A terceira palestra do primeiro dia da exposição da Future Mobility 2026 veio como um ensaio de uma proposta de futuro de Fernando Masuel, Managing Director da Highline Capital. O especialista começou sua palestra com a imagem de portos e containers sendo descarregados em uma cidade, propondo a pergunta: De onde o maior valor do mercado da nova mobilidade seria capturado?
A proposta apresentada mostrava os vários setores da cadeia produtiva, dos carros elétricos, às baterias, aos aplicativos que distribuem a eletricidade, aos geradores de energia, aos quadros especulativos para o futuro. O palestrante, então, provocou a plateia: qual desses segmentos representaria, afinal, a melhor oportunidade de investimento na transição energética?
Segundo ele, a resposta está na infraestrutura, ou melhor, no desenvolvimento do ecossistema para continuamente inovar. Ele exemplifica dizendo que, embora o carro individual perca o valor, as indústrias que geram o seu combustível não caem, assim como permitem o desenvolvimento de novos carros, que continuamente geram valor.
O mesmo acontece na indústria mobile: ainda que o preço de um celular deprecie, as fornecedoras de internet e desenvolvedoras de serviço continuam sendo utilizadas, fomentando um mercado cativo para que se possa desenvolver e vender celulares melhores e mais eficientes. Ou seja, o maior valor vem de reter o conhecimento necessário para se reiterar, em um nicho, e criar um ecossistema para se perpetuar.
O executivo faz uma comparação a grandes metrópoles econômicas, referências aos seus nichos económicos ao qual tem um conhecimento profundo e manuseiam essa expertise com excelência.
“O Vale do Silício tem sua liderança em software. Londres tem sua expertise financeira. Xangai se destaca por suas frotas marítimas, e Pequim, por sua capacidade de manufatura industrial. Poderia algum lugar do Brasil — um país de dimensões continentais e com uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo —, com visão de longo prazo, cultivar o ecossistema necessário para se tornar uma referência em energia limpa e aplicar essas tecnologias em todas as facetas do cotidiano? Vale a pena pensar”, finalizou ele.



