Anúncios no ChatGPT terão CPM premium, diz estudo

ChatGPT, anúncios no ChatGPT

A OpenAI avança no desenvolvimento de seu modelo de publicidade para o ChatGPT, ainda em fase beta, com uma proposta que pode reposicionar o mercado de mídia digital. Segundo estudo do DigiSales Group, liderado pela doutora em marketing digital Lilian Carvalho, o custo por mil visualizações (CPM) da nova plataforma já se posiciona acima de players consolidados como Google e Meta.

Os dados indicam que o ChatGPT Ads apresenta um CPM médio de US$60 nos Estados Unidos, valor superior ao Google Display Network, atualmente em US$3, ao Meta Ads, que varia entre US$2 e US$15, e ao Google Search Ads, com CPM de US$38. O patamar também se aproxima do modelo de anúncios da Netflix.

“A precificação comprova que a OpenAI não está concorrendo com mídia programática de volume ou cliques baratos de fundo de funil. O canal exige um investimento financeiro altíssimo baseado no nível de atenção exclusiva, de 1 ad por tela, e na qualidade de um usuário logado e intelectualmente engajado. Vale lembrar que a companhia adotou um valor mínimo de 200 mil de dólares (mais de 1 milhão em reais) para empresas interessadas em anunciar na versão Beta, ou seja, não será para ‘qualquer bico’. É um patamar comparável aos que as empresas pagam em uma ação no BBB ou num intervalo de Copa do Mundo”, analisa Lilian Carvalho.

O modelo em teste se diferencia pela proposta de exclusividade. De acordo com o estudo, apenas um anúncio será exibido por resposta gerada, sem concorrência visual simultânea, o que sustenta a classificação de CPM premium. Além disso, os anúncios não interrompem a interação com a inteligência artificial, sendo exibidos apenas após a resposta orgânica.

A pesquisadora também destaca características como o posicionamento passivo — no qual a publicidade não interfere no fluxo da conversa — e mecanismos de transparência e controle, permitindo ao usuário interagir com o anúncio, descartá-lo ou solicitar explicações sobre sua exibição.

“O ChatGPT Ads é o primeiro teste de fogo da publicidade na era em que a máquina entende a intenção humana melhor do que o próprio usuário”, avalia Lilian Carvalho.

A estratégia de monetização também está diretamente ligada às projeções financeiras da OpenAI. A empresa estima gerar US$112 bilhões em receitas provenientes exclusivamente de usuários gratuitos nos próximos cinco anos, reforçando a importância da publicidade como pilar de sustentação do modelo de negócios.

De acordo com a especialista, essa movimentação ocorre em um contexto de alto custo operacional. “esse movimento ocorre justamente para cobrir um déficit de US$ 115 bilhões estimado pela OpenAI para os próximos 5 anos, pois somente o modelo de assinaturas pagas (Plus/Pro) é financeiramente incapaz de sustentar os custos massivos de computação necessários para alcançar a Inteligência Artificial Geral (AGI)”.

O modelo de exibição de anúncios também considera segmentações específicas. Nem todos os usuários terão acesso à publicidade, com restrições baseadas no tipo de plano, temas abordados e faixa etária. Usuários gratuitos e do plano Go estarão expostos aos anúncios, enquanto assinantes dos planos Plus, Pro, Business e Enterprise não receberão esse tipo de conteúdo. Além disso, temas sensíveis como política e saúde bloqueiam automaticamente a exibição de publicidade.

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