Brasil lidera adoção de IA agêntica, aponta estudo

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O Brasil aparece à frente da média global na adoção de Inteligência Artificial Agêntica, mas a tecnologia ainda está longe de ser uma realidade para a maior parte das empresas. É o que mostra o relatório Tech Trends 2026 LATAM, elaborado pelo Global Technology Office – Technology Observatory da GFT Technologies, com base em dados da Boston Consulting Group (BCG).

Segundo o levantamento, apenas 13% das empresas no mundo já integraram agentes de IA aos seus fluxos de trabalho. No Brasil, esse percentual chega a 18%, posicionando o país entre os mercados mais avançados na adoção da tecnologia.

Apesar da liderança relativa, os números indicam que 87% das organizações globais ainda não deram esse passo, o que, segundo o estudo, revela uma janela de oportunidade para empresas que pretendem acelerar iniciativas de transformação digital apoiadas por inteligência artificial.

A análise aponta que o mercado está entrando em uma nova fase de maturidade, marcada pela transição de projetos-piloto para implementações corporativas escaláveis e orientadas por resultados concretos.

“O Brasil assumiu a liderança. Mas liderar na adoção não significa automaticamente liderar a transformação. A vantagem competitiva pertencerá às organizações que souberem combinar IA Agente com redesenho de processos reais e verdadeiro empoderamento das pessoas”, avalia Jonatas Leandro, Head of Global Business Development Platform LATAM da GFT Technologies.

O que muda com a IA agêntica

O estudo destaca a IA Agêntica como uma das principais transformações tecnológicas em curso. Diferentemente dos modelos de IA generativa, que dependem de comandos específicos para produzir respostas, os agentes de IA são projetados para executar tarefas de forma autônoma, tomando decisões e realizando ações para atingir objetivos previamente definidos.

Essa evolução é impulsionada por tecnologias que ampliam a capacidade operacional dos sistemas de inteligência artificial, incluindo assistentes autônomos para programação, protocolos de compartilhamento de contexto e kits de desenvolvimento voltados à criação de agentes inteligentes.

Segundo a GFT, o avanço dessas ferramentas está acelerando a migração de iniciativas experimentais para aplicações corporativas capazes de atuar em processos críticos de negócio.

Da automação à operação baseada em agentes

O relatório aponta que a próxima etapa da transformação digital envolve uma mudança estrutural na forma como as empresas organizam suas operações.

Em vez de utilizar a inteligência artificial apenas para automatizar tarefas isoladas, as organizações começam a desenhar processos inteiros considerando a atuação conjunta de profissionais e agentes de IA.

Nesse modelo, decisões podem ser tomadas com maior velocidade, atividades repetitivas são executadas de forma automatizada e fluxos operacionais passam a funcionar em ambientes integrados.

Entre os pilares dessa transformação estão o redesenho de processos de ponta a ponta, a criação de indicadores focados em retorno financeiro e produtividade, a preparação da força de trabalho para novos modelos operacionais e a interoperabilidade entre diferentes agentes de IA.

O relatório cita exemplos de plataformas que já operam nesse conceito, permitindo automatizar fluxos documentais, gerenciamento de incidentes em ambientes de TI e atividades relacionadas ao desenvolvimento de software.

IA avança para o mundo físico

Além dos ambientes digitais, o estudo identifica um movimento de convergência entre inteligência artificial, sensores avançados e biotecnologia, tendência denominada Living Intelligence.

A proposta envolve sistemas capazes de captar informações do ambiente em tempo real, interpretar dados e executar ações automaticamente.

Paralelamente, a chamada IA Física, também conhecida como Embodied AI, amplia esse conceito ao integrar algoritmos inteligentes a equipamentos robóticos capazes de operar em ambientes dinâmicos e imprevisíveis.

Segundo a análise, a combinação dessas tecnologias deverá impulsionar uma nova geração de aplicações industriais, logísticas e operacionais nos próximos anos.

Cibersegurança entra em uma nova fase

A adoção crescente da inteligência artificial também está transformando o cenário da segurança digital.

De acordo com o relatório, agentes maliciosos já utilizam IA para desenvolver códigos capazes de modificar seu comportamento automaticamente e evitar sistemas tradicionais de detecção.

Outro fenômeno observado é o uso de agentes autônomos para identificar vulnerabilidades em larga escala, elevando o grau de sofisticação dos ataques cibernéticos.

Em resposta, empresas de segurança vêm incorporando sistemas de IA defensiva capazes de monitorar redes continuamente e executar ações corretivas sem necessidade de intervenção humana.

O estudo também destaca iniciativas voltadas à autenticação de conteúdo gerado por inteligência artificial, como mecanismos de marca d’água digital, além do avanço de modelos de identidade digital descentralizada que oferecem maior controle aos usuários sobre suas credenciais.

Capacitação profissional ganha protagonismo

O levantamento da BCG utilizado no relatório aponta que a percepção dos profissionais sobre a inteligência artificial está diretamente relacionada ao nível de conhecimento que possuem sobre a tecnologia.

Funcionários que compreendem o funcionamento dos agentes de IA tendem a enxergá-los como ferramentas de apoio à produtividade. Já ambientes com baixo nível de capacitação registram maior resistência à adoção das soluções.

O tema ganha relevância especialmente diante do avanço dos chamados agentes de codificação, sistemas capazes de executar atividades de programação de forma autônoma e que começam a transformar etapas importantes do desenvolvimento de software.

Criptografia pós-quântica entra no radar corporativo

Outro ponto destacado pelo estudo é a necessidade de preparação para a era da computação quântica.

Segundo o relatório, os atuais padrões de criptografia baseados em RSA e ECC deverão ser gradualmente substituídos nos próximos anos. As diretrizes do governo dos Estados Unidos indicam que essas tecnologias devem ser descontinuadas até 2030 e proibidas até 2035.

Diante desse cenário, a adoção de soluções de criptografia pós-quântica passa a figurar entre os temas estratégicos para empresas que precisam garantir proteção de dados e conformidade de longo prazo.

Para a GFT, a combinação entre inteligência artificial agêntica, modernização tecnológica, qualificação profissional e segurança digital deverá definir o ritmo da transformação empresarial na América Latina nos próximos anos.

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