Carros 0 km estabilizam enquanto seminovos recuam

mercado de carros seminovos

O mercado automotivo brasileiro apresentou comportamentos diferentes na formação de preços em julho. Enquanto os carros 0 km ficaram próximos da estabilidade, os seminovos continuaram registrando queda, com diferenças relevantes conforme o ano-modelo, a categoria, a tecnologia e a região do país. Os dados fazem parte da 76ª edição do AutoAcrefi, estudo mensal da Acrefi em parceria com a Cox Automotive.

O levantamento analisou 23.622 versões de automóveis e comerciais leves comercializados no Brasil. Na metodologia do estudo, são classificados como seminovos os veículos com até três anos de uso, enquanto os usados têm entre quatro e 20 anos.

Na média nacional, os preços dos veículos 0 km recuaram apenas 0,05% em julho. O resultado representa uma desaceleração em relação à queda de 0,41% registrada em junho e também ficou abaixo da média mensal de 2025, quando os preços dos modelos novos haviam diminuído 0,52%.

Entre os seminovos, o movimento foi mais intenso. Os preços recuaram 0,71% em julho, depois de uma queda de 0,78% no mês anterior. O resultado também ficou abaixo da média mensal negativa de 0,45% registrada em 2025. Já os usados tiveram retração média de 0,35% no período.

A diferença aumenta quando os seminovos são separados pelo ano-modelo. Todos os anos avaliados pelo AutoAcrefi registraram queda em julho. Os veículos 2026 apresentaram o maior recuo, de 0,90%, seguidos pelos modelos 2027, com -0,81%, 2025, com -0,76%, e 2024, com -0,49%.

No caso dos modelos 2026, a redução veio após uma queda ainda maior em junho, de 1,06%. “Os dados mostram um mercado em que a idade do veículo passou a fazer uma diferença importante na dinâmica dos preços. Enquanto os novos ficaram próximos da estabilidade em julho, os seminovos continuaram em ajuste, inclusive entre os anos-modelo mais recentes. Para o mercado de crédito, essa leitura mais detalhada é relevante porque o valor do veículo está diretamente relacionado à avaliação do bem nas operações de financiamento”, afirma Cintia Falcão, diretora-executiva da Acrefi.

Usados também permanecem em queda

Os veículos usados, considerados pelo estudo aqueles com quatro a 20 anos de utilização, também mantiveram variação negativa em julho, mas em ritmo menor que no mês anterior. Depois de uma queda de 0,54% em junho, os preços recuaram 0,35% no mês seguinte.

O movimento contrasta com o comportamento observado em 2025. Naquele ano, a média mensal dos usados ainda registrava valorização de 0,14%.

Entre os anos-modelo detalhados pelo levantamento, nenhum apresentou alta de preço em julho. Os veículos de 2013 tiveram o maior recuo, de 0,79%, seguidos pelos modelos 2011, com -0,68%, 2012, com -0,56%, e 2014, com -0,49%.

“O comportamento dos usados reforça que não existe hoje uma trajetória única de preços no mercado automotivo. Mesmo dentro de um mesmo grupo, ano-modelo e categoria podem apresentar movimentos diferentes. Para quem atua com crédito, essa dispersão torna a avaliação individual do veículo cada vez mais relevante”, acrescenta Cintia.

Hatches e SUVs concentram quedas

O comportamento dos preços também muda conforme o tipo de carroceria. Entre os veículos 0 km, os hatches apresentaram a maior queda em julho, de 1,19%. Os SUVs vieram na sequência, com retração de 0,76%.

Os sedãs, que haviam recuado 1,14% em junho, tiveram uma variação negativa bem menor em julho, de 0,19%. As picapes praticamente não tiveram alteração, com alta de 0,01%, enquanto os minibus avançaram 0,76%.

Entre os seminovos, os SUVs lideraram as quedas entre as categorias analisadas, com recuo de 0,96%. As picapes diminuíram 0,83% e os sedãs, 0,81%. Os hatches tiveram uma redução de 0,31%.

Nem todas as categorias apresentaram retração. Os furgões avançaram 0,17% e os roadsters, 0,08%. Os minibus permaneceram praticamente estáveis, com variação negativa de 0,02%.

Eletrificados têm ajustes diferentes

Os veículos eletrificados também apresentaram diferenças importantes na formação de preços. Entre os modelos híbridos 0 km acompanhados pelo AutoAcrefi, o Song Pro teve a maior queda, de 3,34%, enquanto o King recuou 2,91%. O Haval H6 ficou praticamente estável, com alta de 0,04%.

Nos híbridos seminovos, o XC60 apresentou redução de 3,24%. Na sequência apareceram Civic, com -1,59%, King, com -1,45%, e Corolla Cross, com -1,20%.

Os elétricos seguiram comportamento igualmente heterogêneo. Entre os modelos 0 km, o Mini Dolphin teve queda de 2,08%, enquanto o BYD Dolphin registrou valorização de 0,97%.

No mercado de seminovos, o E-Kwid recuou 1%, o Yuan Plus teve queda de 0,56% e o Mini Dolphin diminuiu 0,51%.

“A eletrificação é um bom exemplo de porque não podemos tratar uma tecnologia como se todos os veículos que fazem parte dela respondessem da mesma maneira. Em julho, encontramos modelos eletrificados com quedas mais intensas e outros praticamente estáveis ou em valorização. Para quem precisa determinar o valor de um veículo, essa dispersão passa a ser tão importante quanto a tendência geral do segmento”, avalia Cintia.

Motos acumulam alta de 12,37%

Enquanto os preços dos veículos leves apresentaram movimentos diferentes conforme idade e categoria, o mercado de motocicletas manteve trajetória de crescimento nas vendas.

Em julho, foram emplacadas 199.181 motos, alta de 2,55% sobre junho e de 3,11% em relação a julho de 2025. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, o mercado chegou a 1.373.687 unidades licenciadas, crescimento de 12,37% na comparação com o mesmo período do ano passado.

As motocicletas já representam 42,7% dos veículos emplacados no país, segundo os dados reunidos pelo AutoAcrefi.

Diferenças regionais também afetam preços

O levantamento identificou variações negativas nas categorias de 0 km, seminovos e usados nas cinco regiões brasileiras, mas a intensidade das quedas não foi igual em todo o território.

Entre os veículos novos, o Nordeste apresentou o maior recuo em julho, de 0,76%. Nos seminovos, a maior queda ocorreu no Centro-Oeste, com -0,75%. A mesma região também registrou a maior retração entre os usados, de 0,51%.

“O recorte regional acrescenta mais uma camada a essa leitura. Não existe apenas uma diferença entre o comportamento de novos, seminovos e usados; a intensidade das variações também muda de uma região para outra. Para uma atividade em que a precificação do bem é relevante para a operação de crédito, compreender essas particularidades ajuda a construir uma avaliação mais precisa do veículo”, conclui Cintia.

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