Como antecipar tendências e criar processos para lucrar mais no varejo mobile

Antecipar movimentos do mercado e estruturar a operação são dois fatores cada vez mais decisivos para o crescimento sustentável no varejo mobile. Essa foi a linha central da palestra “Como antecipar tendências e criar processos para lucrar mais”, apresentada por Rafael Martinez, diretor de operações globais na WiWU Brasil.

Com uma trajetória construída ao longo de 18 anos em grandes operações de varejo, Rafael trouxe uma visão prática, conectando gestão, comportamento do consumidor e organização interna como pilares para melhorar resultados. “Vou falar um pouco sobre estratégia que vira resultado e, consequentemente, traz mais rentabilidade para o negócio”, destacou.

Um dos primeiros pontos abordados foi o crescimento acelerado de muitos lojistas, que nem sempre vem acompanhado de preparo. Segundo ele, é comum ver empreendedores que expandiram rapidamente, mas continuam concentrados no operacional. A consequência é a falta de tempo para analisar números, estoque e oportunidades.

Nesse contexto, a mudança de postura é essencial. O empresário precisa sair da operação e assumir um papel mais estratégico. Isso inclui dar autonomia ao time e investir em capacitação. “O time é reflexo do que vocês são”, afirmou, ao reforçar a importância da liderança no desempenho da equipe.

A gestão financeira também apareceu como um dos principais pontos de atenção. Rafael chamou a atenção para um erro recorrente: olhar apenas para margem aparente, sem considerar todos os custos envolvidos. Muitas vendas, na prática, não geram lucro quando se incluem despesas operacionais, comissões e aquisição de clientes.

Dentro desse cenário, os acessórios ganham protagonismo como alavanca de rentabilidade. Produtos com maior valor agregado e melhor margem podem ser determinantes para o resultado da loja, enquanto o smartphone, muitas vezes, funciona mais como atrativo do que como principal fonte de lucro.

Outro ponto central da palestra foi a mudança na abordagem comercial. Para Rafael, o foco deve sair do produto e ir para a necessidade do cliente. “O cliente não quer comprar produto, ele quer resolver um problema”, reforçou.
Isso exige uma venda mais consultiva, baseada em escuta, perguntas e entendimento real da jornada do consumidor.

A tecnologia, especialmente a inteligência artificial, também foi abordada com equilíbrio. Embora seja uma aliada importante na organização e análise de dados, não substitui o relacionamento humano. Segundo ele, a conexão com o cliente continua sendo o principal fator de decisão de compra.

Além disso, Rafael destacou uma oportunidade muitas vezes negligenciada: a base de clientes. Em vez de focar apenas na aquisição de novos consumidores, o lojista pode gerar mais resultado ao trabalhar relacionamento e recorrência com quem já comprou. Pequenas ações de proximidade e cuidado fortalecem o vínculo e aumentam o valor do cliente ao longo do tempo.

Por fim, o planejamento aparece como diferencial competitivo. Antecipar cenários, avaliar estoque e pensar em alternativas são atitudes que permitem reagir melhor às mudanças do mercado. “Quem não planeja constrói um castelo de areia”, resumiu.

A palestra reforça uma mensagem clara: lucrar mais não está apenas em vender mais, mas em organizar melhor o negócio. Processos bem definidos, equipe preparada, visão estratégica e foco no cliente são os elementos que sustentam o crescimento no varejo mobile.

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