Neuroarquitetura redefine o bem-estar no trabalho

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A Interior Lifestyle South America, que acontece no Distrito Anhembi, em São Paulo, até quinta-feira (25/6), recebeu Angely Kiesel, especialista em design de interiores, mobiliário corporativo e soluções de alto padrão. A palestra debateu como o ambiente corporativo pode estimular no bem-estar e no desempenho do dia a dia. 

Os espaços refletem até mesmo nos resultados da empresa. De acordo com a palestrante, ambientes mais saudáveis tendem a registrar maior retenção de talentos, redução do estresse e aumento da produtividade.

Segundo Angely, o cérebro não interpreta o espaço de forma neutra. Ele processa continuamente estímulos como luz, ruído, temperatura, cores, movimento e até a sensação de controle sobre o ambiente. “Mesmo quando não percebemos, esses estímulos estão influenciando nossa concentração, nosso nível de estresse e nossa tomada de decisão.”

A neuroarquitetura é o campo que aplica conhecimentos da neurociência ao design de espaços, com o objetivo de criar ambientes que favoreçam emoções positivas, saúde e performance. A palestra destacou três pilares centrais para aplicar os conceitos da área ao ambiente corporativo. 

O primeiro é o sensorial, que envolve iluminação, acústica, cores e a presença de elementos naturais, como plantas e materias como madeira. São elementos que contribuem para o bem-estar e acolhimento.

O segundo é o cognitivo, relacionado à organização espacial. “A dimensão envolve não só organização, mas também clareza: o usuário precisa entender o ambiente, circular com facilidade e ter autonomia para adaptar o espaço às suas atividades.”

Já o terceiro é o físico, que abrange ergonomia e incentivo ao movimento. “Quando o corpo está desconfortável, o cérebro muda completamente de prioridade. Ele deixa de focar na tarefa e passa a lidar com dor, tensão muscular e fadiga, o que reduz significativamente a capacidade de concentração e produtividade”, fala Angely.

A ergonomia pode ser adotada por meio de modelos mais avançados de móveis, por exemplo. A arquiteta conta que algumas cadeiras oferecem diferentes tamanhos para atender perfis corporais distintos, além de mecanismos que respondem à postura em tempo real, reduzindo pontos de pressão e estimulando uma posição mais saudável. 

Também foi ressaltada uma dimensão emocional, ligada ao sentimento de pertencimento e identidade no espaço de trabalho. Ambientes que comunicam os valores da empresa e oferecem áreas de convivência e colaboração tendem a fortalecer vínculos entre equipes e aumentar o engajamento.

“Projetar um espaço não é apenas uma decisão estética ou funcional. É, na prática, projetar a experiência humana dentro daquele ambiente, considerando como o corpo e o cérebro vão reagir a cada estímulo presente ali”, conclui Angely.

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