Brasil adiciona quase 3 milhões de m² em galpões logísticos

galpões logísticos

O mercado de galpões logísticos no Brasil encerrou 2025 em um patamar elevado de atividade, com indicadores que apontam equilíbrio entre oferta e demanda. De acordo com a pesquisa First Look, realizada pela JLL, a taxa de vacância nacional fechou o ano em 7,7%, o menor nível já registrado na série histórica. No mesmo período, o país adicionou quase 3 milhões de metros quadrados de novo estoque, o maior volume desde 2022, reforçando o ritmo consistente de expansão do setor.

Além do crescimento da oferta, o levantamento mostra valorização dos ativos logísticos. O preço médio de locação alcançou R$ 30,7 por metro quadrado, o que representa uma alta de 7,8% em comparação ao ano anterior. O desempenho reflete um mercado ativo, impulsionado por investimentos distribuídos em diferentes regiões do país e por uma demanda que segue absorvendo os novos empreendimentos de forma gradual.

Ao longo de 2025, foram entregues 81 empreendimentos logísticos em 19 estados brasileiros, evidenciando a ampliação geográfica dos investimentos no segmento. Do total, 39 projetos corresponderam a expansões de condomínios já existentes, enquanto outros 42 foram desenvolvidos em novas localidades. ”Isso reflete uma estratégia cada vez mais comum entre os investidores: a aposta no desenvolvimento faseado dos empreendimentos”, revela André Romano, gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL.

“O volume recorde de entregas, combinado a uma vacância em 7,7%, são sinais de um mercado bem estruturado e equilibrado, com oferta sendo absorvida de forma consistente à medida que os novos produtos passam a integrar o estoque”, afirma o executivo.

O estado de São Paulo manteve a liderança como principal polo de investimentos em logística no país. Em 2025, concentrou cerca de 1,5 milhão de metros quadrados em novos empreendimentos, o equivalente a aproximadamente 50% de todo o novo estoque entregue no Brasil. Com preço médio de locação de R$ 34,5 por metro quadrado, acima da média nacional, o estado seguiu registrando crescimento acelerado e atraindo grandes operações.

Entre os destaques do quarto trimestre está a locação realizada pela TK Logística, empresa ligada ao Grupo Toyota do Brasil, que alugou 102 mil metros quadrados na região de Sorocaba. “O desempenho de São Paulo reflete não apenas volume de investimentos, mas também a qualidade da demanda, com operações cada vez maiores e mais estratégicas. Isso faz com que o preço de alguns ativos chegue a, por exemplo, R$ 45/m² devido à sua localidade privilegiada”, destaca Rafael Picerni, da JLL.

O varejo e o e-commerce seguem como importantes vetores de demanda por galpões logísticos no país. Mercado Livre e Shopee aparecem entre as maiores ocupações do período, reforçando a continuidade dos investimentos em centros de distribuição. “Com estratégias diferentes — uma concentrada em grandes hubs logísticos e a outra apostando em maior diversificação de localidades — ambas seguem investindo para garantir rapidez e eficiência no atendimento ao consumidor final”, aponta André Romano.

Para 2026, a expectativa é de manutenção do ritmo observado ao longo de 2025, com novas entregas e absorção de empreendimentos logísticos em diferentes regiões do Brasil. A combinação entre demanda estrutural, expansão do e-commerce, reorganização das cadeias produtivas e estratégias de regionalização deve sustentar o desempenho do setor. “Mesmo com a continuidade das entregas, a tendência é de um mercado ativo, com bom volume de negociações e vacância em níveis saudáveis”, afirma Picerni.

“O mercado de galpões logísticos no Brasil segue demonstrando maturidade, com decisões de investimento e ocupação cada vez mais estratégicas e alinhadas ao longo prazo”, conclui André Romano.

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