IA domina crédito no varejo e corta inadimplência

crédito no varejo

A pressão por manter a concessão de crédito em um cenário de juros elevados e maior inadimplência tem levado o varejo a reconfigurar seus modelos de análise. A inteligência artificial deixou de ser um diferencial operacional e passou a ocupar papel central na sustentação das operações, especialmente no crediário e no crédito no ponto de venda.

Na Top One Financeira, mais de 85% das decisões de crédito já são realizadas por modelos automatizados. A adoção da tecnologia reduziu o tempo médio de resposta em mais de 50% e contribuiu para uma queda de aproximadamente 10% na inadimplência, sem impacto relevante nas taxas de aprovação. Na prática, o uso de IA permitiu ampliar a escala da operação ao mesmo tempo em que manteve o risco sob controle.

O movimento acontece em paralelo à expansão do crédito no país. Dados do Banco Central indicam que o saldo total de crédito no Sistema Financeiro Nacional cresceu 9,4% em 2025, o que aumentou a pressão sobre áreas de risco e cobrança dentro das empresas. Nesse contexto, decisões mais rápidas e consistentes passam a ser um requisito operacional.

“O crédito continua crescendo, mas o erro ficou mais caro. A automação deixou de ser apenas um ganho de eficiência e passou a ser uma exigência de controle de risco. O volume de operações hoje exige decisões consistentes, baseadas em dados e executadas em segundos”, afirma Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira e especialista em análise de crédito.

Fundada em 2018, a empresa já analisou mais de R$ 3,0 bilhões em solicitações de crédito e está presente em mais de 3 mil pontos de venda em diferentes regiões do país, com forte atuação no varejo físico. O avanço do crediário, especialmente diante de uma maior restrição do crédito bancário tradicional, ampliou o acesso ao parcelamento, mas também elevou a exposição a atrasos e fraudes.

Segundo o executivo, modelos baseados exclusivamente em análise manual tendem a pressionar caixa, margens e capital de giro, sobretudo em períodos de desaceleração do consumo. Para enfrentar esse cenário, a companhia estruturou esteiras de crédito integradas, com múltiplas bases de dados, motores de decisão e camadas antifraude.

A implementação de biometria facial e prova de vida eliminou registros de fraudes confirmadas após a adoção dessas tecnologias, de acordo com a empresa. As soluções são desenvolvidas em parceria com a MultiDecision, especializada em inteligência analítica, motores de decisão e antifraude. O modelo combina automação com políticas de crédito pré-definidas e supervisão humana para exceções e ajustes estratégicos.

“Automatizar não significa flexibilizar critérios, mas aplicar as regras com mais precisão. Crédito mal concedido compromete o consumo futuro e afeta toda a cadeia econômica. A inteligência artificial caminha para se tornar padrão na análise de crédito no varejo. As empresas que não adotarem modelos automatizados e gestão de risco orientada por dados tendem a conviver com níveis mais altos de inadimplência e perda de competitividade em um mercado cada vez mais seletivo”, conclui Vanderley.

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