Ford desenvolve nova geração global de EVs

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A Ford Motor Company trabalha em uma nova geração de veículos elétricos com foco em eficiência energética e acessibilidade. A estratégia parte de um princípio semelhante ao que marcou a adoção do turbo nos motores a combustão: extrair mais desempenho com menos peso e menor custo.

Nos anos 1970, após a crise do petróleo, a indústria automotiva passou a investir em turbocompressores para equilibrar potência e eficiência. Décadas depois, a Ford popularizou a tecnologia com o motor EcoBoost na picape Ford F-150. Agora, segundo a companhia, o desafio equivalente no segmento elétrico é reduzir o tamanho das baterias sem comprometer a autonomia.

“A solução de engenharia para a ansiedade de autonomia tem sido aumentar o tamanho da bateria. No entanto, a bateria representa cerca de 40% do custo do veículo e mais de 25% do seu peso total”, afirma Alan Clarke, diretor executivo de Desenvolvimento Avançado de Veículos Elétricos da Ford.


Foco em extrair mais quilômetros por kWh

A proposta da montadora é criar uma nova família global de elétricos — começando por uma picape de médio porte — baseada na obsessão por eficiência. O objetivo é extrair mais quilômetros de uma bateria menor e simplificar radicalmente o sistema, reduzindo o número de peças e o custo total.

Para isso, a empresa criou uma equipe dedicada a desenvolver métricas de autonomia, eficiência e desempenho, considerando peso, arrasto aerodinâmico, resistência ao rolamento e tamanho da bateria. O conceito interno, chamado de “recompensas”, associa decisões de engenharia diretamente ao impacto em autonomia e custo.

Segundo Clarke, adicionar apenas 1 mm à altura do teto pode representar US$ 1,30 a mais no custo da bateria ou redução de 0,088 km na autonomia. Mudanças no design do espelho retrovisor, por exemplo, resultaram em ganho de 2,4 km de autonomia.


Arquitetura elétrica simplificada

Outro eixo estratégico é o gerenciamento inteligente de energia. Em 2023, a Ford internalizou o desenvolvimento da arquitetura de eletrônica de potência de alta tensão após adquirir a Auto Motive Power (AMP).

Com isso, a montadora passou a desenvolver internamente sistemas de conversão e gerenciamento de energia, incluindo carregamento bidirecional e software próprio. A meta é reduzir desperdícios energéticos, tempo de recarga e custo total de propriedade.

A nova plataforma também estreia o primeiro sistema de baixa tensão de 48 volts da Ford. O chicote elétrico da futura picape elétrica média será cerca de 1,2 km mais curto e 10 kg mais leve do que nos modelos de primeira geração.

Enquanto veículos convencionais utilizam mais de 30 unidades de controle eletrônico (ECUs), o novo modelo contará com apenas cinco módulos principais, simplificando a arquitetura e reduzindo peso e complexidade.


Competição global em preço

Segundo Clarke, a ambição é competir em preço com os melhores modelos do mundo, incluindo veículos a combustão.

“Estamos criando uma plataforma de veículo elétrico verdadeiramente integrada, não uma única peça que possa ser facilmente copiada. Se tudo der certo, teremos uma família de veículos que vai competir em preço com os melhores do mundo”, afirma o executivo.

A companhia indica que novos detalhes sobre a plataforma e os modelos derivados devem ser divulgados nos próximos meses.

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