A popularização das plataformas de inteligência artificial generativa está criando uma nova frente de disputa pela atenção do consumidor. Se antes a estratégia digital das empresas era concentrada nos mecanismos de busca tradicionais, agora cresce o interesse por técnicas voltadas a aumentar a presença de marcas nas respostas produzidas por ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity.
Esse movimento impulsiona o chamado GEO (Generative Engine Optimization), metodologia desenvolvida para ampliar a visibilidade de empresas nos mecanismos de IA generativa e aumentar as chances de recomendação ao longo da jornada de compra.
O avanço ocorre em um momento de forte adoção da inteligência artificial pelas empresas brasileiras. Segundo estudo do IDC em parceria com o SAS, 91% das organizações no Brasil já utilizam IA generativa, percentual superior à média global de 81%. Apesar disso, apenas 15% das companhias operam em um estágio considerado transformacional de maturidade na tecnologia.
No varejo, a expectativa é que o uso dessas plataformas pelos consumidores ganhe cada vez mais relevância nas etapas de pesquisa, comparação e descoberta de produtos antes da decisão de compra.
Segundo Ariel Alexandre, cofundador da Naia, plataforma brasileira especializada em GEO, a nova abordagem complementa as estratégias tradicionais de otimização para buscadores, mas considera a forma como os grandes modelos de linguagem selecionam, interpretam e apresentam informações.
“O SEO como estratégia segue relevante. Porém, uma marca que some do Google também some das IAs. O GEO acrescenta camadas que o SEO não cobre, especialmente a desambiguação de entidade e estruturação para extração por RAG, que é o processo de otimizar a saída de um grande modelo de linguagem”, afirma.
De acordo com o executivo, a metodologia é estruturada em cinco pilares: Consistência de Identidade (Entity Consistency), Visibilidade para LLMs, Conteúdo Citável, Distribuição Multiplataforma e Mensuração Científica.
A empresa avalia que esse tipo de estratégia tende a ganhar importância em segmentos como o comércio eletrônico. Dados da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (Abiacom) indicam que o e-commerce brasileiro deve movimentar R$ 258 bilhões em 2026, crescimento de 9,5% em relação ao ano anterior.
Entre os primeiros casos de adoção da metodologia está a Herreira Semijoias, empresa que já investia em SEO, mídia paga e redes sociais, mas passou a observar consumidores chegando à marca após recomendações feitas por plataformas de inteligência artificial.
“Os clientes diziam que o ChatGPT indicou a marca ou que o Gemini recomendava como empresa de semijoia de qualidade. Eram relatos recorrentes”, afirma Patrícia Caramaschi, CEO e designer da Herreira Semijoias.
Após realizar um diagnóstico com a Naia, a empresa identificou baixa presença nas plataformas de IA generativa e iniciou um trabalho integrado envolvendo SEO, mídia paga, CRM, redes sociais e relações públicas digitais. A estratégia também incluiu produção de conteúdos educativos, uso de dados estruturados e transcrições otimizadas para facilitar a indexação e a citação pelos modelos de linguagem.
Segundo a empresa, os primeiros resultados apareceram cerca de 30 dias após a implementação da estratégia. A marca passou a ser citada por plataformas como ChatGPT e Perplexity, registrou aumento nas buscas diretas no Google, crescimento do tráfego originado por ferramentas de IA e maior presença em listas comparativas produzidas por esses sistemas.
Outro reflexo observado foi o aumento dos contatos via WhatsApp de consumidores que conheceram a marca por meio de recomendações feitas por inteligências artificiais.
“A IA virou a vitrine. Quem não está nela, não está sendo visto pelo cliente do futuro, que já é o cliente de hoje”, conclui Patrícia Caramaschi.



