O governo federal lançou uma nova linha de crédito voltada a entregadores por aplicativo, mototaxistas e outros profissionais que utilizam motocicletas e bicicletas como ferramenta de trabalho. Batizado de Move Brasil Entregadores e Motoapp, o programa oferece condições diferenciadas de financiamento para aquisição de veículos novos, com possibilidade de financiar até 100% do valor e taxas de juros inferiores às praticadas pelo mercado.
Segundo o Olhar Digital, a iniciativa é operada pela Caixa Econômica Federal e conta com subsídios do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), além da garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O objetivo é ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores que dependem da mobilidade sobre duas rodas para gerar renda.
A expectativa do governo é viabilizar o financiamento de 100 mil motocicletas, motonetas e ciclomotores. O programa também contempla investimentos de empresas interessadas em instalar infraestrutura para recarga ou troca de baterias de veículos elétricos.
O benefício atende trabalhadores vinculados a plataformas de entrega e transporte, além de profissionais contratados pelo regime CLT.
Para entregadores e motoristas de aplicativo, é necessário comprovar pelo menos seis meses de cadastro em uma plataforma e a realização de 100 corridas ou entregas.
Já motofretistas, mototaxistas e ciclistas contratados com carteira assinada devem ter no mínimo seis meses de vínculo empregatício na mesma empresa.
O cadastro é realizado por meio do portal gov.br. Segundo as regras divulgadas, não é necessário apresentar documentos durante a inscrição, já que informações como a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) são consultadas diretamente pela plataforma. A análise inicial deve ser concluída em até cinco dias úteis.
Após a aprovação, o interessado pode procurar uma instituição financeira ou concessionária para dar sequência ao processo de contratação do financiamento. Embora o programa não exija que o participante esteja sem restrições cadastrais, os bancos continuam responsáveis pela análise de crédito antes da liberação do recurso.
O Move Brasil estabelece critérios técnicos para os veículos contemplados pela linha de crédito.
Podem ser financiados:
- motocicletas flex de até 160 cilindradas ou modelos elétricos com potência de até 7.500 watts;
- bicicletas elétricas com potência máxima de 1.000 watts;
- veículos zero-quilômetro;
- modelos fabricados no Brasil ou que possuam projeto de produção nacional.
Essas exigências limitam o universo de veículos elegíveis, mesmo sem a definição de um teto oficial para o valor do financiamento.
Entre as motocicletas com motor flex incluídas no programa estão alguns dos modelos mais populares utilizados em serviços de entrega.
A relação inclui:
- Honda Biz 125 EX — R$ 16.840;
- Honda CG 160 Cargo — R$ 18.390;
- Yamaha Factor — R$ 18.490;
- Honda CG 160 Fan — R$ 20.590;
- Yamaha Crosser 150 Z ABS — R$ 22.990.
O programa também contempla motocicletas elétricas. Entre elas estão a Shineray SE1 e a Shineray SE2, ambas com preço sugerido de R$ 12.490, além da Watts W125, Shineray SHE-S e Yamaha Neo’s.
Um dos principais diferenciais da linha de crédito é a possibilidade de financiar integralmente o valor da motocicleta ou bicicleta, dispensando o pagamento de entrada.
As condições divulgadas pelo programa estabelecem taxa de juros de 12,5% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres.
Segundo os dados apresentados pelo governo, os percentuais ficam abaixo da média registrada pelo mercado. Em abril de 2026, a taxa média para financiamentos desse tipo chegou a 26,6% ao ano, conforme levantamento da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (ANEF).
Para pessoas físicas, o prazo de pagamento pode chegar a 48 meses, com carência de dois meses antes do início das parcelas.
Além do financiamento para aquisição dos veículos, empresas também poderão acessar recursos para implantação de pontos de recarga e estações de troca de baterias destinadas a motocicletas elétricas. O crédito poderá incluir ainda capital de giro associado ao investimento, limitado a 30% do valor financiado.



