CES 2026: Nvidia acelera chips Rubin e aposta em robótica

CES NVIDIA

A Nvidia usou sua presença na CES 2026, em Las Vegas, para reforçar duas frentes estratégicas que hoje sustentam sua ambição de longo prazo: a próxima geração de infraestrutura para inteligência artificial, com os novos chips Vera Rubin, e a construção de um ecossistema completo para robótica generalista. Embora tratem de mercados distintos, os anúncios apontam para um mesmo objetivo: ampliar o controle da empresa sobre toda a pilha tecnológica da IA, do data center às máquinas físicas.

Chips Vera Rubin prometem reduzir custos de IA

Durante um evento para a imprensa na CES, o CEO da companhia, Jensen Huang, afirmou que a plataforma de superchips Vera Rubin já atingiu um novo estágio de maturidade. “Hoje, eu posso dizer que o Vera Rubin está em produção”, disse o executivo. Segundo a Nvidia, os sistemas baseados em Rubin devem começar a chegar aos clientes ainda este ano.

De acordo com as informações compartilhadas, o chip pode reduzir o custo de execução de modelos de IA para cerca de um décimo do sistema Blackwell, atual carro-chefe da empresa. Além disso, determinados modelos de grande porte poderiam ser treinados usando aproximadamente um quarto do número de chips exigidos pela geração anterior. Na prática, esses ganhos tornam a operação de sistemas avançados de IA significativamente mais barata e elevam a barreira para clientes que considerem migrar para hardware alternativo.

A Microsoft e a CoreWeave estão entre os primeiros parceiros a oferecer serviços baseados nos chips Rubin. A Nvidia informou que dois grandes data centers que a Microsoft está construindo nos estados da Geórgia e Wisconsin devem incorporar milhares desses chips. A empresa também afirmou que alguns parceiros já estão executando modelos de IA de próxima geração em sistemas Rubin iniciais.

O sistema leva o nome da astrônoma americana Vera Rubin e inclui seis chips diferentes, entre eles a GPU Rubin e a CPU Vera, fabricados pela TSMC em processo de 3 nanômetros. As peças são conectadas por tecnologias de interconexão e comutação de sexta geração da Nvidia. “Cada parte do sistema do chip é ‘completamente revolucionária e a melhor do seu tipo”, completou Huang.

Nvidia quer ser a “Android” da robótica generalista

Além dos chips, a Nvidia apresentou um conjunto de modelos, ferramentas de simulação e hardware voltado para robótica, sinalizando sua ambição de se tornar a plataforma padrão para robôs de uso geral. A estratégia reflete um movimento mais amplo da indústria, à medida que a IA sai do cloud e passa a operar em máquinas capazes de interagir com o mundo físico.

A empresa revelou novos modelos de base abertos para robótica, disponíveis no Hugging Face, incluindo Cosmos Transfer 2.5 e Cosmos Predict 2.5, voltados à geração de dados sintéticos e avaliação de políticas em simulação, além do Cosmos Reason 2, um modelo de visão e linguagem para percepção e ação no mundo físico. Outro destaque é o Isaac GR00T N1.6, modelo desenvolvido para robôs humanoides, que permite controle de corpo inteiro e manipulação simultânea de objetos.

Para complementar o ecossistema, a Nvidia lançou o Isaac Lab-Arena, um framework open source de simulação que consolida cenários, ferramentas de treinamento e benchmarks já existentes, buscando resolver o alto custo e o risco de validar habilidades robóticas diretamente em ambientes reais. A infraestrutura é integrada ao Nvidia OSMO, um centro de comando open source que conecta geração de dados, treinamento e execução, tanto em desktop quanto na nuvem.

No hardware, a empresa apresentou a placa Jetson T4000, baseada na arquitetura Blackwell, com foco em computação embarcada. O modelo entrega 1.200 teraflops de desempenho em IA e 64 GB de memória, operando entre 40 e 70 watts.

A parceria com o Hugging Face também foi ampliada, integrando as tecnologias Isaac e GR00T ao framework LeRobot e conectando a base de desenvolvedores de robótica da Nvidia à comunidade de IA da plataforma. Empresas como Boston Dynamics, Caterpillar e NEURA Robotics já utilizam tecnologias da companhia, enquanto a categoria de robótica se consolida como uma das que mais crescem no Hugging Face.

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