Uma mudança expressiva no comportamento do consumidor brasileiro, com despesas impensáveis até bem poucos anos atrás agora ocupando espaço relevante no orçamento das famílias – incluindo aí canetas emagrecedoras e jogos de azar. Além disso, há uma desaceleração do consumo, com o brasileiro se tornando mais racional e seletivo diante de um orçamento comprimido que exige novas estratégias de venda das empresas.
“Quando olhamos para o cenário macroeconômico, temos uma desaceleração [do consumo], principalmente de meados do ano passado para cá, e nos últimos 12 meses uma desaceleração constante”, ponderou Alfredo Lopes Costa, Managing Director da NielsenIQ Brazil, durante painel na Eletrolar Show All Connected na segunda-feira (22).
Segundo o especialista, o brasileiro mudou sua forma de consumir em todas as categorias de produto. Em dois anos, a porcentagem de categorias com retração no volume consumido aumentou de 20% para 50%. Além disso, a Nielsen projeta crescimento zero do consumo no próximo ano, apesar da baixa taxa de desemprego – no entanto, há uma renda média baixa e inflação acumulada expressiva.
Costa analisou, no palco da Eletrolar, as cinco forças que impulsionam essa desaceleração do consumo. São elas:
1. Endividamento e custo de vida elevado: Apesar de alguma desaceleração recente, o aumento de preços nos últimos anos é expressivo (por exemplo, o café subiu 248% em quatro anos, e o arroz 78%). Além disso, a lealdade às marcas parece ter diminuído, com 66% dos consumidores buscando marcas mais baratas e 45% priorizando menor preço. E apesar da taxa de desemprego baixa, muitos dos empregos gerados atualmente são de baixa remuneração, diz o especialista. E as taxas de juros estão altas.
2. Estratégias de economia em alta: Segundo o estudo da Nielsen, 80% dos consumidores planejam suas compras, e 30% fazem compras semanalmente para controlar gastos. Os brasileiros também alternam entre canais de venda e tamanhos de embalagens, buscando o melhor custo-benefício, e as promoções ganharam maior importância.
3. Equilíbrio entre consumo dentro e fora de casa: O consumidor está saindo menos e priorizando o lar, disse Costa. Produtos de entretenimento e conveniência doméstica (panelas de arroz, micro-ondas, máquinas de lavar roupa, consoles de videogame etc) ganham espaço. Apesar disso, gastos com delivery se estabilizaram, com 53% dos consumidores não aumentando o uso desses serviços. As pessoas estão cozinhando mais em casa, com crescimento de 3,5% no volume de alimentos relacionados.
4. Consumidor mais conectado: O brasileiro está usando mais o e-commerce, com 48% escolhendo essa forma de comprar por conta de preços mais competitivos. A cesta de consumo massivo via e-commerce cresceu 34% no último ano, e 33,1 milhões de lares compram bens de consumo rápido online. Segundo a Nielsen, 64% afirmam deixar de comprar no varejo físico para comprar online devido à conveniência e os preços.
5. Novos gastos e categorias: Segundo Costa, há um movimento de “premiumização discreta” no varejo brasileiro, com muitos consumidores preferindo produtos que prometem uma “experiência premium” a um preço mais acessível, como chocolates e bebidas alcóolicas. Além disso, há novos itens no orçamento, como canetas emagrecedoras – que tem alto custo médio mensal, chegando a R$ 800 ao mês e já alcançam 5% da população – e apostas online, cujo uso é admitido por 8% dos lares.



