A segurança digital deixou de ser apenas uma preocupação operacional e passou a ocupar posição central na estratégia das empresas brasileiras. É o que aponta a terceira edição do Barômetro da Segurança Digital, estudo encomendado pela Mastercard ao Instituto Datafolha.
A pesquisa ouviu tomadores de decisão de TI de empresas de diferentes portes e setores, incluindo varejo, tecnologia, telecomunicações, finanças, seguros, saúde e educação. O levantamento indica uma evolução significativa na maturidade digital, com aumento de estrutura, investimentos e adoção de práticas de prevenção a ataques cibernéticos.
Entre os principais dados, 75% das empresas afirmam já contar com uma área dedicada exclusivamente à cibersegurança. Em 2022, esse percentual era de 35%, o que representa mais que o dobro em três anos. O avanço é ainda mais expressivo entre pequenas empresas, onde o índice passou de 23% para 66%.
A pesquisa também aponta mudança na forma como o tema é tratado dentro das organizações. A prioridade máxima no orçamento atual mais que dobrou no período analisado, passando de 23% para 53%. Entre grandes empresas, o índice chega a 54%. Já a adoção de planejamento anual para segurança digital avançou de 26% para 56% no total da amostra.
“Os dados do Barômetro mostram uma transformação profunda na mentalidade do mercado brasileiro. A segurança digital migrou da periferia para o centro das decisões estratégicas”, comenta Daniel Vilela, VP de Prevenção a Fraude e Compliance da Mastercard Brasil.
Segundo ele, o investimento em cibersegurança passou a ser visto como fator de continuidade e expansão dos negócios. “As empresas não enxergam mais esse investimento apenas como uma despesa necessária, mas como um motor para gerar confiança, credibilidade, resiliência e inclusão digital levando à continuidade e expansão dos negócios. É um sinal claro de maturidade e uma resposta direta ao cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas”.
O estudo também mostra que os benefícios mais percebidos pelas empresas estão ligados à confiança na gestão e à credibilidade junto a clientes e parceiros, citados por 71% dos entrevistados. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de risco: 78% das empresas acreditam que seus setores são alvos frequentes de fraudes ou ataques digitais, contra 64% em 2022.
Em resposta a esse cenário, as companhias têm intensificado práticas de proteção. De acordo com o levantamento, 96% realizam testes de segurança regularmente, 86% possuem plano de resposta a incidentes e 75% já fizeram simulações de ataques nos últimos três meses.
O avanço também aparece no recorte por porte. Entre pequenas empresas (10 a 49 funcionários), a criação de áreas próprias de cibersegurança saltou de 23% para 66%. A prioridade orçamentária elevada passou de 19% para 42%, enquanto a realização de simulações de ataques cresceu de 31% para 63%.
Nas empresas de médio e grande porte, os índices são ainda mais elevados. Entre as grandes companhias, 87% consideram o tema muito importante, 90% possuem plano de resposta a ataques e 83% realizaram simulações recentes.
No recorte por setor, tecnologia e telecom lideram em maturidade digital. Nesse grupo, 72% atribuem prioridade máxima ao tema no orçamento, 64% se consideram altamente preparados para ataques e 98% já possuem plano de resposta estruturado.
O segmento financeiro e de seguros também apresenta níveis elevados de maturidade, com 90% das empresas contando com plano de resposta a incidentes. Já o varejo registra avanço consistente, com 73% das companhias já estruturadas com áreas próprias de cibersegurança.
Geograficamente, a pesquisa foi distribuída entre Sudeste (42%), Sul (21%), Nordeste (21%) e Norte/Centro-Oeste (16%), compondo uma visão nacional do cenário corporativo.
Apesar dos avanços, o estudo aponta desafios relevantes. A falta de profissionais qualificados ainda é considerada um obstáculo importante, com 25% das empresas classificando o tema como difícil. Por outro lado, cresce a adoção de tecnologias avançadas: 73% das empresas destacam a relevância da biometria, 47% utilizam inteligência artificial e machine learning e 58% recorrem à criptografia.
O uso de biometria para reduzir dependência de senhas já é realidade para 52% das organizações, indicando uma mudança gradual na forma como a segurança digital é incorporada às operações corporativas.



