O marketplace é a alternativa ideal em um cenário macroeconômico adverso, com uma crise de abastecimento (e de preços) de chips a todo vapor por causa da demanda gerada por data centers de inteligência artificial. Para o Mercado Livre, as condições adversas atuais exigem que os varejistas, de todos os tamanhos, possam contar com parceiros com maior alcance e que permitam uma operação mais enxuta.
Essa é a argumentação de Roberta Pepe, Consumer Electronics Brazil Senior Manager para Home Electronics do Mercado Livre, em palestra realizada nessa terça-feira (23) durante a Eletrolar Show All Conected, em São Paulo. O evento vai até quinta (25).
“Temos um grande desafio que é a escassez de chips. A IA está consumindo muita memória, e esse componente é essencial para eletrônicos de modo geral. Como impacto os preços estão elevados, e há uma competição por estoque”, resumiu a executiva. “Por que não vender em uma plataforma consolidada que já investe em marketing e tem CDs próprios?”
Segundo a executiva, o Brasil “é a bola da vez” global, com um contexto político menos complicado do que em outros países emergentes.
Por isso o e-commerce de origem argentina decidiu investir mais de US$ 10 bilhões no País ainda 2026, incluindo 14 novos centros de distribuição (alcançando 47 no total), e geração de mais de 10 mil empregos. A avaliação da executiva é que há muito espaço para o e-commerce crescer por aqui. “Essa transição vai continuar acontecendo.”
A estratégia do ML para crescer por aqui também passa por estabelecer parcerias com players regionais, especialmente na logística de itens pesados. “É nosso principal desafio”, admite a executiva. Desde 2025 o serviço Meli Coletas é capaz de transportar esses itens, que incluem geladeiras e máquinas de lavar, por exemplo.
“É um canal que vamos continuar acelerando, mas vamos precisar de parceiros. Não vamos conseguir com frota própria”, disse ela, salientando a experiência do varejo físico. “O ML não é concorrente do varejo físico. Ele tem suas fortalezas: atende uma região e pessoas, têm estoque mais próximo dos clientes. Tem uma confiança regional que é importante. Tem frota própria. Nossa intenção não é brigar com isso. A gente pode se somar”, ponderou.
Mercado Livre na China
Outra parte do plano do Mercado Livre para crescer no Brasil fica bem longe, do outro lado do mundo. Desde o começo desse ano a empresa possui uma operação própria de “fulfillment” (centro de distribuição) em Shenzhen, na China. O objetivo da operação é prestar suporte às marcas do país asiático que queiram vender no Brasil – e, claro, revitalizar com players concorrentes asiáticos.
A promessa é entregar para o consumidor final na América Latina entre 14 e 30 dias ao coletar os produtos diretamente de fabricantes e marcas locais.
“Para dar suporte às marcas locais em mandarim, temos cerca de 200 pessoas na unidade da China para sustentar essa operação”, contou no palco a executiva chinesa Ivy Huang, Electronics New Sellers Team Lead do Mercado Livre.
São várias modalidades de entrega, inclusive a Full, que promete entregas rápidas para o Brasil. Entre os produtos mais vendidos por aqui estão celulares, notebooks e tablets.



