido comunicação oficial da Meta sobre a nova política de cobrança.

Já a empresa espanhola Luzia declarou que os novos custos podem tornar inviável manter sua operação no WhatsApp na escala atual, levando a companhia a priorizar outros canais de distribuição.

A Microsoft, responsável pelo Copilot, também foi procurada para comentar o assunto.

Impacto para os usuários

Para os usuários do WhatsApp, a mudança não deve resultar em cobrança direta. No entanto, como a tarifa será aplicada às empresas que operam os assistentes de IA, algumas plataformas podem optar por reduzir sua presença no aplicativo ou migrar para outros canais, o que pode alterar a oferta de chatbots disponíveis no mensageiro.

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