Mercado Livre investe em logística como diferencial competitivo

Mercado Livre
Segundo Luiz Augusto Vergueiro, 95% de todas as entregas de produtos vendidos são feitas pelo próprio Mercado Livre

Logística é um assunto complicado no Brasil, e não é diferente no e-commerce. Para resolver os inúmeros problemas de entrega enfrentados no passado, o Mercado Livre investiu pesado em uma malha própria de distribuição. Se até 2017 cerca de 95% das entregas da plataforma eram feitas pelos Correios, em 2021 essa proporção foi investida, com 95% de entregas próprias, graças à internalização massiva e ao controle estreito do processo.

Segundo Luiz Augusto Vergueiro, diretor sênior de fulfillment para o Brazil do Mercado Livre, tudo começou em 2013, com o lançamento do Mercado Envios. “Não existia padronização de preços, faltava visibilidade de prazo de entrega e, lógico, isso gerava insegurança para o comprador”, lembrou, durante palestra na última Eletrolar Show All Connected, realizada em São Paulo, capital.

Os vendedores que antes precisavam se dirigir a uma agência dos correios para despachar seus produtos vendidos passaram a contar, gradativamente, com o ‘cross-dock’. Atualmente são 25 operações do tipo no País, com coletores que retiram pacotes diretamente dos vendedores e os levam para serem separados por destino e enviados para o consumidor.

Atualmente a plataforma tem 126 milhões de compradores únicos, e 2,7 bilhões de itens vendidos nos últimos 12 meses. Mais de três a cada quatro dessas entregas (76%) foram feitas em menos de 48 horas. “O dropshipping continua existindo, ainda usamos os Correios para ‘sellers’ muito pequenos com venda bastante esporádica”, disse o executivo.

A empresa tem ainda 126 operações de última milha (last mile). Eles recebem pacotes dos centros de cross-dock e fulfillment, sendo a etapa final de entrega realizada por transportadores locais e individuais. Há ainda o flex, modelo de entrega direta onde o vendedor e o comprador estão na mesma cidade, utilizando motoboys ou veículos para uma entrega “um para um”.

Outro pilar da estratégia logística do ML são as agências, que hoje contabilizam mais de6.300. Elas funcionam como pontos de “drop-off”, onde os vendedores pequenos consolidam pacotes para coleta, reduzindo custos de transporte na primeira milha. Também para “pickup” (quando os compradores retiram pedidos) e devolução.

Essa malha logística opera com nove aviões e quase três mil veículos dedicados – parte expressiva deles elétricos com baixo nível de emissões de carbono.

Para ganhar eficiência, a empresa tem apostado também em operações robotizadas na composição e consolidação de múltiplos itens de um pedido (reduzindo o tempo de ciclo em 25%). Esses equipamentos trazem as estantes para os operadores (e não o contrário), eliminando deslocamento no processo de picking e aumentando a eficiência de armazenagem em 15%, além da velocidade de processamento em 20%.

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