Mais vias ou mais integração? O debate sobre a mobilidade urbana até 2035

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A tentativa de ocupar espaços alternativos na rua, resultado da saturação dos carros nas vias metropolitanas, foi um dos temas latentes do primeiro dia do Future Mobility 2026. O painel “Mobilidade nas cidades: o que muda até 2035″ contou com a presença de Anderson Farias, Prefeito de São José dos Campos; Sérgio Avelleda, Sócio Fundador da Urucuia; e Thiago Marques, Head de Marketing e Produto da MG Motor.

Ao longo da discussão, foram relembrados diversos incentivos legislativos adotados nos últimos anos que contribuíram para o aumento dos acidentes de trânsito nas grandes metrópoles do país. O fenômeno foi associado a uma série de políticas públicas voltadas a facilitar a entrada de mais veículos nas ruas, cenário que, do ponto de vista municipal, espera-se reverter nos próximos anos.

Houve uma redução dos sistemas de radares, além de mudanças nas regras da CNH, com o aumento do limite de pontos para suspensão da carteira. Ao mesmo tempo, o custo para obtenção da habilitação continua sendo visto como um dos principais obstáculos para quem deseja ingressar no setor de entregas no Brasil.

Com a expansão das bicicletas elétricas e de outros meios de transporte que não exigem CNH, parte dessa barreira acabou sendo contornada, o que resultou em uma presença cada vez maior desses veículos nas ruas.

Para reverter esse cenário, os palestrantes propuseram um modelo de incentivos baseado em uma maior cobrança sobre plataformas de comércio que atuam sob a chamada “lógica Uber” nos municípios, com o objetivo de oferecer mais segurança à população. Também defenderam apoio logístico por meio de centros de entrega para retirada de pedidos e o retorno do uso de veículos cargueiros de maior porte.

Segundo os debatedores, quando esses veículos enfrentam dificuldades para circular, a operação acaba sendo transferida para veículos menores que, ironicamente, ocupam mais espaço nas vias, contribuem para os congestionamentos e ampliam os impactos ambientais.

Ao longo da palestra, foi ressaltada inúmeras vezes a importância da infraestrutura alternativa como uma das principais soluções para aliviar a sobrecarga do sistema. Na avaliação dos participantes, investir apenas na construção de mais avenidas, mais pistas e mais espaço para carros acaba alimentando um sistema já saturado. Em contrapartida, defenderam a diversificação dos modais, com transporte público eletrificado, ampliação das ciclovias, desestímulo às infrações de trânsito e, sempre que possível, viagens mais curtas.

Durante o painel, também foi destacada a dificuldade organizacional imposta pelas barreiras administrativas entre municípios. Embora invisíveis ao público, essas divisões representam obstáculos para a manutenção de vias, a abertura de ciclovias e a integração eficiente de estações de metrô e outros sistemas de transporte.

Os palestrantes também destacaram que, uma vez construídas novas rotas e conexões, surge uma nova demanda por veículos adaptados à infraestrutura disponível, à medida que essas mudanças passam a representar novas oportunidades de mobilidade.

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