A estratégia da Stellantis para a Leapmotor no Brasil deve ir além dos veículos 100% elétricos. Durante o lançamento do modelo B10, a companhia indicou que pretende ampliar sua atuação local com o uso de tecnologias híbridas, sinalizando uma operação mais abrangente do que a simples importação de veículos.
De acordo com a Inside EVs, esse direcionamento se concretiza com a confirmação do desenvolvimento de uma tecnologia inédita de eletrificação no país, que combina o conceito de veículos com extensor de autonomia (REEV) com motorização flex, capaz de operar com etanol e gasolina.
Desenvolvimento local em Goiana (PE)
O projeto será conduzido no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, unidade que também deve concentrar a produção dos primeiros modelos da marca no Brasil, como os SUVs B10 e C10. A fábrica passa por expansão para receber a nova operação e suportar o desenvolvimento tecnológico local.
A base da solução é o conceito Range Extender Electric Vehicle (REEV), no qual o veículo é tracionado exclusivamente por um motor elétrico. Nesse sistema, o motor a combustão atua apenas como gerador de energia para a bateria, ampliando a autonomia sem interferir diretamente na tração.
Na prática, a proposta mantém a experiência de condução típica de um carro elétrico, ao mesmo tempo em que reduz a dependência de infraestrutura de recarga — um fator ainda relevante no mercado brasileiro.
Evolução do conceito e adaptação ao Brasil
A Leapmotor já utiliza esse sistema em outros mercados e apresentou no Brasil o C10 REEV, que combina motor elétrico com um propulsor 1.5 a combustão dedicado à geração de energia. O modelo pode alcançar autonomia próxima de 1.000 km em determinadas condições, ampliando o alcance sem necessidade frequente de recarga.
Na Europa, o B10 REEV também adota solução semelhante, com autonomia elétrica parcial e alcance total ampliado por meio do gerador a combustão.
A principal diferença do projeto brasileiro está na adaptação ao combustível local. A Stellantis afirma estar desenvolvendo a primeira tecnologia REEV flex do mundo, capaz de operar com etanol ou gasolina em qualquer proporção. A proposta é aproveitar a matriz energética brasileira para potencialmente reduzir emissões e custo por quilômetro rodado.
Estratégia industrial e posicionamento
Além do avanço tecnológico, o projeto marca o papel do Brasil como centro de desenvolvimento dentro da operação da Stellantis na América do Sul. A engenharia local lidera a evolução da solução, integrando o país à estratégia global de eletrificação do grupo.
A adoção do sistema REEV flex também ajuda a explicar o posicionamento da Leapmotor no mercado brasileiro. Embora a marca mantenha foco em modelos elétricos, a introdução de veículos com extensor de autonomia surge como alternativa para ampliar a aceitação comercial em um cenário de infraestrutura de recarga ainda em desenvolvimento.
Diferentemente dos híbridos convencionais, em que o motor a combustão pode tracionar as rodas, o sistema REEV opera como um híbrido em série, mantendo a tração exclusivamente elétrica e utilizando o motor térmico apenas como gerador. Essa configuração reduz a chamada “ansiedade de autonomia” e aproxima o comportamento do veículo ao de um elétrico puro.
Com a previsão de produção nacional dos modelos B10 e C10 e o desenvolvimento local da tecnologia REEV flex, a Leapmotor passa a integrar de forma mais ampla a estrutura industrial e tecnológica da Stellantis no Brasil, alinhando eletrificação a soluções adaptadas às condições do mercado nacional.



