O reconhecimento facial começa a ampliar sua presença no varejo brasileiro como alternativa para autenticação de pagamentos, validação de identidade e prevenção a fraudes. A tecnologia, já utilizada há mais tempo pelo setor financeiro, passa a ser aplicada também em operações de lojas físicas, aplicativos, cadastros e concessão de crédito.
Entre as empresas que atuam nesse segmento está a catarinense Deconve, responsável pelo FaceMatch, solução desenvolvida para validação de identidade em ambientes físicos e digitais. De acordo com a empresa, a plataforma processa mais de 2 milhões de autenticações por mês, o equivalente a mais de 20 milhões de biometrias por ano.
A proposta é adaptar o reconhecimento facial às necessidades de operações de varejo, incluindo estabelecimentos com grande volume de transações. A tecnologia pode ser utilizada no ponto de venda para autenticar pagamentos, além de integrar processos de onboarding digital, abertura de crediário e validação de identidade em aplicativos.
“A solução captura a imagem do rosto no momento da compra ou do acesso ao serviço e realiza a verificação automática da identidade do usuário. Dependendo do cenário, essa comparação pode ser feita com um cadastro já existente ou utilizada para validar a identidade de novos clientes”, explica Rodrigo Tessari, CEO da Deconve.
Autenticação pode substituir cartão e senha
Entre as aplicações está a validação da identidade durante o cadastro para concessão de crédito. Nesse processo, o reconhecimento facial pode ser utilizado em conjunto com a análise dos documentos apresentados para verificar se a pessoa que solicita o crédito é realmente sua titular.
“Uma das aplicações é a chamada documentoscopia digital no momento do cadastro, em que o reconhecimento facial confirma se a pessoa que está abrindo o crédito é realmente o titular dos documentos apresentados. A tecnologia também permite pagamentos por reconhecimento facial, nos quais o cliente apenas olha para a câmera para autorizar a compra, sem necessidade de senha ou cartão”, complementa Tessari.
O FaceMatch também incorpora mecanismos de prova de vida, conhecidos como liveness, destinados a identificar tentativas de autenticação realizadas com fotos, vídeos ou máscaras. Segundo a empresa, cerca de 90% das autenticações são aprovadas em menos de um segundo.
A velocidade de resposta é um dos fatores considerados para aplicação da tecnologia no ponto de venda, onde o processo de validação precisa ocorrer sem acrescentar etapas significativas à jornada de compra.
Havan utiliza biometria em pagamentos
A Havan adotou a tecnologia da Deconve para autenticar pagamentos realizados com o cartão próprio da rede. A solução é utilizada nas unidades da companhia para validar as transações por reconhecimento facial.
“O Deconve FaceMatch é empregado para autenticar pagamentos por meio de reconhecimento facial em todas as nossas unidades, oferecendo alta assertividade e resposta rápida”, afirma Alexsandro Eloi Venâncio, gerente de sistemas da companhia.
Segundo os dados fornecidos pela empresa, o sistema registra 96% de aprovação na primeira tentativa e chega a 98% de autenticações aprovadas em até duas tentativas.
A aplicação também alterou a participação do cartão físico nas transações realizadas com o cartão Havan. Atualmente, apenas 5,89% das compras exigem o uso do cartão e da senha. A maior parte das operações é autenticada exclusivamente por biometria facial.
A tecnologia é utilizada principalmente na prevenção de modalidades de fraude como autofraude, fraude familiar e roubo de identidade. Nesse modelo, a identificação do consumidor ocorre durante a própria operação, sem depender exclusivamente da apresentação física do cartão.
Sistema pode funcionar sem internet
Outro recurso do FaceMatch é a possibilidade de realizar autenticações mesmo sem conexão com a internet. Segundo a Deconve, a característica permite manter os processos de autenticação e autorização de compras em situações de instabilidade da rede.
A solução também pode ser integrada diretamente ao sistema de ponto de venda e operar com uma webcam, sem a necessidade de equipamentos específicos de captura facial.
A infraestrutura foi desenvolvida para atender tanto operações físicas quanto digitais, permitindo que a mesma tecnologia seja utilizada em diferentes etapas de identificação do consumidor.
Tratamento dos dados biométricos
A utilização de reconhecimento facial também envolve requisitos relacionados ao tratamento de dados biométricos. Segundo a Deconve, o FaceMatch adota o princípio de retenção mínima das informações, mantendo os registros pelo período necessário para a verificação de identidade, prevenção a fraudes e auditoria das transações.
Após esse período, os dados passam por descarte automático, com exclusão segura em até 30 dias, conforme as informações fornecidas pela empresa.
A biometria capturada também não é armazenada como uma fotografia. O sistema transforma as características do rosto em um template biométrico, uma representação matemática utilizada para realizar a comparação de identidade.
Para Rodrigo Tessari, a aplicação da tecnologia no varejo está relacionada à busca por processos de autenticação que combinem velocidade e segurança.
“Como visto, o reconhecimento facial aplicado ao varejo permite validar a identidade do cliente de forma rápida e segura, sem interromper a experiência de compra. A proposta da tecnologia é tornar o processo de autenticação mais eficiente tanto para o consumidor quanto para as empresas”, conclui.



