O Mercado Livre divulgou os resultados financeiros do quarto trimestre e do ano fiscal de 2025, encerrando o período com avanço expressivo de receita e ganho de participação de mercado na América Latina. Entre outubro e dezembro, a companhia registrou receita líquida de US$ 8,8 bilhões, crescimento de 45% na comparação anual.
No consolidado de 2025, a receita avançou 39% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro operacional cresceu 22% no mesmo intervalo. Segundo a empresa, os investimentos estratégicos realizados ao longo do ano impulsionaram tanto a expansão de market share quanto indicadores de satisfação do cliente, com NPS recorde nas verticais de Commerce e Fintech no Brasil, México e Argentina.
Commerce acelera GMV e base de compradores
No segmento de comércio eletrônico, o GMV atingiu US$ 19,9 bilhões no quarto trimestre, alta de 37% em dólares na comparação anual. O desempenho foi sustentado por investimentos em frete grátis, fulfillment, experiência do usuário e ampliação de sortimento.
O número de compradores únicos superou 80 milhões pela primeira vez, com 16 milhões de novos usuários adicionados à plataforma em relação ao ano anterior. A malha logística seguiu como um dos principais diferenciais competitivos: 75% das entregas rápidas foram realizadas em até 48 horas. Em Brasil, México, Chile e Colômbia, os custos unitários de envio no fulfillment recuaram ano contra ano, beneficiados pelo aumento de escala e maior frequência de compras.
No Brasil, a redução do valor mínimo para frete grátis foi apontada como fator determinante para o crescimento de 45% no número de itens vendidos e de 35% no GMV FXN. A estratégia também elevou a retenção de novos compradores, que passaram a adquirir mais itens e em mais categorias. O movimento culminou em uma Black Friday recorde no país, com o maior volume de vendas diárias já registrado pela companhia.
No México, o GMV FXN cresceu 35% e o número de itens vendidos avançou 45% na comparação anual. Já na Argentina, o GMV FXN subiu 42%, enquanto os itens vendidos aumentaram 36% no mesmo período.
Fintech amplia crédito e ativos sob gestão
Na vertical financeira, o Mercado Pago liderou o NPS no Brasil, México, Argentina e Chile em 2025. No quarto trimestre, a base de usuários ativos mensais chegou a quase 78 milhões.
Os ativos sob gestão (AUM) cresceram 78% na comparação anual, alcançando quase US$ 19 bilhões. A carteira de crédito avançou 90% no mesmo período, totalizando US$ 12,5 bilhões. O índice de inadimplência de 15 a 90 dias do cartão de crédito recuou para 4,4%, o menor nível histórico reportado pela companhia.
O uso de dados do marketplace e do ecossistema financeiro continuou apoiando os modelos proprietários de concessão de crédito. No quarto trimestre, quase 3 milhões de cartões de crédito foram emitidos.
Inteligência artificial e publicidade aceleram receita
A aplicação de inteligência artificial no ecossistema também contribuiu para o desempenho. No comércio eletrônico, o Mercado Ads registrou crescimento de 67% (neutralizando o efeito cambial), impulsionado por algoritmos baseados em IA e ferramentas automatizadas de campanha.
Na adquirência, soluções de IA ajudaram a identificar vendedores de maior valor, elevando o TPV por vendedor e reduzindo períodos de retorno. Em Fintech, o assistente de IA do Mercado Pago, lançado em outubro de 2025, processou mais de 9 milhões de conversas no quarto trimestre, com 87% das interações resolvidas sem necessidade de suporte humano.
“Encerramos 2025 com um desempenho excepcional, ganhando participação de mercado em nossos principais mercados e impulsionando um enorme crescimento nos segmentos de e-commerce e fintech. Esse desempenho é um reflexo direto da força do ecossistema do Mercado Livre, onde nossos investimentos na experiência do cliente não só estão impulsionando sua adoção, como também nos levaram a um marco importante: notas recordes no Net Promoter Score no Brasil, no México, na Argentina e no Chile. Esse nível de satisfação do cliente serve como base sólida para o crescimento futuro. Ao mantermos uma abordagem ousada, porém disciplinada, em relação aos investimentos, estamos fortalecendo nossas vantagens competitivas, mantendo nossa liderança no e-commerce e promovendo a inclusão financeira em toda a região”, disse o CFO do Mercado Livre, Martin de los Santos.
O período também marcou a conclusão da transição na liderança executiva. Após anúncio feito em maio de 2025, Ariel Szarfsztejn, ex-presidente de Commerce, assumiu oficialmente o cargo de CEO em 1º de janeiro.



