Compra de ar-condicionado no inverno pode sair mais barata

Mercado de ar-condicionado.

Quem pretende instalar um ar-condicionado pode encontrar no inverno o período mais vantajoso para fechar negócio. A menor demanda pelos equipamentos durante os meses mais frios tende a reduzir os preços praticados pelo varejo e também os custos de instalação, criando uma oportunidade para consumidores que conseguem antecipar a compra antes da chegada do verão.

Segundo a Webcontinental, a economia pode variar entre 10% e 20% no valor final do equipamento durante a baixa temporada. Além disso, a menor procura por serviços especializados costuma resultar em maior disponibilidade de instaladores e valores mais competitivos para a instalação.

A estratégia ganha ainda mais relevância diante das previsões para o clima nos próximos meses. De acordo com os alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o fenômeno El Niño deve permanecer ativo durante o segundo semestre de 2026 e avançar até o início de 2027, favorecendo temperaturas acima da média em diferentes regiões do país.

Na avaliação da empresa, esse cenário pode pressionar novamente a demanda por aparelhos de climatização durante o verão, período em que o setor tradicionalmente registra reajustes de preços e maior dificuldade de abastecimento.

A sazonalidade é um dos principais fatores que influenciam o mercado de climatização. Nos meses de inverno, a procura por aparelhos diminui, levando varejistas e fabricantes a adotarem condições comerciais mais agressivas para estimular as vendas e acelerar a renovação dos estoques.

Já durante o verão, o movimento se inverte. O aumento da demanda, combinado com eventuais limitações na cadeia de abastecimento, costuma elevar os preços dos equipamentos.

Segundo a Webcontinental, o histórico recente reforça esse comportamento. Durante o verão de 2023/2024, a estiagem na região amazônica afetou o transporte fluvial utilizado para o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus, provocando atrasos no abastecimento e pressionando os preços do setor.

Dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) mostram que o segmento movimentou R$ 50,15 bilhões em 2025 e deve alcançar R$ 55,62 bilhões em 2026. A entidade também destaca o potencial de crescimento do mercado, considerando que apenas 17% dos domicílios brasileiros possuem aparelhos de ar-condicionado.

Para Felipe Colombo, Gerente Executivo de Compras e Importação da Webcontinental, antecipar a compra continua sendo uma forma de reduzir gastos.

“Nesta época, a demanda é menor e os preços costumam ficar entre 10% e 20% mais baixos do que durante o verão, gerando uma economia significativa para o consumidor. Essa diferença acontece porque a menor procura nos meses mais frios leva varejistas e fabricantes a oferecerem condições mais atrativas para estimular as vendas. Entretanto, estamos considerando um cenário de mercado e clima dentro da normalidade. Com a previsão de ocorrência do fenômeno El Niño, alguns fatores podem impactar a cadeia de abastecimento e provocar aumentos de preços superiores aos observados tradicionalmente.”

O executivo lembra que boa parte dos aparelhos comercializados no país é produzida na Zona Franca de Manaus, tornando o setor sensível a problemas logísticos.

“Como grande parte dos aparelhos é produzida na Zona Franca de Manaus, a severa estiagem de períodos anteriores atrasou o escoamento da produção e o abastecimento dos estoques de indústrias, distribuidores e varejistas. A combinação entre alta demanda e menor disponibilidade de produtos contribuiu para aumentos de preços que ultrapassaram os 20% normalmente observados. Antecipar a compra durante o inverno não apenas permite aproveitar preços mais baixos, mas também reduz o risco de enfrentar aumentos inesperados e falta de estoque quando a procura se intensifica nos meses mais quentes.”

Além da economia, a compra durante a baixa temporada permite que o consumidor avalie com mais calma aspectos técnicos do equipamento.

Entre eles está a classificação energética definida pelo Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal (IDRS), estabelecido pela Portaria nº 269/2021 do Inmetro. A segunda etapa da regulamentação entrou em vigor em janeiro de 2026 e elevou o índice mínimo necessário para que os equipamentos recebam o selo Classe A.

Segundo a Webcontinental, essa mudança acelera a adoção de aparelhos com tecnologia Inverter e fluido refrigerante R-32, combinação que oferece maior eficiência energética e menor potencial de aquecimento global em comparação com equipamentos convencionais.

Para Colombo, deixar a compra para os dias mais quentes pode levar a decisões precipitadas. Segundo ele, o erro mais comum de quem deixa a compra do ar-condicionado para os dias mais quentes do verão é agir por impulso, motivado pela necessidade imediata de aliviar o calor. Nessa situação, muitos consumidores acabam priorizando apenas a rapidez da compra e deixam de avaliar fatores importantes, como prazo de entrega, disponibilidade de estoque e até mesmo a escolha do modelo mais adequado para o ambiente.

“Na alta temporada, os prazos de entrega tendem a ser mais longos e ocorrem rupturas de estoque. Comprar fora da alta temporada traz a vantagem de encontrar uma variedade maior de marcas, modelos e capacidades, podendo escolher exatamente o equipamento mais adequado para sua necessidade, sem ficar limitado aos itens disponíveis”, complementa o executivo.

Outro aspecto destacado pela empresa é a procura crescente por aparelhos com ciclo reverso, capazes de resfriar e aquecer ambientes.

Segundo a Webcontinental, esses equipamentos funcionam como bombas de calor e apresentam eficiência superior à de aquecedores elétricos convencionais, tornando-se uma alternativa para regiões que registram temperaturas mais baixas durante o inverno.

“Nas regiões onde o inverno apresenta temperaturas mais baixas, os modelos com tecnologia quente e frio oferecem uma excelente alternativa para aquecer os ambientes com conforto e praticidade”, afirma Colombo.

A menor procura por equipamentos durante o inverno também impacta o mercado de instalação. Com agendas menos concorridas, empresas e técnicos especializados costumam oferecer maior disponibilidade e preços mais competitivos.

Segundo a Webcontinental, esse cenário também favorece a execução adequada do serviço, já que etapas importantes, como o processo de vácuo nas tubulações, podem ser realizadas com mais tempo e atenção, reduzindo riscos de falhas futuras no funcionamento do equipamento.

Para Colombo, o comportamento dos consumidores ainda varia conforme a região do país, mas a antecipação continua sendo a alternativa mais vantajosa.

Compartilhe: