O comércio eletrônico consolidou sua posição como a principal categoria de varejo em boa parte do país. Um levantamento da klavi, fintech especializada em inteligência de dados, mostra que o e-commerce registra a maior penetração de consumidores em 15 estados brasileiros, superando outros segmentos em número de pessoas que realizaram ao menos uma compra ao longo de um ano.
Apesar da expansão dos grandes marketplaces, o estudo também evidencia que o comportamento de consumo permanece fortemente regionalizado. Em diferentes estados, empresas locais continuam ocupando posições de liderança em categorias estratégicas, superando marcas de atuação nacional em seus respectivos mercados.
A pesquisa faz parte do estudo Mapa do Consumo Brasileiro e utilizou informações do Radar Competitivo da klavi, com dados anonimizados do Open Finance. As informações foram ponderadas de acordo com a população de cada estado, com base nos dados do IBGE. A amostra reúne 1,2 milhão de consumidores, cerca de R$ 15 bilhões em transações categorizadas e mais de 3 mil marcas monitoradas.
O levantamento considera a penetração das categorias e das empresas, indicador que representa o percentual de consumidores que realizaram pelo menos uma transação com determinada marca ou segmento durante o período analisado.
Segundo o estudo, o comércio eletrônico concentra sua maior força nas regiões Sul e Sudeste, onde lidera em todos os estados. O desempenho é impulsionado principalmente pelos marketplaces Mercado Livre e Shopee, que aparecem como as plataformas com maior presença entre os consumidores.
O Mercado Livre ocupa a liderança em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a Shopee aparece na primeira colocação em Minas Gerais e Espírito Santo.
São Paulo registra a maior penetração do e-commerce do país, alcançando 56,32% dos consumidores analisados. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 52,38%, e Rio de Janeiro, com 52,05%.
Nas demais regiões, entretanto, o cenário é mais equilibrado, com empresas locais disputando espaço com os grandes marketplaces e, em alguns casos, mantendo a liderança em categorias de consumo recorrente.
“O crescimento do e-commerce é um movimento consolidado no Brasil, mas os dados mostram que o consumo continua altamente regionalizado. Em diferentes estados, empresas locais preservam uma relação muito forte com seus consumidores e conseguem competir em igualdade ou superar grandes marcas nacionais. Essa leitura é importante porque permite que varejistas, instituições financeiras e empresas de tecnologia entendam melhor as particularidades de cada mercado e desenvolvam estratégias mais assertivas”, afirma Bruno Chan, CEO e cofundador da klavi.
O Nordeste apresenta um dos cenários mais diversos do levantamento. Embora o e-commerce ocupe a primeira posição em seis dos nove estados da região, empresas regionais seguem liderando segmentos considerados estratégicos.
É o caso da Brisanet, que aparece na liderança da categoria Internet, TV e Telefonia no Ceará e no Rio Grande do Norte. No Ceará, a diferença em relação à Shopee é de apenas 0,15 ponto percentual, indicando uma disputa bastante equilibrada. Já no Rio Grande do Norte, a empresa amplia a vantagem para 2,93 pontos percentuais sobre o segundo colocado.
O varejo alimentar também demonstra a força das empresas locais. No Maranhão, o Grupo Mateus faz com que a categoria de supermercados apresente maior penetração que o e-commerce, enquanto situação semelhante ocorre no Acre, onde o Arasuper ocupa posição de destaque.
Segundo a klavi, os resultados mostram que redes com forte presença física e conhecimento das características locais continuam exercendo influência relevante sobre o comportamento do consumidor, mesmo diante da expansão acelerada do comércio eletrônico.
Para Bruno Chan, os dados indicam que o mercado brasileiro mantém diferenças importantes entre estados e regiões, exigindo estratégias específicas por parte das empresas.
“Os dados mostram que não existe um único mercado brasileiro, mas vários mercados convivendo ao mesmo tempo. Os marketplaces ganharam escala nacional, mas isso não significa que o comportamento de consumo tenha se tornado uniforme. Empresas regionais continuam liderando em segmentos essenciais porque construíram relações de proximidade com seus clientes e desenvolveram operações adaptadas às características de cada estado. Essa inteligência regional passa a ser um diferencial competitivo para qualquer estratégia de expansão”, afirma.
A pesquisa também aponta diferenças entre as regiões Norte e Centro-Oeste, onde a liderança entre categorias aparece mais distribuída. Nessas localidades, empresas de telecomunicações como Claro, Vivo e Você Telecom dividem espaço com o comércio eletrônico na preferência dos consumidores.
De acordo com a klavi, o cenário evidencia que fatores como presença física, recorrência de consumo e infraestrutura continuam influenciando a dinâmica competitiva do varejo brasileiro, mesmo com o avanço contínuo dos marketplaces em todo o país.



