Atualmente a maior parte das empresas brasileiras depende de crédito bancário para manter relacionamentos comerciais com clientes e fornecedores. O empréstimo é tratado como custo operacional inevitável para as companhias que precisam de capital de giro ou antecipação de recebíveis, o que acaba onerando o resultado, ou seja, as margens de lucro.
“Quem leva essa margem acaba sendo o banco”, ponderou Jose Miguel Schlichting Junior, head comercial da Catálise Investimentos. No entanto, segundo o executivo, por meio dos FIDCs – Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – é possível fugir desse ciclo, criando uma estrutura financeira que permita fazer “o custo do dinheiro trabalhar a seu favor”.
Schlichting Junior foi um dos palestrantes do primeiro dia da Eletrolar Show All Connected, que começou nessa segunda-feira (22) e vai até quinta (25) no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Um FIDC capta recursos de investidores e utiliza o capital para comprar carteiras de crédito de empresas com desconto. Quando o devedor original paga a dívida, o valor retorna ao fundo e é distribuído aos cotistas na forma de rentabilidade.
Para o especialista da consultoria paranaense, os FIDCs permitem transformar a necessidade de crédito em oportunidade adicional de receita. Muitas das empresas que apostam no instrumento o fazem para financiar o próprio ecossistema, incluindo clientes e fornecedores. E trata-se de uma possibilidade menos complexa do que parece, garante ele.
“Não é necessário contratar nenhum funcionário a mais. A Catálise faz todo esse trabalho”, diz ele. A consultoria é especialista em estruturar esse tipo de fundo, que segundo o executivo também traz, como “efeito colateral”, maior eficiência tributária (ao simplificar o pagamento de tributos) e uma separação entre operação comercial e financeira, com melhor organização do fluxo de receitas.
Caso de sucesso
Sem revelar o nome da empresa, Schlichting Junior citou o caso de uma empresa do setor de linha branca, com faturamento superior a R$ 2,5 bilhões em 2018, e que decidiu criar seu próprio FDIC para crescer sem pressionar o caixa. A empresa vivia um momento de expansão, com dinheiro disponível, e pensou em formas de antecipar contas a pagar diretamente aos fornecedores, ao invés de deixá-los procurarem recursos no mercado.
“Mas a carga tributária é grande para fazer [a antecipação] por dentro do balanço da companhia. O caminho era criar uma estrutura financeira”, contou o executivo da Catálise. “Naquela ocasião [o FIDC] servia para antecipar recebíveis para a cadeia de fornecedores e clientes. Mas tudo que o FIDC gerava de rentabilidade seguia a regra de tributação de fundos, não mais de empresa de lucro real.”
Segundo ele, isso permitiu que a empresa deixasse de sofrer os efeitos mensais do imposto de renda e passasse a ser tributada apenas no ato dos resgates de recursos. “Resumo da ópera: o fundo de R$ 50 milhões em sete anos virou quase R$ 500 milhões atualmente. É uma estrutura que virou uma nova unidade de negócios.”



